<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380</id><updated>2012-02-07T01:16:16.769-02:00</updated><category term='artes visuais'/><category term='agenda'/><category term='livraria'/><category term='teatro'/><category term='música'/><category term='crônica'/><category term='literatura'/><category term='debate'/><category term='cinema'/><category term='futebol'/><title type='text'>notícias de três linhas:</title><subtitle type='html'>ARTE | LITERATURA | FUTEBOL</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1103</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5010364414584587683</id><published>2012-02-06T11:00:00.004-02:00</published><updated>2012-02-06T11:04:26.091-02:00</updated><title type='text'>Polícia para quem precisa</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;.&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-kEZzC3_oamk/Ty_PfZVMgII/AAAAAAAACPo/btUYZtRkQas/s1600/f_82887.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5706007391184388226" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-kEZzC3_oamk/Ty_PfZVMgII/AAAAAAAACPo/btUYZtRkQas/s400/f_82887.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por mais que exista gente que defenda isso ou aquilo, não dá pra negar que a foto do policial militar simulando amor carnal com uma das vaquinhas da Cow Parade, em Florianópolis, ficou simplesmente perfeita. É impossível olhar a foto e não morrer de rir. Pelo menos eu, que tenho o riso frouxo, não consigo. Com tanto policial chutando gente pelo Brasil afora, principalmente na cidade de São Paulo, mas não só, como já estamos cansados de saber, ver uma foto dessas faz a gente acreditar outra vez na beleza da vida. Aliás, não deixa de ser preocupante que as pessoas fiquem mais revoltadas com uma foto dessas do que com um policial agredindo um civil, como se vê todos os dias na internet. Um policial dificilmente faz algo simpático; quando faz, é recriminado. Vai entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ângulo panorâmico da fotografia, de autoria de Eduardo Valente, dá a impressão de que seja o olho de Deus vigiando e punindo os pecadores. De fato, os policiais – sobretudo o amante, pecador maior – estão sendo flagrados por alguém que parece invisível, como deve acontecer sempre com todo bom fotógrafo. Trata-se de uma combinação entre o extremo do improviso e da perfeição. Afinal, onde estava Eduardo Valente no momento em que fez a foto? E ainda com uma câmera profissional a seu dispor! Parece que estava em cima da torre do Mercado Público... De resto, todos os outros policiais exercem funções exemplares na fotografia. Vamos a elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do amante, há outros dois policiais fotografando, duas presenças que enriquecem consideravelmente a cena e acabam atribuindo uma autoconsciência ao divertimento dos rapazes; há também um quarto policial rindo, bem à vontade ao lado dos outros, presença que é como se fosse a nossa – de todos, eu me identifico mais com ele – pelo simples fato de que está apenas rindo; e há ainda um quinto e último policial esperando seus colegas na viatura. O último policial esperando, a meu ver, é o mais misterioso. Não dá pra ter nenhuma idéia da expressão de seu rosto. Ele é cúmplice, testemunha ou apenas um espectador? É uma bela pergunta! Na minha leitura, ele representa os bons costumes se recusando a participar da cena, mas não tenho certeza disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa interessante da fotografia é que as duas placas das viaturas, pra azar de alguns e deleite de outros, estão absolutamente legíveis. Eu mesmo consigo soletrá-las: MHD – 2034 e MFC – 0041. Por um lado, estamos diante de uma foto bem poética, uma bela composição de luz e sombra, representando uma cena também poética: uma cena de amor inusitada, digamos assim; por outro lado, temos um documento de denúncia, que inclusive propiciou o afastamento de quatro policiais, e não cinco, pois aquele que permaneceu sentado dentro do carro saiu ileso da situação. Enfim, a fotografia pode ser comparada com um desses gols incríveis que um jogador de futebol faz de fora da área, quase do meio de campo, e que dificilmente acertará outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de dizer ainda que alguém deu a essas vacas do Cow Parade o que realmente elas merecem. Todo mundo costuma tirar fotos meigas com essas vaquinhas e colocar no facebook, mas ninguém até então, salvo engano, tinha feito algo realmente criativo e conseqüente com elas. Não vejo nenhuma graça nessa mania das vaquinhas. Em matéria de arte, prefiro muito mais o happening dos policiais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5010364414584587683?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5010364414584587683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5010364414584587683' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5010364414584587683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5010364414584587683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2012/02/policia-para-quem-precisa.html' title='Polícia para quem precisa'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-kEZzC3_oamk/Ty_PfZVMgII/AAAAAAAACPo/btUYZtRkQas/s72-c/f_82887.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-748057009664985693</id><published>2012-01-30T09:32:00.003-02:00</published><updated>2012-01-30T09:34:01.628-02:00</updated><title type='text'>Duas mulheres e um segredo</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Kufz6-xU4OM/TyZ_-0FqGTI/AAAAAAAACPc/7p4TtABUssQ/s1600/20175_298484239044_648854044_4727996_8341562_n.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5703386695222303026" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-Kufz6-xU4OM/TyZ_-0FqGTI/AAAAAAAACPc/7p4TtABUssQ/s400/20175_298484239044_648854044_4727996_8341562_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última quinta-feira, dia 26, duas mulheres morenas, altas e magras, vestidas de maneira inadequada para a ocasião – vestido longo preto, óculos escuros, salto alto, maquiagem e penteado transado, com três ou quatro sacolas de compras em cada mão, com nomes de lojas de roupas e jóias, até onde pude perceber, etc. – foram vistas passeando pelas areias da Praia Mole, em Florianópolis, como se as pessoas fossem as suas próprias vitrines, como se nada estivesse acontecendo em volta delas, rindo alto e conversando sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em torno das duas horas da tarde, sob os olhos incrédulos de centenas de banhistas, dezenas de surfistas e mais meia dúzia de salva-vidas, que nada puderam fazer, pois elas não estavam se afogando, mas apenas caminhando na areia, além dos meus próprios olhos e de outros dois amigos paulistanos, que foram obrigados a interromper a conversa sobre qual governador é pior – o nosso ou o deles – as duas mulheres desfilaram durante uns vinte minutos e voltaram para o carro, deixando a marca dos furinhos do salto alto na areia, impávidas, só não parando o trânsito porque trânsito não havia, como se nada mesmo estivesse acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do mesmo modo como entraram na praia – na passarela, no bulevar – elas também partiram: sem falar com mais ninguém, sem tocar a ponta do pé na água gelada da Praia Mole, sem apoiar as sacolas em algum quiosque pra descansar um pouco e tomar um suco, sem nem tirar o salto para caminhar melhor na areia, sem azarar ninguém, ignorando completamente o pequeno alvoroço que criaram entre homens, mulheres, adultos e crianças, enfim, talvez sem encontrar também o que estavam procurando; e o que estavam procurando, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mãããe, aquelas duas moças que estão passando ali são malucas da cabeça ou o quê!? – perguntou um moleque, com a sinceridade que só as crianças podem ter, pergunta que por isso lhe rendeu um safanão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns diziam que as mulheres estavam atrás dos respectivos maridos; outros diziam, com algum exagero, que elas haviam acabado de fugir do hospício; há quem afirmasse que estavam perdidas, embora não parecesse; e há quem dissesse ainda que elas deviam ser duas artistas excêntricas de passagem pela ilha, resquícios do ano novo, antecipação do Carnaval, fantasiadas de peruas, vai saber – mas a verdade é que ninguém teve coragem de ir perguntar qualquer coisa a elas, nem oferecer ajuda pra carregar suas bolsas, nem saber dos seus nomes, nem mesmo a vendedora de biquínis lhes ofereceu dois deles para que ficassem mais confortáveis, nem um mergulho, um bronzeado, nada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, é bem provável que fossem, elas também, principalmente pelo sotaque, assim como os meus amigos de férias, duas paulistanas; e de fato, durante grande parte do percurso, elas não pararam de falar um minuto, puxando o R e mudando de assunto com a velocidade de um controle remoto, sendo a maioria da conversa pura frivolidade, até onde foi possível acompanhar: a prova do líder do Big Brother Brasil, o último clipe da Mallu Magalhães, os filmes indicados ao Oscar, o próximo SP Fashion Week, o segredo de Fina Estampa e o calor, ai, o calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Alguém, por favor, liga o ar-condicionado! – foi a última frase que ouvi de uma delas, sem que ninguém soubesse me dizer se aquilo era uma ordem, uma espécie de loucura ou apenas um gracejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-748057009664985693?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/748057009664985693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=748057009664985693' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/748057009664985693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/748057009664985693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2012/01/duas-mulheres-e-um-segredo.html' title='Duas mulheres e um segredo'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Kufz6-xU4OM/TyZ_-0FqGTI/AAAAAAAACPc/7p4TtABUssQ/s72-c/20175_298484239044_648854044_4727996_8341562_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7027635137038694288</id><published>2012-01-23T11:31:00.003-02:00</published><updated>2012-01-23T11:39:26.813-02:00</updated><title type='text'>Não existe amor no BBB</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-x6M9qXxZYA4/Tx1iy2DHVvI/AAAAAAAACPQ/MRqP288vpnU/s1600/600full-madame-bovary-poster.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 297px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5700821328962475762" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-x6M9qXxZYA4/Tx1iy2DHVvI/AAAAAAAACPQ/MRqP288vpnU/s400/600full-madame-bovary-poster.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As telenovelas nos ensinaram pelo menos uma coisa: não existe uma fronteira muito definida que separa a ficção da realidade. O que houve de senhoras dando chute na canela de vilão da novela das oito, em quarenta anos de telenovela, não está no gibi. Uma vizinha da minha avó também costumava se referir a atores globais apenas pelo primeiro nome, ou às vezes mesmo através de apelidos criados por ela própria, criando um clima saudável de intimidade entre eles, mas causando algum mal entendido quando falava do Victor Fasano, por exemplo, pois eu sempre achava que ela estava se referindo a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O Victor é mesmo lindo, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas que Victor, mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah, o Victor Fasano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, a fórmula do Big Brother Brasil não deixa de ser outro passo em direção à falta de entendimento entre participantes e espectadores, dentre eles a vizinha da minha avó. A rigor, sabemos muito pouco ou nada sobre a medida de simulação que motiva cada ato (a princípio, verdadeiro) dos participantes da casa. Uma das respostas de Daniel sobre o suposto estupro não deixa de ser curiosa, sendo a resposta verdade ou mentira: o rapaz teria simulado sexo com Monique para se tornar mais popular. É como acontece na fantasia dos romances, lugar de onde surgem as telenovelas, pelo menos desde Don Juan; personagem que, aliás, segundo reza a lenda, também teria praticado estupro em uma jovem moça de família nobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das principais controvérsias sobre a relação entre literatura e direito civil no século XIX é se a ficção, mesmo ela, estava acima da lei. Em francês, aliás, a palavra “nouvelle” significa ao mesmo tempo novela (ficção) e novidade ou notícia (realidade). O escritor francês Gustave Flaubert, por exemplo, foi aos tribunais por conta de seu romance Madame Bovary, apenas porque sua personagem, Emma Bovary, deu uns tantos chifres no marido. Um chifre nos dias de hoje não faz nem cócegas na ordem do nosso imaginário, mas a confusão não mudou tanto assim. Quando Boni diz que o principal problema do BBB é o texto – ou seja, a falta de interesse em tudo que é dito pelos participantes – é como se ele estivesse tratando o BBB como uma telenovela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em edições passadas do programa, alguém disse também que chega um momento dentro da casa em que o participante esquece que está sendo observado; ou seja, esquece que o BBB é um jogo, como se gosta de dizer. Em outras palavras, se a telenovela é uma ficção construída segundo a perspectiva da verdade, então o reality show – fórmula em si mesma paradoxal, pois show e realidade não são compatíveis – é uma realidade vista e vivida através do puro espetáculo. Outra curiosidade é que o resumo diário do programa é transmitido logo após a última telenovela do dia, assim como as chamadas para notícias nas capas de sites aparecem todas misturadas: “Álvaro revela para Tereza Cristina que sabe tudo sobre o segredo dela.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre considerei a fórmula do BBB interessante, embora agora já esteja bem desgastada – não é em vão que, embora o programa já esteja em sua décima segunda edição, a audiência não para de cair. Seja como for, parece bem divertida a idéia de colocar várias pessoas diferentes no mesmo lugar e observar como elas se comportam na medida em que são obrigadas a conviver, desde que elas queiram. No entanto, por mais que possa parecer, o BBB não é uma telenovela interativa. Aliás, talvez a única diferença entre o reality show e a telenovela é que, afinal de contas, o reality show não é uma telenovela. Enfim, que não haja amor no BBB, como disseram na semana passada, nem é algo tão evidente assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7027635137038694288?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7027635137038694288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7027635137038694288' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7027635137038694288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7027635137038694288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2012/01/nao-existe-amor-no-bbb.html' title='Não existe amor no BBB'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-x6M9qXxZYA4/Tx1iy2DHVvI/AAAAAAAACPQ/MRqP288vpnU/s72-c/600full-madame-bovary-poster.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6743861950105435308</id><published>2012-01-16T10:40:00.002-02:00</published><updated>2012-01-16T11:04:03.992-02:00</updated><title type='text'>Carta de uma leitora</title><content type='html'>Bom dia Victor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me perdoe a sinceridade mas achei lamentável a sua publicação na coluna Contexto no DC do dia 16.01 sobre o texto escrito pelo morador de Jurerê.&lt;br /&gt;Não sei de onde você é e nem onde mora mas se morasse em um local como se tornou Jurerê, deveria dar razão às críticas feitas no depoimento do Sr. Rica. Florianópolis se tornou, de um modo geral, na ilha das ilusões, onde todos acham que é um paraíso e que vindo morar aqui terão qualidade de vida.&lt;br /&gt;Isso é um absurdo se levarmos em consideração vários fatores como mobilidade, planejamento, segurança, custo de vida, entre outros. E infelizmente, durante a temporada, todos esses pontos críticos pioram ao extremo e ainda temos que nos deparar com um povinho que acham que só por que conseguem passar uns dias em Jurerê Internacional são pessoas ricas e que podem fazer tudo o que querem sem ter o mínimo de bom senso e respeito pelos outros. Essa gente, na minha opinião, é pobre, muito pobre, de espírito e tenho pena de pensar que o nosso mundo está cada vez mais cheio delas. E os problemas que você considera que são apenas problemas do bairro "Sr. Rica", são problemas frequentes da nossa sociedade atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Att,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá, D:&lt;br /&gt;não penso diferente de Rica Ribas no que se refere aos problemas de Jurerê Internacional, mas penso diferente no que se refere às causas; ou seja, quem construiu o inferno de Jurerê - que é na verdade o inferno de Florianópolis com alguns anos de atraso - foram as próprias pessoas que vivem na nossa cidade: das últimas prefeituras à mídia e aos moradores, sem exceção. De resto, quando se diz falta de espírito, infelizmente está se falando é de falta de dinheiro. No nosso país, os pobres levam a culpa de tudo.&lt;br /&gt;Um abraço,&lt;br /&gt;Victor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6743861950105435308?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6743861950105435308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6743861950105435308' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6743861950105435308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6743861950105435308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2012/01/carta-de-uma-leitora.html' title='Carta de uma leitora'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4407294839277719695</id><published>2012-01-16T09:21:00.005-02:00</published><updated>2012-01-16T09:29:22.607-02:00</updated><title type='text'>Rica e o novo rico</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-hKJulPbc5I8/TxQIk4imzKI/AAAAAAAACPE/zkDI2fX_5Gg/s1600/ji18.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5698188858276367522" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-hKJulPbc5I8/TxQIk4imzKI/AAAAAAAACPE/zkDI2fX_5Gg/s400/ji18.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;De fato, nem tudo é uma delícia em Jurerê Internacional. Pelo menos é o que indicam as mais recentes estimativas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Semana passada circulou pela internet, após ser publicada no blog do colunista Cacau Menezes, uma carta assinada por um morador de um bairro que agora é conhecido também como a segunda casa de Michel Teló; bairro que continua sendo, apesar disso tudo, “o destino mais desejado do litoral brasileiro”. Eu aprendi que o desejo das pessoas é algo que a gente não deve discutir, mas a carta de Rica Ribas – é assim que o morador de Jurerê Internacional assina, sendo Rica provavelmente uma abreviação de Ricardo, o que não deixa de ser sintomático – é um documento que merece ser lido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta tem certo valor por uma série de motivos, inclusive por alguns motivos que o próprio Rica (vou chamá-lo assim também) nem desconfia. Por um lado, Rica esboça um interessante retrato dos turistas que passaram a freqüentar a praia, como um “casalzinho de Erechim” e “bombadões com correntes de prata”, enfatizando que nunca viu rico de verdade usar correntes assim, nem de ouro aliás; por outro, a carta é também um testemunho sobre o que um morador autêntico de Jurerê Internacional – Rica vive lá há mais de cinco anos – pensa sobre a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta circulou amplamente pela internet porque Rica descreve com conhecimento de causa algumas barbaridades que acontecem no seu bairro e que, por motivos óbvios, acabam não sendo noticiadas: bêbados cantando “Ai, se eu te pego!” às seis horas da manhã, muitos acidentes de automóvel, gente pelada dormindo na sua garagem, enfim, uma verdadeira algazarra; e assim Rica chega à conclusão de que “99% da população de turistas de Jurerê é composta de IDIOTAS”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega um momento, no entanto, em que a carta de Rica torna-se um pouco confusa. Em resumo, Rica parece sugerir a controvertida tese de que o problema do turismo em Jurerê Internacional, afinal, é a falta de ricos. Os 99% de idiotas da contagem de Rica são “os paulistas que economizam o ano inteiro para alugar uma casa dividida em 20 pessoas”, “gente que considera Michel Teló o máximo”, “bandidos que usam camisa de jogador de pólo cheia de bordado” e também o já citado “casalzinho de Erechim”, que pelo diminutivo me pareceu inofensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, nesse momento, tive curiosidade de saber quem faz parte da parcela de 1% imaginada por Rica e principalmente quais são as músicas que tocam no seu iPod, mas até onde sei as festas de Jurerê Internacional nunca foram freqüentadas por pós-graduandos em Harvard e muito menos por pobres, e sim por novos ricos, sejam eles turistas ou mesmo moradores, os vizinhos de Rica, no caso. Afinal, pobre não tem condições de comprar “camarote$, pul$eirinha$, champã$ e ferrari$”, nem se economizarem a vida inteira. E carro de pobre, quando muito, anda no máximo até 120km/h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uns vinte anos de atraso, Rica também descobriu que o turismo, afinal, não vale o retorno financeiro que oferece pra cidade, ou pra “meia dúzia de empresários apenas”, pessoas ricas elas também. Por que Rica descobriu isso só agora? Verdade também que policial não costuma bater na porta de apartamentos localizados na linha do mar e nem de parar ferrari$ para realizar testes do bafômetro, como Rica gostaria que acontecesse. O que nos faz concluir, dentre outras coisas, que as perspectivas para Rica não são das melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, acredito que Rica tem todo o direito de reclamar do que julga serem os problemas de seu bairro; afinal ninguém gosta de acordar com um cara pelado na própria garagem, salvo engano. No entanto, acredito que faltou para Rica também uma autocrítica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4407294839277719695?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4407294839277719695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4407294839277719695' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4407294839277719695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4407294839277719695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2012/01/rica-e-o-novo-rico.html' title='Rica e o novo rico'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-hKJulPbc5I8/TxQIk4imzKI/AAAAAAAACPE/zkDI2fX_5Gg/s72-c/ji18.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8393509988185886777</id><published>2012-01-09T11:58:00.003-02:00</published><updated>2012-01-09T12:07:48.199-02:00</updated><title type='text'>Antropologia de boteco</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9y440g9S7Q8/Twr0Ls9BMPI/AAAAAAAACOI/LWAlwHGNyLc/s1600/11-09-27_mouzar-benedito_de-bar-em-bar-vii-bar-da-tia-rosa.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 293px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695633160646242546" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-9y440g9S7Q8/Twr0Ls9BMPI/AAAAAAAACOI/LWAlwHGNyLc/s400/11-09-27_mouzar-benedito_de-bar-em-bar-vii-bar-da-tia-rosa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há certas lições nessa vida que só se aprende com a prática; se comportar em boteco é uma delas. Depois de uma pesquisa de duas semanas pelos botecos mineiros, onde estou passando férias – digo, estou passando férias não exatamente nos botecos, mas na cidade –, além da experiência já adquirida nos anos anteriores, sinto-me com material suficiente para uma breve explanação sobre o assunto. A primeira lição que os mineiros me ensinaram sobre botecos, aliás, e isso qualquer pessoa é capaz de aprender com algumas horas apenas de prática, é que com os mineiros não se brinca. Em resumo: cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém, mas o mesmo não se pode dizer sobre a cachaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, cheguei à conclusão de que a pior coisa de boteco – e não importa o paradoxo – é justamente o bêbado. Por exemplo, quando você chega atrasado no boteco e já tem dois bêbados esperando na mesa. Um bêbado só é legal em três situações: quando está bem longe de você, pois assim você não se compromete; quando é alguém famoso, por motivos óbvios; ou quando é você próprio. O pior bêbado, por outro lado, é aquele com quem você cultiva plena intimidade: amigos e principalmente familiares. Intimidade em boteco, aliás, de maneira geral, não é uma coisa muito boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar bêbado, em todo caso, é bem diferente de ficar altinho ou alegrinho; meu pai chama esse estado de tonturinha. É aquele estado em que você começa a dizer umas loucurinhas com distinção e elegância. Você vai chamar o garçom de “meu nobre cavalheiro” e quando pedir uma nova cerveja dirá a ele: “só se não fizer falta...”, como sempre faz um amigo meu. Aliás, esse meu amigo, mesmo sem pedir água sem gás, dificilmente demonstra que está bêbado: ele fica até o fim da noite – momento em que os garçons começam a empilhar as cadeiras sobre as mesas, com exceção da nossa, talvez o espetáculo mais bonito do planeta – com a mesma cara das nove e meia, embora não com o mesmo coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito que possui boa experiência em boteco, de fato, consegue permanecer altinho por mais tempo, como se fosse um equilibrista sobre a corda bamba da razão. Há inúmeros signos que acusam o fim do estado altinho e anunciam o começo de uma tragédia: alguns signos são indícios, outros são certezas. Derrubar copo, por exemplo, é o primeiro indício. Na hora, pra não haver problema, os amigos vão dizer que foi só um acidente, mas não é bem assim. O discurso sentimental também, como já se sabe, aparece logo depois. E se o sujeito derruba o copo e ainda diz que te considera, pode esperar que ele deve cantar a sua namorada 15 minutos depois ou, no melhor dos casos, vai recitar pra mesa inteira uma canção do Roberto Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há outra coisa ainda pior nos botecos: sentar em lugar ruim. Isso serve tanto pra sua posição na mesa quanto pra posição da sua mesa em relação ao bar. Se você senta na ponta, em uma mesa de canto e ainda cai um bêbado do teu lado, bem, o nome disso é inferno; acontece com pessoas que foram bêbados muito chatos em vidas passadas. Nesse caso, o bêbado – o bêbado da vida presente – vai falar alto com você. Não vai ouvi-lo. Pra resumir, eu diria que o bêbado vai querer emitir opiniões altamente discutíveis com a autoridade de um mestre de cerimônia. Bêbados não têm modéstia. Além de mais bonitos e mais fortes, pensam também que são três vezes mais inteligentes do que realmente são. Mas nunca são três vezes mais ricos. A hora de pagar a conta é o único momento em que o bêbado tem alguma lucidez&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8393509988185886777?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8393509988185886777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8393509988185886777' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8393509988185886777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8393509988185886777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2012/01/antropologia-de-boteco.html' title='Antropologia de boteco'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9y440g9S7Q8/Twr0Ls9BMPI/AAAAAAAACOI/LWAlwHGNyLc/s72-c/11-09-27_mouzar-benedito_de-bar-em-bar-vii-bar-da-tia-rosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4011347227842740905</id><published>2012-01-02T11:31:00.004-02:00</published><updated>2012-01-02T12:35:13.982-02:00</updated><title type='text'>Umas previsões incríveis</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-NyatSEBbXmE/TwGyTKA7BnI/AAAAAAAACN8/rgxSLTD6SPU/s1600/15831_1273641607445_1422087234_2616156_2123381_n.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693027446148499058" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-NyatSEBbXmE/TwGyTKA7BnI/AAAAAAAACN8/rgxSLTD6SPU/s400/15831_1273641607445_1422087234_2616156_2123381_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Segundo previsões estapafúrdias, mas muito verdadeiras, 2012 promete ser um ano de acontecimentos espetaculares para Florianópolis. De certeza há apenas três feriados na sexta-feira e a saída de Dário Berger da prefeitura – ou seja, começamos com duas notícias muito boas realmente – mas há também conjecturas das quais a nossa triste e deselegante filosofia, ou pelo menos a minha, nem ousa duvidar. O ano termina, segundo nos explica o calendário maia, como todo mundo já sabe, com o fim do mundo – e está anunciado também que o fim do mundo (isso pouca gente sabe) começa exatamente pelo sul do país, no próximo 31 de dezembro, após a chegada dos primeiros turistas na ilha – mas até lá muita coisa deve acontecer. Vamos a elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRA PREVISÃO: Com a realização de um trio com Thiaguinho e Ronaldinho em show do grupo de pagode Barulhinho Maneiro, encontro que a ilha terá a honra de sediar, Neymar descobre que seu verdadeiro talento não é o futebol, e sim a música, e então o jogador assina contrato com o Avaí por duas temporadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGUNDA PREVISÃO: Após a realização dos filmes “As Procuradas” e “A Antropóloga”, o cineasta Zeca Pires inicia as filmagens de seu terceiro longa-metragem, que se chamará “O Baile Todo”, sucesso de público e crítica, fechando assim uma trilogia de dez anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERCEIRA PREVISÃO: Com o crescimento populacional, a construção de dois novos shoppings, três grandes hotéis e uns duzentos e cinquenta prédios de vinte e cinco andares, seguido da popularização do programa “Escort à Beira Mar”, um trocadilho aliás muito simpático, relacionado também ao crescimento da economia local, um reflexo natural do crescimento da economia nacional, que deve proporcionar ao cidadão mané a compra de carros maiores, mais bonitos e equipados, enfim, em uns três meses uma parte da ilha afunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUARTA PREVISÃO: A equipe de administração e gestão do Centro Integrado de Cultura (CIC) anuncia licitação pública para a realização de novas reformas, que devem reiniciar definitivamente só em 2013, ou seja, alguns meses após o fim do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUINTA PREVISÃO: Algumas semanas antes do fim do mundo, por outro lado, o cantor Ivan Lins faz o show de abertura da Semana Ousada de Artes, no campus da UFSC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEXTA PREVISÃO: Em meados de agosto, Neymar descobre que seu maior talento na verdade não é a música, e sim a política, e então resolve se candidatar para o cargo de prefeito da cidade; com o tema de campanha: “Neymar: vamos rir pra não chorar”, o ex-jogador vence as eleições já no primeiro turno, desbancando políticos experientes como Ângela Amin e César Souza Junior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SÉTIMA PREVISÃO: Guga Kuerten, ao presenciar seu time na segunda divisão e o Neymar como prefeito de sua cidade, decide definitivamente se mudar pra Paris; e como Carlota Joaquina fez em mil oitocentos e alguma coisa, quando ao voltar pra Europa tirou os sapatos para que dessa terra “não levasse nem o pó”, segundo sua própria declaração, Guga também deixará sua prancha de surf na ilha e afirmará pelo twitter que dessa ilha “não levará nem o sal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OITAVA, e última, PREVISÃO: Rosette Rosa, minha tia, que apostou na Mega da Virada e se tornará podre de rica já nos primeiros dias de 2012, espera assistir a tudo isso de seu helicóptero e não pretende descer nem pra votar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4011347227842740905?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4011347227842740905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4011347227842740905' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4011347227842740905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4011347227842740905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2012/01/umas-previsoes-incriveis.html' title='Umas previsões incríveis'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-NyatSEBbXmE/TwGyTKA7BnI/AAAAAAAACN8/rgxSLTD6SPU/s72-c/15831_1273641607445_1422087234_2616156_2123381_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-649242674132911497</id><published>2011-12-26T13:48:00.004-02:00</published><updated>2011-12-26T14:01:19.489-02:00</updated><title type='text'>Mandingas e outras formas de justiça</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-98HSvD5TiFU/TviZtR3FS9I/AAAAAAAACNw/T2ub4sLLNRc/s1600/BONECO%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690467132350221266" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-98HSvD5TiFU/TviZtR3FS9I/AAAAAAAACNw/T2ub4sLLNRc/s400/BONECO%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do ano a gente sempre faz umas mandingas pra vida melhorar, mas depois nada dá certo, e mesmo assim, no outro ano, a gente faz outra vez. É igual porre no meio de semana: quando a gente acorda em plena quarta-feira, com dor de cabeça e um monte de coisa pra resolver, percebe que aquilo não resolve a vida de ninguém, mas na outra semana está todo mundo na mesa do bar outra vez. Além do amigo secreto, assunto já desenvolvido em uma reflexão anterior – que é justamente a praga do começo do mês – as mandingas são as pragas do fim de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os principais objetivos das mandingas são arrumar namorado, ganhar dinheiro, ter saúde e paz, tudo ao mesmo tempo, o que não deixa de ser um pequeno resumo sobre o que a humanidade efetivamente deseja da vida e até mesmo, por outro lado, não deixa de ser um paradoxo. Ninguém pede pra ter bom gosto musical, por exemplo. Depois, se a pessoa quer ter paz, então é melhor não arrumar namorado; se quer ter saúde, é mais aconselhável continuar a vida como classe média, pois não há nada menos saudável do que o dinheiro. Enfim, não dá pra querer tudo de uma vez. Por outro lado, fica difícil também desejar um 2012 cheio de paz se a pessoa não tem dinheiro. O jeito mais rápido de conseguir paz na vida é comprando um apartamento maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma amiga muito mística, aliás, que não acredita em mandinga, acha que mandinga é uma palavra antiquada, e fala em “rituais de harmonização”. Ela, que se define como “espiritualista” – essa coisa que ninguém sabe dizer muito bem o que é – acredita na “energia e nos bons fluidos das pedras”, mas acha uma tremenda vulgaridade usar calcinha vermelha pra arrumar namorado. E a minha tia Rosette Rosa, que sempre foi uma mulher cética e sem paciência, diz que não acredita em simpatias, só em antipatias, assim mesmo, no plural. Em outras palavras, trata-se de um assunto polêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que se mandinga desse certo, se todo pedido fosse logo realizado, então o Axé não teria nascido na Bahia de todos os santos, e sim na Suíça, lugar onde se faz pouca mandinga. Depois, tem umas mandingas que eu acho simplórias demais. Por exemplo, tomar banho de mar na hora da virada pra limpar a alma. Se for pra fazer mandinga mesmo, tem que fazer um troço diferente, tipo beber um litro de chá com cogumelos roxos preparado com água do Mar Báltico e temperado com gengibre indiano, em um gole só; pois banho de mar, salvo engano, a gente já toma toda semana. Também tem aquelas mandingas em que o sujeito tem que dar uns pulinhos. Não é legal. Ou vestir calcinhas e cuecas novas. Ora, isso é recomendável que se faça o ano inteiro. Aliás, se a pessoa não compra umas calcinhas legais já em fevereiro, está explicado porque no fim do ano fica querendo fazer mandinga pra arrumar namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que eu acho errado nas mandingas é que pra não perder dinheiro você já tem que começar perdendo: esconder moedas debaixo do tapete e deixar lá o ano inteiro, enfiar notas de dez reais na sola do tênis – depois fica bêbado, esquece e entra no mar de roupa – enfim, essas coisas. Ou comprar camisa amarela pra depois ficar esquecida no guarda-roupa durante o ano. Francamente, eu acho que a melhor maneira de atrair dinheiro para 2012 é fazer hora extra no dia 31. Só em não sair pra festa de Reveillon, além de adquirir paz, você também já economiza uma boa grana. Ou então se candidatar para ser prefeito de Florianópolis no ano que vem. Mandinga boa, essa. Não tem erro. E depois tem aquele dito sábio com o qual eu não teimo em discordar: quanto mais mandinga, mais assombração. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-649242674132911497?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/649242674132911497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=649242674132911497' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/649242674132911497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/649242674132911497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/12/mandingas-e-outras-formas-de-justica.html' title='Mandingas e outras formas de justiça'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-98HSvD5TiFU/TviZtR3FS9I/AAAAAAAACNw/T2ub4sLLNRc/s72-c/BONECO%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6876876202774678944</id><published>2011-12-19T11:17:00.004-02:00</published><updated>2011-12-19T11:31:48.463-02:00</updated><title type='text'>Carlos Correria e o Exu</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Os taxistas, como todo mundo sabe, fazem de tudo um pouco. Além de transportar pessoas de um lugar a outro, os taxistas também, eventualmente, realizam as atividades de informantes secretos, investigadores de adultério, psicanalistas amadores, conselheiros sentimentais; e ainda outras coisas que, francamente, é melhor nem dizer aqui. Quem trabalha há mais de 20 anos na profissão, como é o caso do nosso taxista preferido, que atende pela alcunha de Carlos Correria, já está muito acostumado com tudo isso. No entanto, na semana passada, houve uma solicitação que pegou nosso amigo das horas noturnas de surpresa, a saber: evangelizador de Exu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por essa eu não esperava! – suspira Correria, atento ao volante, enquanto faz um mistério antes de iniciar a narrativa dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Correria foi atender a chamada de uma solteirona às oito da noite; como de costume, chegou cinco minutos antes, encostou o carro na frente da casa, deu duas buzinadas de leve – daquelas que se dá pra uma velhinha atravessar a rua, por exemplo – e ficou esperando. Nada da mulher aparecer. Nosso amigo então saiu do carro, acendeu um cigarro, pensou nas mulheres que amou, deu mais cinco minutos, olhou pra um lado, outro; e nada. Quando já estava imaginando que era trote, a mulher lhe chama da janela. Pede pro nosso amigo entrar. Estava mais branca do que neve na Suíça. Precisava de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa coisa de ajudar os outros em horário de trabalho já deixa Carlos Correria meio contrariado – trata-se de um sujeito que tem bom coração só quando está em seu dia de folga – mas ele foi. Depois, passou por sua imaginação uma série de ajudas que não lhe dariam trabalho algum; aliás, pelo contrário. Bateu a porta do carro, apagou o cigarro, perguntou se não tinha cachorro, como de praxe, e entrou. Quando entrou na casa da solteirona, Carlos Correria deu de cara com uma segunda mulher estirada no sofá: era o Exu. Com três cigarros na mão direita, um copo de cachaça na esquerda, a voz grossa e o cabelo mais desgrenhado do que pinheiro de Natal, o Exu já lhe recebeu dizendo umas verdades:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Volta pro teu lugar, misifi; aqui não tem nada que te pertence!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Correria aceitou a sugestão do Exu e, depois de quatro segundos pensando se tentava estabelecer um diálogo amigável, deu meia volta; honrando aliás seu sobrenome. Nesse caso, não deu tempo nem de deixar o seu cartão: “Carlos Correria, a seu dispor”. Enquanto a outra mulher implorava que fizesse alguma coisa, explicando que isso às vezes acontecia com a sua amiga, Carlos argumentava que não era muito entendido do assunto. Foi quando, já no portão da casa do Exu, passou um velho conhecido do nosso amigo do outro lado da calçada: era um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus que vivia na rua de baixo. Carlos Correria sempre levava o pastor nas missas. Não deu outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Espera um minuto que eu já vou dar um jeito nesse Exu! – disse o herói da nossa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, Correria já estava quase me deixando no destino da corrida e teve então que resumir a história. O pastor voltou com uma bíblia na mão e uma idéia fixa na cabeça; no caso, na cabeça do Exu. Diante do bicho, o pastor dizia que aquele corpo não lhe pertencia enquanto dava umas bordoadas com a bíblia na cabeça da mulher. Carlos Correria acompanhava tudo de longe. E o Exu, por sua vez, não teve escolha: foi ciscar em outro terreiro. No fim de tudo, depois de uns quarenta minutos, Carlos Correria ainda levou o Exu em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pra Exu é bandeira dois! – disse nosso amigo pra mulher que não achou muita graça. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6876876202774678944?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6876876202774678944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6876876202774678944' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6876876202774678944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6876876202774678944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/12/carlos-correria-e-o-exu.html' title='Carlos Correria e o Exu'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2682605066057879585</id><published>2011-12-12T07:17:00.002-02:00</published><updated>2011-12-12T07:22:34.030-02:00</updated><title type='text'>Um milhão de amigos secretos</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-46VyiMHYd0w/TuXHsZB0KMI/AAAAAAAACNM/7ORKKGM_1-o/s1600/um-milhao-de-amigos.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 316px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5685169670071789762" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-46VyiMHYd0w/TuXHsZB0KMI/AAAAAAAACNM/7ORKKGM_1-o/s400/um-milhao-de-amigos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Até esta data, dia 8 de dezembro, consegui fugir de todas as celebrações de amigo secreto para as quais fui convidado. Duas coisas que eu fujo na vida, aliás: amigo secreto e sarau literário. Francamente, acho que amigo secreto é um negócio que já está errado desde o nome; geralmente os inimigos é que são secretos. Chega dezembro e todo mundo já fica querendo organizar um amigo secreto no final de semana. E o pior é que consegue. Seja na escola, na família ou até mesmo na empresa, lugar em que ninguém nem vai com a cara de ninguém, haverá sempre alguém te esperando com um embrulho na mão e um sorriso no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes eu acho que dezembro é o mês em que a humanidade, de maneira geral, desenvolveu as suas piores ideias. Por exemplo, fazer uma camisa azul para o goleiro do Figueirense, como foi divulgado na semana passada. Ou então levar o filho, três sobrinhos e mais dois amiguinhos do colégio pra tirar uma série de fotos com o Papai Noel no Shopping Iguatemi, como fez a Rosette Rosa, minha tia. Que ideia de jerico é essa? Deve ser o cansaço de fim de ano misturado com a falta do que fazer. Dezembro, como disse uma amiga, é o inferno astral do menino Jesus. Em boa coisa não pode dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo da celebração do amigo secreto pode ser dividido em duas partes. Na primeira, você pega o nome de seu amigo na sacolinha e não pode dizer pra ninguém, mas sempre acaba dizendo; na segunda, como se sabe, é quando chega a hora da revelação. Nesse momento, você tem que descrever as características físicas e/ou psicológicas de seu amigo, que vai deixando de ser secreto, enquanto as pessoas tentam adivinhar. Uma coisa legal dessa parte é que sempre tem alguém indiscreto – na minha família pelo menos é assim – que vai dizer umas coisas, conscientemente ou não, que o outro não vai gostar. O discurso costuma começar assim: “Quando eu conheci o meu amigo, não fui muito com a cara dele...”. Daí começa a lavação de roupa suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa é que nos amigos secretos todo mundo sempre acha que deu um presente muito legal e ganhou um presente horrível, equação que no fim das contas não deixa de ser um paradoxo interessante. Se todo mundo dá um presente bom, como alguém pode receber um presente ruim? Pelo que tenho observado, os presentes mais recorrentes são: 1) camisa gola polo preta; 2) sandália havaiana; 3) vale CD das Livrarias Catarinense; 4) anjinho bibelô do R$1,99; 5) meia soquete; e 6) Cacau Show – que, como se sabe, não é um best-seller do Cacau Menezes, e sim um chocolate melhorzinho. Fui falar tudo isso pro meu primo, justificando minha decisão de não participar do amigo secreto da família nesse ano, e ele veio com o papo de que “amigo secreto com a família é legal mais pra fazer um guéri guéri com a vó”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primo, que pediu pra não ser identificado, participa de todos os amigos secretos que pode. E organiza alguns deles, inclusive. Só nesse fim de ano, segundo me disse, foram seis participações. Perguntei como ele pode ter criatividade e principalmente paciência pra comprar tanto presente e ele disse que desenvolveu o método “Passa ou Repassa”. No que consiste o método do meu primo? Consiste em presentear o amigo secreto de amanhã com o presente que ganhou hoje. “O melhor do presente repassado”, diz ele, “é a sensação que a gente sente quando dá”. De algum modo, com seu método, acredito que meu primo captou a própria essência do amigo secreto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2682605066057879585?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2682605066057879585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2682605066057879585' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2682605066057879585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2682605066057879585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/12/um-milhao-de-amigos-secretos.html' title='Um milhão de amigos secretos'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-46VyiMHYd0w/TuXHsZB0KMI/AAAAAAAACNM/7ORKKGM_1-o/s72-c/um-milhao-de-amigos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4762348718329752301</id><published>2011-12-05T10:21:00.003-02:00</published><updated>2011-12-05T10:27:49.036-02:00</updated><title type='text'>Rosette Rosa palpita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-WNxKs4UzlYg/Tty34wfxSpI/AAAAAAAACM0/GC3jX0Pdsgo/s1600/chuteira_de_salto.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 400px; height: 274px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-WNxKs4UzlYg/Tty34wfxSpI/AAAAAAAACM0/GC3jX0Pdsgo/s400/chuteira_de_salto.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5682619015553436306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosette Rosa, minha tia que é fanática por futebol, como eu já disse em outras oportunidades, passou a semana excitada devido à última rodada do Brasileirão – que ela chama de Dilmão 2011 – e, por isso, um dia antes de começar as decisões, ela me telefonou de seu Infinity-Pré pra oferecer palpites sobre qual equipe será a campeã nacional, qual fica no g-5, zona conhecida também como a boquinha da garrafa da tabela, e qual equipe finalmente abraça o Capeta, além daquelas que já lhe são íntimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosette sempre foi boa de palpite, dentre outras coisas – quando eu ainda era um menino, por exemplo, ela dizia que meu destino seria vestir a camisa 8 do Avaí, coisa que ela errou por muito pouco – mas dessa vez, em uma rodada com tantos clássicos, decisões e vice-versa, a única certeza da minha tia é que o Avaí acaba na lanterna, embora o Avaí seja o seu time de coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas como eu posso acreditar em um time que tem Júnior Urso, Rafael Coelho e Mauro Ovelha? Isso não é um time de futebol, é um jardim zoológico! – diz minha tia, meio indignada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando a conversa não gira em torno do Avaí, Rosette sabe analisar o futebol com a frieza e a parcimônia que o assunto requer. O futebol, segundo ela, contradizendo o adágio popular, não é uma caixinha de surpresas, e sim de tristezas; quando muito, uma caixinha de cervejas. O que ela quer dizer com isso? Quer dizer que, apesar de a gente insistir em acreditar no contrário, sempre dá o óbvio. Sim, além de entender de futebol, minha tia também “bebe como um homem”, segundo suas próprias palavras. Nas festas de família, por exemplo, já teve muito primo meu que não fazia mais o 4 enquanto ela ainda estava fazendo o 8.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o Vasco – time para o qual eu torço, aliás – será vice outra vez. E contra o Flamengo. É sina. E mesmo vencendo. Mesmo que seja também o grande jogo do Dilmão 2011. Isso porque o Corinthians, como aconteceu nos últimos 38 jogos, de acordo com o palpite e a análise de Rosette, vai vencer com um gol de cabeça de Liedson em posição duvidosa após o cruzamento de algum jogador que entrará aos 25 do segundo tempo. O Flamengo, por sua vez, mesmo perdendo, se classifica para a Taça Libertadores. Em outras palavras, explica a Rosette, o Vasco é freguês do Flamengo até quando ganha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Figueirense, segundo a minha tia, é outro que vai dançar, ao lado do Internacional. Depois de um belo 0 a 0 contra o Avaí na Ressacada, resultado que a torcida avaiana irá comemorar como se tivesse em um show do Luan Santana, o Furacão do Estreito deve perder a vaga da Libertadores para o Coritiba, que por sua vez não tomará conhecimento do moribundo Atlético-PR e vencerá fácil por 3 tentos a 0. Inclusive a própria Rosette, que nas últimas rodadas tem se dedicado exclusivamente a secar o rival, sempre com êxito, já havia comprado seu ingresso. Em Porto Alegre, em um jogo que minha tia tinha muitas dúvidas, a torcida é para que o treinador do Grêmio, conhecido também como Sex Hot, se despeça do Grêmio com uma vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Adoro homens com bigodes! – confessa Rosette.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na zona de meretrício da tabela, finalmente, os jogadores do Bahia vão jogar contra o Ceará como se estivessem deitados em uma rede tomando água de coco na praia do Bonfim; enquanto do outro lado da montanha, em Minas Gerais, Atlético-MG e Cruzeiro fazem uma espécie de reedição da Segunda Guerra Mundial. O palpite da minha tia é que Ceará ganha e se livra da série B; Cruzeiro não ganha e cai. E vamos ver se Rosette Rosa entende mesmo de futebol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4762348718329752301?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4762348718329752301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4762348718329752301' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4762348718329752301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4762348718329752301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/12/rosette-rosa-palpita.html' title='Rosette Rosa palpita'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WNxKs4UzlYg/Tty34wfxSpI/AAAAAAAACM0/GC3jX0Pdsgo/s72-c/chuteira_de_salto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-3081912948201413585</id><published>2011-11-28T13:20:00.003-02:00</published><updated>2011-11-28T13:24:58.203-02:00</updated><title type='text'>Umas verdades sobre o falso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-HkokGnZk-Yw/TtOnS4hHIWI/AAAAAAAACMo/H8-I4fAcLBc/s1600/Amizade_sem_falsidade.php_-300x219.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 300px; height: 219px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-HkokGnZk-Yw/TtOnS4hHIWI/AAAAAAAACMo/H8-I4fAcLBc/s400/Amizade_sem_falsidade.php_-300x219.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5680067497895076194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Com o tempo, passei a ter certa admiração pelas pessoas falsas. E digo isso com toda a franqueza que me resta. O sujeito falso, apesar da minha admiração, sofre uma espécie de estigma social; em detrimento da verdade, que tem como seu principal representante o sujeito sincero, a falsidade sempre foi encarada como erro e até mesmo como falta de lealdade. Desde a Grécia Antiga, no tempo em que ainda nem existia o Facebook, quando Platão expulsa o poeta da República por considerá-lo portador de um discurso sem autenticidade, a falsidade já é vista como um mal. No entanto, o poeta só deu um passeio nas redondezas, pra despistar o Platão, e depois voltou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Seja como for, é a falsidade que nos mantêm seguros; mais do que as leis, a polícia e o Estado, é a falsidade que possibilita o bom convívio social e também as vernissages com vinho branco e canapé na abertura das exposições realizadas na Fundação Cultural Badesc, por exemplo – sem dúvida, as melhores vernissages da Capital. Vernissage, aliás – que em francês significa “passar verniz” – tem tudo a ver com falsidade. Se a gente imaginar que a vida é uma grande vernissage, o que convenhamos não é nenhum absurdo, então estamos feitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito sincero, quando quer iniciar seu longo discurso a alguém, sempre inicia com a seguinte fórmula, uma palavra de ordem ao mesmo tempo arrogante e ingênua: “Agora você vai escutar umas verdades”. Nada mais falso! É uma fórmula arrogante porque só um arrogante pode considerar que possui qualquer domínio sobre a verdade; e pelos mesmos motivos é também uma fórmula ingênua. O sujeito falso, por sua vez, não tem a pretensão de dizer verdade nenhuma a ninguém. Por isso, com muito mais modéstia, ele é só sorrisos e tapinha nas costas. E entre meia dúzia de verdades e um tapinha nas costas, fico com o tapinha nas costas. Afinal, como diz o ditado, uma verdade dói; um tapinha (nas costas) não dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que não há nada melhor do que ter um desafeto falso. As aparências enganam, mas não faz mal. O desafeto falso jamais vai te importunar – seja nas próprias vernissages, através de indiretas desnecessárias, ou em longos e-mails no dia seguinte – e nem te dizer coisas desagradáveis e negativas. Até arrisco pensar que ter um desafeto falso é melhor do que ter um amigo verdadeiro. Um desafeto falso fala bem de você pela frente e mal de você pelas costas, como se sabe; um amigo verdadeiro, por outro lado, fala bem de você pelas costas e mal pela frente. O que é melhor? Como diz um amigo meu – que aliás é meio falso também – quem dá sentença pela frente é juiz ou, no máximo, psicanalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das vantagens de conviver com uma pessoa falsa, há também as vantagens de ser uma delas; mas não vamos imaginar que é algo tão simples, que acontece da noite para o dia. Nesse caso, a falsidade deve ser um exercício diário, submetido a um sistema de práticas que irá possibilitar que você alcance um estado de perfeição, como acontece com as artes maciais, por exemplo. Ninguém nasce falso, salvo engano; é uma coisa que se aprende. De fato, a pessoa que exerce a falsidade, seja jogador de futebol, artista ou concorrente ao Big Brother – embora, verdade seja dita, os artistas sempre têm uma pequena vantagem sobre os outros – costuma alcançar maior sucesso em suas atividades. Pelo menos é o que eu tenho visto na televisão.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-3081912948201413585?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/3081912948201413585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=3081912948201413585' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3081912948201413585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3081912948201413585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/11/umas-verdades-sobre-o-falso.html' title='Umas verdades sobre o falso'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HkokGnZk-Yw/TtOnS4hHIWI/AAAAAAAACMo/H8-I4fAcLBc/s72-c/Amizade_sem_falsidade.php_-300x219.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4782308097862758434</id><published>2011-11-21T12:21:00.001-02:00</published><updated>2011-11-21T12:23:04.215-02:00</updated><title type='text'>Lula e as imagens</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-S2ijn3hvcJM/TspeqjVXq5I/AAAAAAAACMc/lpulEuxcvts/s1600/85434.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-S2ijn3hvcJM/TspeqjVXq5I/AAAAAAAACMc/lpulEuxcvts/s400/85434.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5677454365386320786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após as polêmicas em torno do câncer de Lula, algumas das maiores revistas brasileiras de política, como a Época, a Carta Capital e a Veja, dedicaram suas principais reportagens ao assunto. Eu não li nenhuma delas, mas passei algum tempo analisando suas capas. Aliás, parado bem no meio da banca de revistas, eu sentia como se estivesse dentro da caverna de Platão: um mundo onde todas as imagens, e só elas, estão acessíveis. De fato, diferentes imagens de Lula aparecem nas capas. O tom das manchetes, por sua vez, varia entre e a neutralidade e a defesa do ex-presidente: “Lula, a doença e a estupidez”, “O SUS e o preconceito”, entre outros; mas são as imagens, e não as manchetes, que parecem nos dizer os maiores segredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na capa da Carta Capital, Lula aparece olhando para o alto, de perfil, esperançoso e com os olhos um pouco marejados; na Época, ele olha para frente, destemido, determinado, embora com um sinistro fundo completamente escuro; na Veja, certamente a foto mais controversa, o ex-presidente olha para baixo, com uma das mãos diante da boca, tossindo, sem ânimo, enfim: trata-se de uma foto que, em todos os seus aspectos, acentuada pelas cores cinzentas da capa, enfatiza a falta de vida. Pouco importa, nesse caso, qual imagem corresponde melhor ao estado de vida de Lula; o que as diferentes fotos parecem revelar é que, na sociedade do espetáculo, as guerras são travadas, antes de tudo, através das imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a trajetória política de Lula, de fato, poderia ser dividida em dois momentos. No primeiro, Lula acredita que a política é uma guerra de discursos; depois, passa a entender que as imagens são fundamentais. Lula levou quinze anos – três eleições – para aprender o que, afinal, parece tão óbvio: um político deve ser uma espécie de marionete de si próprio. E nisso Lula é brilhante como só os grandes artistas souberam ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, não é aleatório que o pronunciamento de Lula após o início do tratamento do câncer, sua resposta a todas as polêmicas, aconteça justamente através de duas fotografias. Na última semana, como diversos jornais estamparam também em suas capas, Lula apareceu cortando o cabelo e a barba, se antecipando assim à queda decorrente da quimioterapia. São imagens bem eloqüentes, além de perfeitamente construídas – os planos, as cores, tudo nelas é devidamente calculado – apesar de sua aparente despretensão. Se Lula aparece com o rosto ainda sujo de creme de barbear, em uma das fotografias, é porque quer criar efeito justamente de espontaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, há muita carga simbólica envolvida nelas. A barba, por exemplo, é um signo forte na imagem do ex-presidente, algo que vincula sua história ao tempo em que era sindicalista. Marisa, sua esposa, além de mostrar que Lula não está sozinho – de certo modo, ela quer representar a nós todos ali – também interpela as mulheres na medida em que aparece com o símbolo da campanha contra o câncer de mama em sua blusa. As duas fotografias nos dizem inclusive que Lula está acima da própria doença: é possível prever seus efeitos e se antecipar a ela. São imagens que transmitem força ao mesmo tempo em não abrem mão da delicadeza; se há algo de fragilidade nelas, há também confiança e sobriedade. Enfim, a divulgação dessas imagens, no interior de uma guerra de imagens, não deixa de ser uma estratégia política de quem sabe das coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4782308097862758434?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4782308097862758434/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4782308097862758434' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4782308097862758434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4782308097862758434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/11/lula-e-as-imagens.html' title='Lula e as imagens'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-S2ijn3hvcJM/TspeqjVXq5I/AAAAAAAACMc/lpulEuxcvts/s72-c/85434.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6837964452567235095</id><published>2011-11-14T11:01:00.002-02:00</published><updated>2011-11-14T11:03:56.613-02:00</updated><title type='text'>As crônicas que não fiz</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Durante a semana, um cronista escreve muitas crônicas; todas na cabeça. Quando as pessoas descobrem que você escreve, por exemplo, elas também passam a te sugerir uns temas: escreva sobre isso, sobre aquilo. Todas estas crônicas, que quase ganham existência, acabam não existindo por diversos motivos. De modo geral, e esse é o principal motivo, nenhuma delas acaba prestando. Mas não é o único. Às vezes você simplesmente não está a fim de escrever sobre determinado assunto; às vezes é um assunto bom, mas você não domina; em outras, a coisa pode se tornar muito arriscada. No meio de tantas crônicas possíveis – há semanas em que elas chegam a 10, 15 – você precisa escolher a crônica certa. É como procurar agulha no palheiro: nem sempre você encontra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nesta semana eu ainda não consegui encontrar a crônica certa, e levando em consideração que já são quase quatro da tarde, horário em que meu editor se encontra na frente do seu computador esperando um e-mail que eu já devia ter enviado duas horas atrás, resolvi compartilhar algumas crônicas que não fiz. Algumas delas já vêm de longa data; outras surgiram agora há pouco, mas não vingaram. Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Zezé di Camargo e Luciano... Martins&lt;/strong&gt;. Essa seria uma crônica de teor crítico sobre o estado da “arte” na era do espetáculo. O trocadilho com o nome do cantor Luciano e do publicitário Luciano Martins, que a imprensa catarinense insiste em chamar de artista, me pareceu excelente, mas o tom da crônica certamente ficaria pedante e pretensioso. Além do mais, falar sobre arte sempre cansa o leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Onze do Onze de Dois Mil e Onze&lt;/strong&gt;. É claro que eu fiquei muito tentado a escrever qualquer coisa sobre essa data cabalística, pois sempre dá uma boa repercussão escrever sobre os assuntos mais comentados da semana, poderia ser qualquer coisa mesmo, mas não me veio nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Rolé no Rio&lt;/strong&gt;. Sempre gostei desse título, eu me senti um verdadeiro poeta quando o título me ocorreu, mas depois encontrei 322 mil ocorrências da expressão no Google. Mesmo assim anotei a expressão na minha caderneta e fiquei aguardando aparecer uma viagem ao Rio de Janeiro, momento em que eu poderia escrever uma crônica legal sobre a Cidade Maravilhosa, mas a viagem também nunca apareceu. O que eu gosto nesse título – uma amiga me chamou a atenção sobre isso – é que a expressão “Rolé” é de origem paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Árvore Genealógica da Família Nem&lt;/strong&gt;. Crônicas sobre tabus morais e questões ilegais da sociedade contemporânea sempre são complicadas. Foi pensando nisso que logo abandonei essa crônica investigativa, em que eu iria pesquisar o grau de parentesco do traficante carioca com o excelente atacante do Figueirense – também carioca, diga-se de passagem – que se chama justamente Wellington Nem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Mais um chato no chat&lt;/strong&gt;. Levando adiante minhas pesquisas de caráter antropológico sobre o funcionamento da psicologia humana nas redes sociais, essa crônica teria como principal objetivo investigar as formas de comportamento do troll, gíria na internet que designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas, etc – ou seja, são os chatos – mas também acabei desistindo deste assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Vídeo Show de Horrores&lt;/strong&gt;. Sempre que almoço em restaurante com televisão, acabo assistindo ao Vídeo Show, na minha opinião o programa mais estúpido da TV brasileira. Sempre quis escrever uma crônica falando mal do programa, mas também não quero parecer uma pessoa ressentida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6837964452567235095?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6837964452567235095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6837964452567235095' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6837964452567235095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6837964452567235095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/11/as-cronicas-que-nao-fiz.html' title='As crônicas que não fiz'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7813380309430381628</id><published>2011-11-07T08:48:00.000-02:00</published><updated>2011-11-07T08:49:48.660-02:00</updated><title type='text'>A quarta ponte e mais maravilhas</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para DC&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quarta ponte nem está pronta ainda e já foi eleita pela Comissão de Assuntos Inconvenientes como a sétima maravilha de Florianópolis. Aliás, digo a sétima maravilha por falta de tempo e principalmente por falta de criatividade, pois certamente há mais que sete; talvez haja umas 15 ou mesmo umas 20 maravilhas nesse nosso pedacinho de terra que já foi perdido no mar, como disse Zininho uns anos atrás, mas não é mais. A quarta ponte, provavelmente a única ponte do mundo que liga um aterro a outro, vem coroar uma série incrível de grandes e pequenos monumentos destinados a nos lembrar do quanto somos, digamos assim, maravilhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRA MARAVILHA: Memorial ao Miramar. Realizado para lembrar o antigo bar e trapiche Miramar, que funcionava no tempo em que Florianópolis ainda não se chamava Nossa Senhora dos Aterros – segundo nos lembra o presidente honorário da nossa Comissão, Fábio Bruggemann – o monumento parece mais a cara de quem fez do que outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGUNDA MARAVILHA: Beira-mar continental. Criada para desafogar o trânsito do bairro Estreito, a curiosa Beira-mar continental não pôde atravessar a Marinha e por isso terá que acabar em uma sinaleira que demora cinco minutos pra abrir, ao lado de um estádio de futebol com capacidade para 20 mil pessoas. Desta maneira, o trânsito no começo do bairro será deslocado para o fim do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERCEIRA MARAVILHA: Shopping Iguatemi. Um dos mais ousados empreendimentos realizados nos últimos anos, o mencionado Shopping se destaca, no meio de tantas maravilhas, por não ter sido levantado sobre um aterro. A solução da construtora foi mais rápida, prática e eficaz: levanta a bagaça direto em cima do mangue. Após pagar indenização aos jacarés que viviam na região, segundo uma negociação cheia de mal-entendidos, o Iguatemi foi construído, por motivos que desconheço, em apenas duas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUARTA MARAVILHA: Elevado do Trevo da Seta. Mais recente empreendimento da nossa Prefeitura, conhecido carinhosamente no sul da Ilha como “Só os avaianos são felizes”, o elevado que liga os bairros Costeira do Pirajubaé e Rio Tavares foi construído especialmente para homenagear a queda do Leão da Ilha para a segunda divisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUINTA MARAVILHA: Terminal Integrado do Saco dos Limões. Construído pela prefeitura anterior, que promete se eleger outra vez e realizar novos terminais para a população carente, o terminal de ônibus do Saco dos Limões, além de ter custado quase R$ 2 milhões para os cofres públicos, é o único lugar do mundo onde ninguém jamais nunca esteve. Na verdade, o que eu disse é mentira. De uns anos pra cá, o Terminal passou a ser utilizado por um grupo de capoeiristas e por uma turma de peladeiros que organiza partidas de futebol com trave improvisada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEXTA, e última, MARAVILHA: Boitatá Incandescente. Pouco conhecido da população em geral, a escultura de 15 metros de altura e quase duas toneladas, que também parece a cara de quem fez, se encontra no campus da UFSC, bem na frente do lago. Inspirada no universo bruxólico e com uma câmera anexada na cabeça, o boitatá tinha como principal função vigiar e punir o casal de patos que morava no lago, mas parece que os patos passaram no vestibular pra Letras e agora estão fazendo sucesso como a mais nova dupla de sertanejo universitário&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7813380309430381628?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7813380309430381628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7813380309430381628' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7813380309430381628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7813380309430381628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/11/quarta-ponte-e-mais-maravilhas.html' title='A quarta ponte e mais maravilhas'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-898412124529945398</id><published>2011-10-31T11:29:00.001-02:00</published><updated>2011-10-31T11:31:25.112-02:00</updated><title type='text'>Manual prático do riso</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para DC&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Riso na internet (sem trocadilho) é uma coisa engraçada mesmo. Desde que os chats se tornaram populares, há mais de 10 anos, no tempo ainda do banco Bamerindus, a representação do riso no mundo virtual já aparecia como uma manifestação cheia de complexidade, engano e graça. De lá pra cá, como se sabe, a coisa só melhorou. Ri-se mais e com muito mais recursos; talvez com mais vontade. Deve ser um sinal, não sei, de que viver anda cada vez mais engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreende, por exemplo, que as pessoas usem maneiras tão variadas para representar o riso, essa coisa tão simples e ao mesmo tempo tão misteriosa. Você pode rir alto, baixo, gargalhar ou até fingir que riu quando, na verdade, não achou nenhuma graça; tem também o riso maroto, irônico, o riso displicente ou somente o sorriso, que é quando as pessoas quase nem mostram os dentes. É como na vida, aliás. Tem gente que, em 30 minutos de conversa em um chat, pode usar umas 10 ou 15 formas diferentes de rir; por outro lado, tem gente que usa a mesma risada durante a vida inteira. A única diferença em relação à vida é que na maioria das vezes, mesmo rindo, as pessoas estão bem sérias na frente do computador. Mas precisa rir nos dois lugares? Não é coisa de maluco, digamos assim, gargalhar sozinho no quarto? Houve um tempo em que meus pais chegaram a considerar que eu estava retardado da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A risada mais comum, de fato, é o “hahaha”, assim mesmo, com três ou quatro sílabas, no máximo. Se passar disso já é uma gargalhada considerável. E tem o “haha”, com apenas duas sílabas, que também apresenta algumas diferenças de sentido: trata-se de uma risada mais casual, um pouco menos empolgada; digamos que é quando você ri só pra dizer que riu. Acontece geralmente quando o outro faz uma piada sem muita graça. Mas pior ainda é o “hehe”, usado em ocasiões em que a piada realmente não tem graça. No entanto, o “hehe” às vezes funciona também como um riso meio malandrinho. Você pode dizer qualquer ambiguidade a uma garota e logo em seguida soltar um “hehe”, como quem diz: preste bastante atenção no que eu acabei de te falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas também que costumam escrever “risos” para rir. Ou então suas abreviaturas: “rsrsrs” ou apenas “rs”. Sempre tenho a impressão de que estas pessoas não estão rindo de verdade, mas apenas se representando como alguém que está rindo, o que é muito diferente. São aquelas pessoas que vendem caro uma risada, seguram o riso em algum lugar desconhecido; ou vai ver que não conhecem o verdadeiro prazer de uma grande gargalhada. Completamente diferentes são aquelas que riem com caixa alta: “HAHAHAHAHA”, essas, sim, pessoas exageradas e extravagantes, dá gosto de ver. Há casos em que depois de uma risada com caixa alta, a pessoa ainda comenta: “ai, morri...”. E tem também o riso histérico, provavelmente o mais deselegante, digno de quem bebe demais nas festas de formatura e depois enche o nosso saco na hora de voltar pra casa: o famoso “kkkkkkkkk”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada disso, naturalmente, é muito certo. As formas de linguagem afinal são como o time do Avaí: sempre nos surpreendem. E novas formas de riso também estão sempre aparecendo, independente se a piada é boa ou não, mesmo que a vida não seja um stand up comedy permanente. Depois, cada pessoa acaba encontrando seu modo de rir ideal, ou seja, o modo de rir que lhe representa melhor, e que nunca é igual ao modo de rir do outro, mas mesmo assim todo mundo vai se entendendo e rindo como pode. Pelo menos é nisso que a gente acredita&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-898412124529945398?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/898412124529945398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=898412124529945398' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/898412124529945398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/898412124529945398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/10/manual-pratico-do-riso.html' title='Manual prático do riso'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-609907361508045138</id><published>2011-10-24T17:55:00.002-02:00</published><updated>2011-10-24T17:57:42.239-02:00</updated><title type='text'>Querido Walser</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2cGPkRSmFKc/TqXDCQBr6QI/AAAAAAAACLo/13kQyfo_mBE/s1600/Robert_Walser_-_03.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667150149544831234" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-2cGPkRSmFKc/TqXDCQBr6QI/AAAAAAAACLo/13kQyfo_mBE/s400/Robert_Walser_-_03.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não é sempre que a gente lê um escritor que entra para a nossa lista dos cinco preferidos, sobretudo quando estão na lista os seguintes nomes: Beckett, Kafka, Dostoiévski, Machado de Assis e César Aira. Não necessariamente nessa ordem; aliás, colocar ordem nesta lista seria um completo desatino, pra não dizer uma insolência. Todo mundo deveria fazer uma lista assim, é divertido, e além do mais ajuda a organizar a nossa vida, embora também seja uma perda de tempo. Seja como for, com exceção do Aira – único desconhecido entre nós – não deixa de ser uma lista bastante óbvia. Mas não faz mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que outros escritores sempre rondaram essa lista – Flaubert, por exemplo, ou mesmo Faulkner – e em alguns momentos até participaram dela, mas logo depois o entusiasmo era reduzido ou mesmo acabava. Por exemplo, quando li O Som e a Fúria, do Faulkner, não conseguia falar de outra coisa durante vários dias, tamanho o amor, e imaginei que ele jamais sairia da minha lista; mas depois passei a ler outros de seus romances, todos bem inferiores, e a minha devoção simplesmente acabou. Um mistério. Como não vejo nenhum sentido em fazer uma lista com 10 escritores preferidos, pois isso abriria precedentes para fazer uma lista com 15 ou 20, então estes outros escritores passaram a não ocupar mais um lugar especial na minha prateleira e no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de óbvia, minha lista também não deixa de ser um pouco estranha. Além de não ter franceses e americanos, há nela um argentino e um brasileiro, além de um russo, um irlandês e um tcheco; o que prova que em qualquer lugar do mundo pode nascer uma literatura de primeira qualidade. Depois, há muita coisa em comum nos cinco escritores da minha lista. Todos são um pouco engraçados e meio alucinados, por exemplo. Na verdade, Machado não era tão alucinado assim, pelo menos é o que dizem, mas isso não faz dele alguém pior. Outra semelhança é que nenhum deles é bonito. Beckett é o melhorzinho. E todos possuem uma obra vasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que estou dizendo tudo isso? Acabo de ler uma série de livros de Robert Walser – um dos romances, Jakob von Gunten, foi publicado dia desses pela editora Cia das Letras – e agora ele vai entrar pra minha lista dos cinco preferidos, ou seja, algum daqueles terá que sair. O problema de ler um grande livro consiste no que você vai fazer depois. Em todo caso, ler é uma boa maneira de arrumar problemas. Como viver, aliás. Mas a vida não é uma escolha, e sim uma contingência. E pra falar a verdade, a vida não vem ao caso agora. Eu dizia que terminar um grande livro é muito pior do que começar. Quando você termina de ler um livro muito bom, provavelmente vai ler outro pior depois. Mas como estou tagarela hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu gostaria de dizer é que Robert Walser é tão maluco quanto os outros escritores da minha lista. Talvez um pouquinho mais. Walser passou os últimos 27 anos de sua vida morando em um manicômio, onde entrou por vontade própria. Quem entra em um manicômio por vontade própria? “Não estou aqui para escrever, mas para ser louco”, teria dito o escritor. No entanto, apesar de ter dito isso, Walser escreveu no manicômio aproximadamente mil pequenas histórias com letras tão minúsculas que os especialistas em sua obra levaram dez anos para transcrever depois. Foi lá também que o escritor morreu, como um autêntico personagem de seus livros: encontrado na neve por um grupo de crianças no Natal de 1956. Enfim, além de sua literatura, tudo isso faz de Robert Walser alguém muito estranho e muito especial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-609907361508045138?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/609907361508045138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=609907361508045138' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/609907361508045138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/609907361508045138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/10/querido-walser.html' title='Querido Walser'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2cGPkRSmFKc/TqXDCQBr6QI/AAAAAAAACLo/13kQyfo_mBE/s72-c/Robert_Walser_-_03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2838058368465283867</id><published>2011-10-17T09:30:00.001-02:00</published><updated>2011-10-17T09:31:37.277-02:00</updated><title type='text'>O preço que se paga</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, as casas de tolerância do Centro da Capital estão quase todas virando baladas. No total, se não estou enganado, eram quatro zonas que agora são diferentes inferninhos da moçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro foi o Blues Velvet, há uns cinco anos. Aliás, no Blues, a passagem aconteceu em duas etapas. No começo, havia uma porta que subia pro bar e outra, bem do lado, pra zona. As duas portas eram – e ainda são – idênticas, mas a verdade é que elas davam em lugares muito distintos. Como nos ensinou Dante Alighieri, há muitas maneiras de se chegar ao inferno; no caso, apenas uma parede separava um inferno do outro. E o que havia de divertido nesse tempo é que muita gente bêbada e desavisada – geralmente as duas coisas – entrava na porta errada. Você percebia o mal-entendido só pelo franzir de testas. Depois acho que o Blues fez mais sucesso do que a zona e então a zona fechou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No 1007, que fica na cabeceira da ponte Hercílio Luz, também tive a oportunidade de presenciar uma situação assim, logo que deixou de ser zona pra se transformar em “Boite Chik”. No meio da pista, sozinho, havia um sujeito de terno preto e gravata, modelo executivo, com uma latinha de Skol na mão, esperando que as moças chegassem nele; ou seja, estava mais desatualizado do que o site da Fundação Catarinense de Cultura. Ainda fiz questão de confirmar de onde surgia aquele mal-entendido e puxei uma conversa na amizade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E aí, tá meio fraco hoje de moças, né não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira vez que o sujeito entrava no 1007 – na zona, no caso, segundo sua imaginação – mas vários amigos dele haviam oferecido boas indicações do lugar. Pelo que lembro, ele veio de Chapecó para um congresso sobre desenvolvimento sustentável, uma coisa assim, e estava em busca de prazer e vida fácil nas horas vagas. Seja como for, tratava-se de um tipo que se passaria por alguém comum em qualquer lugar – na Fenaostra, por exemplo – mas era exótico vê-lo perdido naquele ambiente cheio de gente da Geração Rivotril. De resto, a Skol – uma latinha por apenas R$ 5 – deve ter lhe parecido bem barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por esses anos, também aconteciam umas festas na Phoenix, que fica no outro lado do Centro, casa de tolerância que se tornou conhecida por realizar um churrasco muito bom todas as quintas-feiras; portanto, mulheres: se seus respectivos maridos voltarem pra casa cheirando a churrasco, não se enganem. A diferença é que a Phoenix nunca deixou de ser uma casa de espetáculos artísticos, seja com o churrasco das quintas ou com as festas de sábado, e o mal-entendido ali era de outra natureza, mas fiquemos por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, ainda, para confirmar a tendência, apareceram outros dois lugares de balada onde também o whisky já foi mais caro em um passado recente: o 98, agora um bar de rock na Prainha, e o Barbarella Lounge Bar, antiga Wisqueria Virgilius. A vida noturna da cidade ganha mais duas boas opções; mas e as moças sem família, pra onde vão? Onde encontrá-las? Será que ninguém mais se preocupa com elas? As pessoas estariam menos interessadas em seus serviços? Ou será que agora as casas de tolerância estão em todos os lugares, digamos assim, e a gente nem se dá conta disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, os mais pessimistas acreditam que a profissão mais antiga do mundo está prestes a chegar ao fim, pelo menos na Ilha da Magia, mas os mais otimistas, como todos os otimistas, preferem sempre acreditar no melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2838058368465283867?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2838058368465283867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2838058368465283867' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2838058368465283867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2838058368465283867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/10/o-preco-que-se-paga.html' title='O preço que se paga'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2898883377122814237</id><published>2011-10-10T07:19:00.000-03:00</published><updated>2011-10-10T07:20:46.368-03:00</updated><title type='text'>Rosette Rosa e o iPad</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não sabia que Steve Jobs era assim tão querido por todos. Tenho uma amiga, por exemplo, que chorou com a sua morte. Confesso até que seu nome não me dizia muita coisa antes de quarta-feira, dia em que Jobs empacotou com um câncer no pâncreas. Aliás, como é que um cara com tanta grana pode morrer assim? Ou melhor, como é que um cara com tanta grana assim pode morrer? Na verdade, quando me disseram que o Jobs morreu, no boteco, eu logo pensei que tinha sido aquele meia-atacante de futebol que jogou no Bahia e no Botafogo, o Jóbson, que foi pego no antidoping dia destes por uso de alucinógenos e está sempre metido em confusão. Daí eu disse que ele era realmente muito novo pra morrer e o pessoal no boteco todo concordou. Joga muita bola o Jóbson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha tia, a Rosette Rosa, também estava no boteco comigo. Ela, que não liga muito pra computadores e se nega a ouvir música em formato mp3 – pois aprecia mesmo é um jantar dançante no forró do Trintão – é outra que nunca tinha ouvido falar do sujeito. Informática, para a tia Rosette, só tem serventia quando ela quer arrumar namorados na internet. O computador dela, como ela mesmo diz, é mais velho do que a Aracy de Almeida dando piti no show de calouros do Silvio Santos. Quero dizer com isso que a Rosette, quando chegou em casa e viu tantos noticiários falando do fundador da Apple, não entendeu muito bem a comoção com a morte de um absoluto desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se já foi assim com o Steve sei lá das quantas, como vai ser quando morrer o rei Roberto Carlos? – pergunta ela, que me ligou no celular no outro dia para comentar o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu digo pra tia que não é bem assim, que já foram vendidos 300 milhões de iPods no mundo, que Steve Jobs mudou a relação entre arte e tecnologia, e ela responde que, se for por isso, o rei Roberto já gravou 12 milhões de discos, vendeu 150 milhões de cópias, cantou 5 milhões de vezes na Rede Globo e fez 30 milhões de filhos; isso ainda sendo feio, com voz de taquara rachada e com aquele corte de cabelo que dispensa comentários. Tudo isso foi ela que me disse. E quem sou eu diante dos argumentos de minha tia? Rosette Rosa é uma verdadeira sofista, além de adorar os números, e por isso dificilmente perde uma discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Rosette, na verdade, muita gente é mais importante do que Steve Jobs. Rosete acha que deveríamos dar mais atenção para verdadeiras personalidades nacionais como Benito di Paula e Odair José, seus dois cantores favoritos, que não venderam tantos discos como o rei Roberto e nem possuem tanta grana como Jobs, mas fazem parte da sua história de vida como ninguém mais. A tia Rosette, que a estas alturas já estava se contradizendo toda, não parava de falar. E depois de meia hora de conversa, ela sempre dá um jeito de colocar os maridos que já teve – e ela teve muitos – no meio da discussão; seja a discussão sobre quem será o campeão brasileiro desse ano ou sobre a crise monetária internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha tia, que nunca fez questão de cozinhar pra marido malandro, considera comida congelada, pipoca de microondas e macarrão miojo, principalmente o miojo de camarão, invenções muito mais úteis do que iPhones, iPods e iPad. Ela diz que vive muito bem sem um tablet, mas não concebe a própria vida, por exemplo, sem o sutiã. De resto, Rosette já está chegando aos cinquenta anos, é uma mulher de outra geração e suas opiniões refletem outro tempo, embora ela não diga sua idade pra ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2898883377122814237?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2898883377122814237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2898883377122814237' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2898883377122814237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2898883377122814237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/10/rosette-rosa-e-o-ipad.html' title='Rosette Rosa e o iPad'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7968682266090482313</id><published>2011-10-03T08:45:00.001-03:00</published><updated>2011-10-03T08:51:16.232-03:00</updated><title type='text'>Travessa Ratcliff</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;.&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TiyjblQUDGo/Tomhgr_6UxI/AAAAAAAACLA/xggsaBBnBVE/s1600/DSC00173.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659231989706412818" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-TiyjblQUDGo/Tomhgr_6UxI/AAAAAAAACLA/xggsaBBnBVE/s400/DSC00173.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Travessa Ratcliff, uma ruazinha de uns 50 metros localizada no centro velho de Florianópolis, com chão de lajota dos tempos antigos, por onde não é permitido passar carros – só gente – é o lugar mais bem frequentado da cidade. Digo isso, aliás, pra não dizer outra coisa. Pois ali você pode encontrar de tudo: bêbados jogando xadrez na chuva, dois senhores de uns 70 anos dançando samba durante a tarde inteira, estudantes lésbicas com uniforme do colégio, um garçom australiano que só aprendeu três expressões em português – “cerveja gelada”, “seis reais” e “obrigado” – dentre outras coisas que é melhor nem falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, na Travessa não tem revendedora da TIM, sertanejo universitário, suco de laranja e nem Igreja Evangélica, estas instituições tão fortes e tão disseminadas por todo o Centro da capital; e sim três bares muito simples e simpáticos, além do cineclube da Cinemateca e de um instituto de direitos humanos, o Arco Íris – instituto, aliás, que é o principal responsável pelo apelido carinhoso que a Travessa recebeu nos últimos anos: Traveca Ratcliff. É um destes raros lugares em que você senta com os amigos no final de tarde, bebe até a meia-noite, quando tudo fecha, divide a conta entre cinco pessoas e descobre que terá que desembolsar uma ninharia. Então você se nega a pagar tão pouco e pede mais umas tantas saideiras. O dono do bar geralmente vai entender o drama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De terça a quinta não tem música na Travessa, mas não faz mal; o sujeito pode aparecer lá pra comer uma pizza no bar do Gustavo, que conta com o garçom mais boa praça da paróquia, o Sandrão. Ele sabe vários poemas de memória e também dá conselhos amorosos. Na segunda e na sexta, de preferência sem chuva, tem música sempre a partir das oito da noite. É a solução mais rápida e fácil pra ver a Simara, do grupo Torresmo à Milanesa, tocando cavaquinho e cantando Adoniran Barbosa. No sábado o samba é de tarde. A partir das 12h, no Canto do Noel, é servida uma feijoada de primeira qualidade por um preço muito do camarada, e logo depois o melhor grupo de samba da cidade, o Bom Partido, toca até o povo cansar. O problema é que o povo não cansa nunca. Então eles têm que encerrar o samba mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem não gosta de samba é bom sujeito igual. Lá você vê gente vestida de preto bater papo com malandro de chapéu. A Travessa não é uma fronteira que separa rico e pobre, negro e branco, novo e velho. Já vi muita tiazinha dançando colado com estudante de história da UFSC, e vice-versa. Depois, no Australian Pub, bem do lado do Canto do Noel, só toca rock. Da última vez, o Bayla – vulgo Eduardo Rios – tocou violão, teclado, percussão e ainda cantou clássicos do A-ha, sua especialidade, tudo ao mesmo tempo. Nos dias de sábado, por exemplo, acaba o samba e já começa o rock. Tem gente que chega meio-dia e fica direto, só vai embora à noite, quase sempre pra lá de Bagdá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Travessa Ratcliff é um lugar tão legal que a nossa prefeitura dedicou a ela uma câmera de vigilância especial: durante 24 horas, tudo que acontece ali é registrado. Antes, a prefeitura quis – e havia conseguido – mudar o nome da travessa para Osmar Regueira, antigo proprietário do hotel Royal. Não deixa de ser curiosa a antipatia da prefeitura com o nome de Ratcliff que, ironia ou não, era um padre de origem alemã que se tornou conhecido, no início do século 19, como agitador republicano. No ano passado, depois de muita reclamação, a partir de um projeto de lei encaminhado pela vereadora Ângela Albino, o nome da Travessa voltou a ser Ratcliff.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7968682266090482313?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7968682266090482313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7968682266090482313' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7968682266090482313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7968682266090482313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/10/travessa-ratcliff.html' title='Travessa Ratcliff'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-TiyjblQUDGo/Tomhgr_6UxI/AAAAAAAACLA/xggsaBBnBVE/s72-c/DSC00173.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-113994929967534128</id><published>2011-09-26T12:02:00.001-03:00</published><updated>2011-09-26T12:05:03.544-03:00</updated><title type='text'>Isto não é um assalto</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Fui assaltado. Já faz mais de um mês e agora posso analisar os fatos com a frieza de um gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinha sido assaltado antes. Francamente, não é uma experiência tão ruim como apregoam por aí. A primeira sensação – caso você permaneça vivo, como foi o meu caso – é de triunfo. Quase de heroísmo. Você se sente como se fizesse parte do todo, do tecido social. Como se tivesse participado de algo realmente importante. Você se modifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, é difícil descrever todas as sensações com precisão. Quando o sujeito quase me enforcou por trás e ameaçou me esfaquear, no começo de tudo, pensei que se tratava de alguma espécie de brincadeira. Quando eu era criança, meus amigos faziam brincadeiras desse tipo. Por exemplo, tapar os olhos da pessoa e perguntar quem é. Mas isso só faria algum sentido caso eu não estivesse caminhando por um bairro pobre da Argentina, ou seja, a uma distância de mais ou menos 1.500km do lugar onde se encontra a grande maioria dos meus amigos. E eu nem tenho tantos assim. Mas isso também não importa. O que importa é que ser assaltado, por um segundo, alterou meu estado de consciência: eu esqueci quem era, onde estava e o que fazia ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra dar uma ideia da minha vertigem, eu não percebi que um dos sujeitos que me assaltou – eram dois, o segundo chegou depois – estava de capacete. Fiquei de frente com ele durante muito tempo, olho no olho, e não fui capaz de perceber esse detalhe. Aliás, eu também não faço a menor ideia do tempo que durou toda a cena. Pode ter sido trinta segundos ou cinco minutos. De fato, é como se não houvesse mais o tempo, esta coisa fugaz que ordena os nossos hábitos. Como se o tempo se suspendesse no vazio. E tudo isso é realmente muito interessante. A moça que estava comigo – e que foi muito mais corajosa do que eu, pois ela deu um sopapo em um dos caras, por exemplo – é que me falou depois sobre a história do capacete. Ninguém roubou nada dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, quando você percebe que está sendo assaltado realmente – tem assaltantes que, pra facilitar a nossa vida, e isso é ótimo, anunciam o assalto – aí a coisa muda de figura. Não sejam bobos de bancar o herói nesse momento. Deixe pra bancar o herói na mesa de bar, bem depois, quando for contar a experiência aos amigos, às mulheres e talvez até mesmo à polícia. Embora eu ache que para a polícia ninguém precisa bancar o herói. Mas enfim. Nessa hora, como eu dizia – ou seja, no momento em que você descobre que está sendo assaltado realmente – o melhor a fazer é bancar o sujeito boa praça. Conheci gente que se complicou feio por causa de trinta reais. Em outras palavras, o melhor a fazer é curtir o momento sem se exceder muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os assaltantes foram embora com a minha carteira – tinha uma verdadeira bagatela lá, além de um CPF quebrado e duas passagens de metrô – eu pude pensar em paz sobre a situação. Então senti um pouco de pena e um pouco de raiva ao mesmo tempo. Senti pena porque não queria estar no lugar deles. Deve ser muito desagradável roubar. Mais do que ser roubado, certamente. Os dois estavam mais nervosos do que eu – isso eu percebi bem – e todos nós estávamos mais nervosos do que a moça que estava comigo, a pessoa mais tranquila de todas. Além do mais, não havia quase nada na minha carteira. A verdade é que nem mesmo a própria carteira se encontrava em condições reais de uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiva, por sua vez, eu senti por motivos óbvios. Senti pena porque não queria estar no lugar deles, como disse. E raiva porque não queria estar no meu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-113994929967534128?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/113994929967534128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=113994929967534128' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/113994929967534128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/113994929967534128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/09/isto-nao-e-um-assalto.html' title='Isto não é um assalto'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5406158629528646332</id><published>2011-09-19T10:34:00.002-03:00</published><updated>2011-09-19T10:37:23.782-03:00</updated><title type='text'>Preto no branco</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jekjBQO90Ns/TndFdd8sEBI/AAAAAAAACK4/aXji9k3XH_g/s1600/size_590_caixa-machado-de-assis.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654064229744644114" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-jekjBQO90Ns/TndFdd8sEBI/AAAAAAAACK4/aXji9k3XH_g/s400/size_590_caixa-machado-de-assis.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um vídeo comemorativo dos 150 anos da Caixa Econômica Federal, lançado oficialmente na semana passada, cometeu uma das gafes federais mais estúpidas dos últimos 150 anos. A propaganda mostra o escritor Machado de Assis, que de fato foi cliente da Caixa durante muitos anos, indo fazer o último depósito em sua conta, justamente no banco fundado pelo imperador Dom Pedro II. “Vim fazer o que faço todos os meses, um depósito na poupança”, diz o Bruxo do Cosme Velho a um bancário que lhe chama de doutor. O vídeo seria muito simpático se Machado, que era mulato, como todo mundo sabe, não aparecesse representado como se fosse branco, quase um escandinavo. Mais branco do que pena de avestruz, como disse um amigo meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não só Machado de Assis aparece como se fosse branco no vídeo; e sim toda a sociedade carioca do começo do século 20. Que espécie de Rio de Janeiro é este em que não há negros e mulatos andando pela rua? Um encontro do mIRC no Shopping Leblon? De fato, em 61 segundos de vídeo, além da Glória Pires dizendo que pensar no futuro é algo muito importante – pensar no passado, pelo jeito, não é muito – aparecem mais ou menos uns 50 figurantes no comercial; todos brancos. Todos. Eu contei. Preconceito racial? É óbvio que sim. De um publicitário? de todos nós? do Brasil? Vai saber. A questão é que talvez ainda seja difícil para as nossas elites entenderem uma coisa: o maior escritor de lingua portuguesa foi um afro-descendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis não era filho de escravos, mas de agregados. Seu pai, Francisco José de Assis, era um negro que pintava paredes; sua mãe, Maria Leopoldina, era uma portuguesa – branca, pobre – nascida em uma ilha dos Açores. Mesmo sem ter grandes oportunidades de formação – mal estudou em escolas públicas e jamais frequentou universidades – Machado tornou-se reconhecido, mas a duras penas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com menos de 20 anos de idade, já publicava poemas e crônicas em jornais. Mesmo depois de ter escrito romances como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, Machado não era consenso entre os leitores. Silvio Romero, um dos principais críticos da literatura brasileira no século 19, fazia restrições a sua literatura, por exemplo, mas a história foi capaz de provar que estava errado. De fato, se ainda hoje temos dificuldades para entender que o escritor mais importante do país era mulato, quem dirá os formadores de opinião de uma sociedade escravocrata? E agora vem uma instituição federal dizer que Machado de Assis e Caco Antibes são a mesma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os erros históricos do vídeo da Caixa Econômica – e erro histórico, no caso, pode servir também como eufemismo de preconceito racial – não acabam nisso. Em 1908, já à beira da morte, Machado de Assis não estava tão saudável e feliz como o vídeo mostra. Depois, Machado era gago. O que nos faz concluir que preconceito, estupidez e burrice, que não são exatamente a mesma coisa, andam juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justificava da Caixa, divulgada na última sexta-feira através de sua assessoria de imprensa, é como se fosse um daqueles recados escritos pelo próprio Brás Cubas, de tão cínica, uma boa peça tupiniquim. O texto diz que "o banco sempre se notabilizou pela sua atuação pautada nos princípios da responsabilidade social e pelo respeito à diversidade”; e depois: “a Caixa sempre busca retratar em suas peças publicitárias toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país." Faltou dizer, enfim, que agora está tudo preto no branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5406158629528646332?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5406158629528646332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5406158629528646332' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5406158629528646332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5406158629528646332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/09/preto-no-branco.html' title='Preto no branco'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-jekjBQO90Ns/TndFdd8sEBI/AAAAAAAACK4/aXji9k3XH_g/s72-c/size_590_caixa-machado-de-assis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-3498975270805982832</id><published>2011-09-13T15:17:00.008-03:00</published><updated>2011-09-13T15:24:33.405-03:00</updated><title type='text'>[..........]</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-36BuvZguZpQ/Tm-fahUsHJI/AAAAAAAACKw/nRP45v1XZQE/s1600/WalserRobertr_muerto.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 269px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651911335343824018" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-36BuvZguZpQ/Tm-fahUsHJI/AAAAAAAACKw/nRP45v1XZQE/s400/WalserRobertr_muerto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Tqdu7IqPb6Q/Tm-fWe5UhJI/AAAAAAAACKo/zOgX7XOjC5U/s1600/walser1.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 160px; HEIGHT: 212px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651911265972683922" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Tqdu7IqPb6Q/Tm-fWe5UhJI/AAAAAAAACKo/zOgX7XOjC5U/s400/walser1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AkmQ_L6XGL8/Tm-fS5kwD_I/AAAAAAAACKg/_3x2ZVo6Mk4/s1600/walser_dans_la_neige.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 268px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651911204414689266" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-AkmQ_L6XGL8/Tm-fS5kwD_I/AAAAAAAACKg/_3x2ZVo6Mk4/s400/walser_dans_la_neige.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ObM2bn3s0nM/Tm-fN05-6qI/AAAAAAAACKY/W6YFKhQa5CA/s1600/walser.png"&gt;&lt;img style="WIDTH: 364px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651911117262219938" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-ObM2bn3s0nM/Tm-fN05-6qI/AAAAAAAACKY/W6YFKhQa5CA/s400/walser.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-2wC9WBaWc9g/Tm-fJBk_AAI/AAAAAAAACKQ/8cbkDxxEhoI/s1600/walser.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 303px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651911034764460034" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-2wC9WBaWc9g/Tm-fJBk_AAI/AAAAAAAACKQ/8cbkDxxEhoI/s400/walser.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-3LgD9-AaedU/Tm-fEByZ5WI/AAAAAAAACKI/2dx9kPeGNDM/s1600/robert_walser.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 269px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651910948921402722" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-3LgD9-AaedU/Tm-fEByZ5WI/AAAAAAAACKI/2dx9kPeGNDM/s400/robert_walser.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xZNjmSKgZJA/Tm-e_GQ_K8I/AAAAAAAACKA/1v-rndYl8xE/s1600/15_-_huellas_nieve.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 214px; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651910864224070594" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-xZNjmSKgZJA/Tm-e_GQ_K8I/AAAAAAAACKA/1v-rndYl8xE/s400/15_-_huellas_nieve.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-3498975270805982832?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/3498975270805982832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=3498975270805982832' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3498975270805982832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3498975270805982832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/09/bloom.html' title='[..........]'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-36BuvZguZpQ/Tm-fahUsHJI/AAAAAAAACKw/nRP45v1XZQE/s72-c/WalserRobertr_muerto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5478691702587086046</id><published>2011-09-12T12:32:00.001-03:00</published><updated>2011-09-12T12:35:07.180-03:00</updated><title type='text'>Vou-me embora pra Somália</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Somália&lt;br /&gt;Lá não tem rei&lt;br /&gt;Terei a vida que quero&lt;br /&gt;Com liberdade, exagero&lt;br /&gt;Vida sem regra e sem lei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Somália não tem síndico&lt;br /&gt;Não terei chateação&lt;br /&gt;Vou fazer festa até tarde&lt;br /&gt;Ler os livros que eu não li&lt;br /&gt;Viver sem qualquer alarde&lt;br /&gt;Terei tempo pra dormir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há corrupção na Somália&lt;br /&gt;Não sei o nome de ninguém&lt;br /&gt;Não ficarei sabendo nada&lt;br /&gt;Notícia ruim lá não chega&lt;br /&gt;Nem televisão tem&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Somália&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somália é terra de ninguém&lt;br /&gt;Não sei o nome do prefeito&lt;br /&gt;Na Somália nem tem prefeito&lt;br /&gt;Nem eleição pra presidente&lt;br /&gt;Nem lei de incentivo à cultura&lt;br /&gt;Meu Deus, tudo lá é perfeito!&lt;br /&gt;No fim do mês não vem fatura&lt;br /&gt;Da conta de água e de luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá não tem futebol&lt;br /&gt;O Avaí será campeão&lt;br /&gt;Do torneio nacional&lt;br /&gt;Ponto corrido ou não&lt;br /&gt;O nosso leão da ilha&lt;br /&gt;Não estaria na lanterna&lt;br /&gt;Se jogasse na Somália&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Somália&lt;br /&gt;Não terei qualquer emprego&lt;br /&gt;Nem lenço, nem endereço&lt;br /&gt;Poderei acordar tarde&lt;br /&gt;De segunda a segunda&lt;br /&gt;Exercitar o desapego&lt;br /&gt;Tirar férias da vida&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Somália&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falo a língua somali&lt;br /&gt;E lá ninguém sabe a minha&lt;br /&gt;Não conheço ninguém lá&lt;br /&gt;Não terei vizinhos, amigos&lt;br /&gt;Viverei como mendigo&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Somália&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como andarei descalço&lt;br /&gt;Na terra suja da Somália&lt;br /&gt;Vou me perder no deserto&lt;br /&gt;Tomarei banhos de mar&lt;br /&gt;Ou no rio que ficar mais perto&lt;br /&gt;No mar do Oceano Índico&lt;br /&gt;Meu destino já está certo&lt;br /&gt;Tudo é lindo na Somália&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mala já está pronta&lt;br /&gt;Duas mudas de roupa&lt;br /&gt;Três carteiras de cigarros&lt;br /&gt;Um baralho completo&lt;br /&gt;Para os dias de tédio&lt;br /&gt;E o São Benedito de barro&lt;br /&gt;Para os dias de aperto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Somália&lt;br /&gt;Enquanto este frio não passa&lt;br /&gt;Enquanto a maré não baixa&lt;br /&gt;Fujo de casa amanhã mesmo&lt;br /&gt;Determinado e sem medo&lt;br /&gt;De avião ou de barca&lt;br /&gt;E deixo um recado aos amigos&lt;br /&gt;“Eu vou e não volto cedo”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5478691702587086046?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5478691702587086046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5478691702587086046' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5478691702587086046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5478691702587086046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/09/vou-me-embora-pra-somalia.html' title='Vou-me embora pra Somália'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5417265079203101174</id><published>2011-09-07T13:02:00.001-03:00</published><updated>2011-09-07T13:04:40.701-03:00</updated><title type='text'>Valeu o apoio, Marquinhos!</title><content type='html'>&lt;em&gt;Tão jovem e vivaz e já pensando na imortalidade? Mas leva o meu apoio canino. Articulista do DC e companheiro nesta trincheira do Variedades, nobre Victor da Rosa empreendeu uma audaciosa campanha para se integrar às fileiras da alta câmara dos literatos catarinense, a Academia Catarinense de Letras (ACL). O momento até que é oportuno, porque o que está sobrando na casa de Cruz e Sousa são cadeiras vazias. Vai que é sua, meu jovem! &lt;/em&gt;(Marcos Espíndola, Contracapa, DC)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5417265079203101174?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5417265079203101174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5417265079203101174' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5417265079203101174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5417265079203101174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/09/valeu-o-apoio-marquinhos.html' title='Valeu o apoio, Marquinhos!'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4274566675486684369</id><published>2011-09-06T11:29:00.001-03:00</published><updated>2011-09-06T11:32:12.907-03:00</updated><title type='text'>Carta de um leitor</title><content type='html'>Prezado Victor da Rosa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Li, com sumo interesse, o texto que escreveu, com talento e arte, e que publicou no DC de hoje (Variedades, p. 3) porque tratou de uma instituição destinada a um efetivo engrandecimento das Letras no Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua intenção? Corrija-me, por favor, se me equivoco: parece pretender exaltar o nada da ínclita ACL. Hesito porque você não revelou conhecer a obra de JORGE, Fernando, A ACADEMIA DO FARDÃO E DA CONFUSÃO: A Academia Brasileira de Letras e os seus "imortais" mortais. Se me equivoco, peço desculpas e torço que você tenha êxito no seu pleito e leve a ACL ao conhecimento dos artistas do Brasil ou, melhor, do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Ainda que não o conheça pessoalmente, permita-me fazer-lhe consulta. Tenho um currículo literário, que ouso enviar-lhe em anexo e que soma cerca de quatro mil páginas publicadas (Prêmio Jabuti, prêmio catarinense), sobretudo na área das Letras (literatura, língua e teoria literária), sobretudo do Estado de SC. Mas temo candidatar-me à ACL porque:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Outrora, revelando a intenção de candidatar-me a uma cadeira, sugeri-me que, na seleção, pesassem mais o número, a qualidade e a área das obras do que eventuais amizades pessoais. Um Acadêmico, profundamente ferido em sua imortalidade, escreveu a todos os Acadêmicos: "O F. ainda não passou pelo PROSSESSO SUSSESSÓRIO e já sugere alterações no SISTEMA PESSOAL VIGENTE". E quase todos aderiram ao princípio dele. Não cito o nome porque o Imortal já morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) Estranho que nem SALIM MIGUEL nem ALCIDES BUSS engrandeçam a ACL. Decepcionou-me uma afirmação de ilustre Acadêmica da ACL: "Pertenço a um CEB, cemitério de elefantes brancos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Não acredito nas denúncias de FERNANDO JORGE, porque eventuais semelhanças podem ser meras coincidências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) No atual sistema, a quase totalidade dos Imortais pouco ou nada escreveu em termos de Letras stricto sensu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Diante desse quadro, agradeço antecipadamente a gentileza de corrigir-me naquilo que erro e aconselhar-me se devo inscrever-me a uma das cadeiras da ACL ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fpolis, 05/09/2011. O.F.. 9963-XXXX (à noite)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4274566675486684369?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4274566675486684369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4274566675486684369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4274566675486684369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4274566675486684369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/09/carta-de-um-leitor.html' title='Carta de um leitor'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2941124015017958610</id><published>2011-09-05T10:05:00.002-03:00</published><updated>2011-09-05T10:10:13.188-03:00</updated><title type='text'>Comunicação a uma Academia</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Nxw-WBI7s1w/TmTJ_wJNmzI/AAAAAAAACJ4/R2sid1nAo4o/s1600/einstein1-calixto.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648861929721928498" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Nxw-WBI7s1w/TmTJ_wJNmzI/AAAAAAAACJ4/R2sid1nAo4o/s400/einstein1-calixto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com júbilo e honra que ponho à apreciação de vossas senhorias o meu nome e a minha literatura, com o fim de integrar o ilustre quadro de confrades imortais da excelsa Academia Catarinense de Letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por menos merecedor que me julgue de receber tamanha honraria, reconheço a importância da ACL para as letras e a cultura catarinense, enquanto espaço salutar e privilegiado de diálogo entre luminares da arte e do pensamento do nosso Estado, que, aliás, como reconheceu o governador Raimundo Colombo, incansável defensor da alta literatura, segue padrão europeu. Venho, com isso posto, pleitear a graça de ser o menor entre os maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço-lhes para ser acolhido em vosso seio, também, por vislumbrar a possibilidade de me tornar um humilde instrumento de defesa da nova literatura catarinense, levando às novas gerações a nossa memória e atribuindo vigor e força renovadas àquilo que, mesmo assim, ainda é novo e vigoroso. Além disso, quero exaltar o nome desta casa de luz e conhecimento, bem como aqueles que a integram, escritores e intelectuais de raro prospecto e donos de obras tão firmes, como um navio que emenda o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos todos, consciente ou inconscientemente, da relevância do nosso Estado e de nossa Academia para a história da literatura nacional e, quiçá, da história mundial, literatura esta que é representada por nomes de incalculável valor e alcance, como é o caso de Cruz e Sousa e Ernani Rosas, com quem guardo, como só é capaz de testemunhar o nosso nome, distante parentesco, mas calorosa simpatia. Com a aparição de novas oportunidades, quero ser eu, portanto, caso a História possa assinar o seu aval, um dos poucos privilegiados a fazer parte deste grupo de seletos, a quem garanto minha total estima e completa dedicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, ponho a mim e a minha escritura em vossas mãos imortais, de onde saíram obras plenas de beleza, e sob o vosso desígnio; ponho em vossas mãos, e digo humildemente, a minha pesquisa incansável e reconhecida sobre o imaginário local, sobre as suas formas e materializações na cultura popular e erudita, na literatura e no folclore, do boi de mamão à poesia simbolista, ao mesmo tempo em que deposito no ilustríssimo presidente desta Academia, incansável comensal e patrono, mas também em todos os seus membros, convivas no mesmo banquete da arte literária, que não receberam tal condição do acaso, que a verdade seja dita, mas do trabalho dignificante, deposito em vossas mãos a minha confiança sem vaidade, meu trabalho sem cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia deixar de reconhecer e invocar a memória do prof. dr. Lauro Junkes, ex-presidente da ACL e ex-professor da Universidade Federal de Santa Catarina, crítico e estudioso como poucos ou nenhures, mestre maior na arte do ensino e da complacência, que me guiou pela pesquisa quando eu ainda dava os primeiros passos em meus estudos sobre as obras de Zininho e Franklin Cascaes, pois eu certamente, e disso não tenho qualquer dúvida, teria o seu apoio e seu voto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo de que vosso julgamento será acertado, independentemente de ser favorável ou não à minha ousadia nesta hora, agradeço, pleno de humildade e júbilo, a honra de dirigir a palavra à ACL. Despeço-me, pois, com cordialidade e fraternidade, renovando minha elevadíssima admiração, estima e consideração para com vossas senhorias e vossos pares imortais, dispersos nas fronteiras do Estado, porém unidos nesta Ilha de Nossa Senhora do Desterro, agora e sempre. Respeitosamente, e cheio de esperanças, subescrevo-me.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2941124015017958610?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2941124015017958610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2941124015017958610' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2941124015017958610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2941124015017958610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/09/comunicacao-uma-academia.html' title='Comunicação a uma Academia'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Nxw-WBI7s1w/TmTJ_wJNmzI/AAAAAAAACJ4/R2sid1nAo4o/s72-c/einstein1-calixto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6065340003430794079</id><published>2011-08-29T09:24:00.002-03:00</published><updated>2011-08-29T09:30:52.991-03:00</updated><title type='text'>Nem tanto o céu...</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4cQFlCuFMFc/TluGU1mZw0I/AAAAAAAACJw/GLh0HULlIVk/s1600/lars-von-trier.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 258px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646254250382705474" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-4cQFlCuFMFc/TluGU1mZw0I/AAAAAAAACJw/GLh0HULlIVk/s400/lars-von-trier.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, há quem adore o novo filme de Lars Von Trier e há quem deteste. Isso de gostar e não gostar acontece com toda peça de arte, as pessoas acham o que querem das suas vidas, tem gente que gosta de salada de rúcula, por exemplo; mas com os filmes de Lars Von Trier as discussões sempre acabam em brigas de bar, declarações fortes, expulsões de festival, estas coisas. Tem críticos de cinema que chegaram a comparar Melancolia com Stalker, de Tarkosvky; outros afirmaram que, como sempre, Lars não passa de um polemista de folhetim, cineasta de efeito. Eu, como não sou uma coisa nem outra, gostei e não gostei. Depois explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos justos, por ora: há alguma graça nesta postura meio adolescente de Lars Von Trier. Mas ser polêmico, de qualquer modo, também pode ser muito fácil; e no caso de Lars, na maioria das vezes, a polêmica é um banquete ao jornalismo de entretenimento, banquete servido em bandeja de prata. Em Cannes, como se sabe, depois de afirmar que “entende Hitler”, o cineasta foi expulso do Festival e, se não bastasse, ao invés de ir pra casa refletir sobre a vida, permaneceu na cidade vizinha dando entrevistas. Tipo a Sandy. Assim, sei lá, não vamos muito longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cartaz nos melhores cinemas do Estado, que não são muitos, Melancolia está dividido em duas partes: “Justine” e “Claire”, justamente o nome das duas irmãs meio tristes do filme; a segunda é uma moça mais otimista, digamos assim, e a outra é mais pra baixo, um pouco desajustada mesmo, igual estas meninas que vão dançar no Blues Velvet toda sexta-feira. Em Cannes, na mesma entrevista que gerou polêmica, Lars disse que Melancolia tem final feliz, diferente dos seus filmes anteriores, o que é claramente irônico. No final do filme – quem ainda não viu já deve saber – o mundo acaba. No final todo mundo morre, aliás, e é a gente que fica na pior, como me disse um amigo daqueles bem pessimistas: vivos. Ou seja, a gente percebe que, saindo do cinema, tem que pegar dois ônibus pra voltar pra casa. Em todo caso, temos a certeza de que, além do mundo, o filme também chegou ao fim, e isso é ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte de Melancolia é uma espécie de farsa, como acontece com outros filmes de Lars; e a segunda quer ser uma tragédia. Mas como fazer uma tragédia, neste caso, com o maior dos clichês hollywoodianos? Parece roteiro de gibi, afinal: um planeta chamado Melancolia resolve dar uma volta na via láctea, esbarra na terra e todo mundo morre. E eu realmente não entendi como aquele planeta foi capaz de fazer um looping, mas esta é outra história. Quer dizer: na primeira parte do filme, Lars até leva a sério a nossa desgraça, mas sabe também rir dela; na segunda, o cineasta parece querer nos ensinar algo que já estamos fartos de saber, sem que exista qualquer espaço para a nossa imaginação. Fiquei com a impressão de que esta é a face tirana de Lars Von Trier. Lars: todo mundo já sabe que a humanidade é um projeto que não deu muito certo, mas a gente vai levando. Bola pra frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas partes de Melancolia, portanto, se apresentam como dois filmes diferentes. Eu gosto do primeiro filme, que se chama “Justine” – e até me divirto, pois a noiva é realmente muito engraçada, quase uma personagem bufa – tanto quanto não vejo o menor interesse em “Claire”, o segundo. Em ambos os casos, como todos os personagens são estereótipos e por isso não se alteram – a moça triste será sempre triste, a mãe megera, o pai depravado, o cunhado rico, a irmã chata – o fim torna-se sempre previsível: a ruína do casamento e do mundo também. A diferença é que uma farsa deve ser previsível mesmo; mas uma tragédia não. Quando rever o filme, por isso, vou desligar no fim da primeira parte. Não sugiro isso aos outros, pois cada um pode pensar diferente de mim. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6065340003430794079?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6065340003430794079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6065340003430794079' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6065340003430794079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6065340003430794079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/08/nem-tanto-o-ceu.html' title='Nem tanto o céu...'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4cQFlCuFMFc/TluGU1mZw0I/AAAAAAAACJw/GLh0HULlIVk/s72-c/lars-von-trier.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1519239578020216159</id><published>2011-08-15T21:38:00.002-03:00</published><updated>2011-08-15T21:41:48.110-03:00</updated><title type='text'>Pente fino</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Omar Piando – que ganhou este sobrenome porque costuma contar muita vantagem – apareceu dia destes com um dilema. Um dilema, aliás, bem na altura pescoço. O cara conheceu uma moça na Travessa Ratcliff, bebeu três doses de cachaça, ficou todo serelepe e acordou com um roxo no pescoço. O roxo no pescoço todo mundo entende, não precisamos dar os detalhes, mas e o dilema? O dilema é que Omar estava noivo; e já fazia, por baixo, uns três anos que enrolava pra casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Omar é daqueles caras que, se fosse celebridade, não encheria duas páginas de uma biografia, pois tem uma vidinha mais sem graça do que futebol italiano, mas se ele mesmo fosse escrever as suas memórias, se deixassem o cara contar tudo que conta aos amigos na mesa do boteco, o livro seria um calhamaço. Queremos dizer com isso, trocando em miúdos, que Omar é mentiroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, no entanto, Omar narrou a cena do crime e mostrou a prova. Aliás, com uma prova daquelas, não era preciso narrar coisa alguma. O roxo estava feio. A moça que realizou o serviço devia ser a estagiária do Drácula. A verdade é que quando Omar encontrou os amigos no samba, em um sábado de sol, pra contar a primeira verdade do mês, chegou meio desanimado. O sol de sábado, de qualquer modo, iluminava os fatos da sexta. Nem a gola da camisa de flanela xadrez – nosso amigo é artista plástico e por isso tem muitas camisas de flanela – era capaz de esconder a nova pintura no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Estou com um roxo aqui... – disse o Omar aos amigos, enquanto sentava, sem nem dar boa tarde direito, preocupado e circunspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar virou o pescoço de lado, os amigos deram uma olhada, fizeram semblante de propaganda de cerveja e um deles sentenciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Rapaz, você está é com a corda no pescoço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso aí foi o beijo da mulher aranha! – sugeriu um conhecedor de cinema nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Virou picolé de perua? – perguntou o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No máximo, Omar dava um riso triste de resignação, como quem reconhece o valor de uma piada, e só. Os amigos pediram um copo pro Omar, mas naquele dia ele não queria beber. Além do mais, iria encontrar a noiva dali a umas duas horas. E estas manchas demoram uns bons dez dias pra sair. Se já era muito chegar com um roxo no pescoço, quis evitar pelo menos o gosto da cerveja no beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, os conselhos dos amigos foram de mal a pior. Um dizia pra esfregar gelo no pescoço. Outro falava pra tascar um band-aid e dizer que cortou fazendo a barba. Teve outro que sugeriu passar limão e deitar no sol. A estas alturas, a conversa já havia alcançado as duas mesas do lado. Até a irmã de Omar, em casa, mesmo sabendo da história toda, havia passado uma maquiagem pra disfarçar um pouco, mas não teve jeito. Por fim, quando o nosso amigo já estava entregando os pontos, demos uma idéia da qual nos orgulhamos e que fica de graça para os leitores que um dia precisarem: consultar o Google.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar correu no cyber café e digitou: “chupão pescoço tirar por favor”. O primeiro site que apareceu, para a alegria do nosso amigo, que tem mais sorte do que juízo, deu a solução: passar pente fino sobre a mancha. Na última quarta-feira, Omar nos mandou um e-mail contando a solução e dizendo que, depois do aperto, inclusive, resolveu casar. Enfim. Alegrias para o casal. E que a nova esposa do Omar não seja nossa leitora.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1519239578020216159?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1519239578020216159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1519239578020216159' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1519239578020216159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1519239578020216159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/08/pente-fino.html' title='Pente fino'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1768695489137199751</id><published>2011-08-08T11:30:00.001-03:00</published><updated>2011-08-08T11:31:26.694-03:00</updated><title type='text'>Cenas portenhas</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pela maioria das ruas do centro de Buenos Aires, principalmente de noite, milhares de papéis com propagandas de prostitutas – com fotos, telefones, endereços e os preços, curiosamente, quase sempre em preto e branco – são pregados em qualquer lugar que fique na altura dos olhos: postes, telefones públicos, pontos de ônibus e até mesmo nas motos que permanecem durante algum tempo estacionadas. Os pequenos papéis são disponibilizados em várias séries, colados por uma de suas extremidades, de uma forma que seja possível arrancá-los rapidamente, por exemplo – sem rasgá-los – para guardar o pecado no bolso. Além das inúmeras pessoas que utilizam o serviço, outras também – como pude perceber umas três ou quatro vezes – fazem questão de arrancar as propagandas e jogá-las no lixo. Os papéis aparecem e desaparecerem das ruas com a velocidade e o segredo das ideias erradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a impressão de que os argentinos não cuidam dos seus carros como fazem os brasileiros. Quando estacionam, rente às calçadas, eles costumam deixar seus carros no ponto morto para que outros carros, estacionados na frente ou atrás, possam lhe dar pequenas batidinhas e movê-los alguns centímetros, tornando a manobra mais fácil e rápida. Tive o privilégio de presenciar o motorista do carro que estava sendo batido esperar pacientemente na calçada até que o outro pudesse seguir o seu destino. Em Buenos Aires, dificilmente você encontrará um carro em perfeito estado, sem batidas, pintado e limpo, como são os carros dos meus primos, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No albergue, conheci um senhor muito carismático, o Tony – ele deve ter, segundo os meus cálculos, uns 65 anos – que foi chefe da torcida organizada do Racing, equipe tradicional do futebol argentino, mas que não ganha títulos importantes há uns quarenta anos. Como eu já tinha visitado o estádio do Boca Juniors, que oferece todo um esquema para receber turistas, com museus e visitas guiadas, meu novo amigo queria que eu conhecesse também o estádio e a sede do Racing, que não são abertas ao público (por falta de estrutura, suponho), mas que seria possível visitar graças a sua influência. Quando chegamos no café da sede do clube, meu amigo ficou branco e extático de repente. Em uma mesa no canto, sozinho, estava um dos principais jogadores argentinos de todos os tempos, Humberto Maschio, um dos primeiros que jogou na Europa – ganhou vários títulos com a Inter da Itália – e que vestiu a camisa dez do Racing justamente quando a equipe foi campeã mundial, no ano de 1967, ocasião em que Tony tinha 15 anos de idade. Nesta decisão, Tony acompanhou o jogo com um rádio de pilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em La Boca, bairro ao mesmo tempo turístico e periférico de Buenos Aires, o turismo acaba cedo. Depois das 19h, quando o dia começa a escurecer, todas as ruas ficam vazias e os policiais começam a circular. Eu descobri isso apenas quando um carro com três destes policiais parou do meu lado e então um deles, com voz de policial, me perguntou para onde eu estava indo. Pra tornar a situação descontraída, e pra mostrar a eles que eu não era um turista como os outros, respondi que também estava perdido, assim como eles – era uma piada, naturalmente – e um segundo policial, com a mesma voz, explicou que eu estava no lugar mais perigoso do bairro. Os dois então abriram a porta, sairam do carro e me disseram como eu fazia pra sair dali.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1768695489137199751?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1768695489137199751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1768695489137199751' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1768695489137199751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1768695489137199751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/08/cenas-portenhas.html' title='Cenas portenhas'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7577484612268391378</id><published>2011-08-01T15:16:00.001-03:00</published><updated>2011-08-01T15:26:18.550-03:00</updated><title type='text'>Buenos Aires não existe</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Tem mais brasileiro passando férias em Buenos Aires do que motel na SC-401. Até gente com a camisa do Avaí eu já encontrei nas ruas. Se eu cruzasse com o Galvão Bueno na esquina da Florida com a Corrientes, explicando para algum gringo porque o Pelé é melhor que o Maradona, eu nem ficaria surpreso. Dos anos anteriores pra cá, de fato, cresceu tanto o número de turistas brasileiros em Buenos Aires que os portenhos já estão especulando em importar o Dunga como novo treinador da seleção argentina e o Palocci como Ministro da Fazenda. Enfim, a coisa no país de Jorge Luis Borges está mais ou menos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, até nas livrarias, por incrível que pareça, é possível encontrar turistas brasileiros. Antes, para quem quisesse, era possível fugir dos brasileiros indo justamente passar umas horas olhando as prateleiras das livrarias, mas agora nem isso. Na semana passada, flagrei uma carioca na Ateneu, a livraria mais turística de Buenos Aires, comprando um livro do Paulo Coelho traduzido para o espanhol: A Orillas del Rio Piedra me Sente y Lorré. Depois, tinha outra com um livro da Isabel Allende debaixo dos braços dizendo para seu amigo que devíamos conhecer melhor a literatura local. Os argentinos não dizem com todas as letras, mas desconfio que já estão com las pelotas llenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O campo de interesse dos turistas brasileiros, pelo que é possível perceber, gira em torno de futebol, tango e principalmente conversão de moeda. Caso você queira encontrar uma dezena de brasileiros em Buenos Aires, dê um pulo no Sr. Tango, por exemplo. Pra bater papo com os taxistas, por sua vez, o melhor é falar de futebol. Teve um dia que, pra puxar algum assunto, eu perguntei por que o Messi não joga na seleção argentina tão bem como na equipe do Barcelona, e o taxista me respondeu que eu já era o quarto brasileiro do dia que perguntava a mesma coisa. Depois voltamos reclamando que os portenhos não têm boa vontade e educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, nosso assunto preferido ainda é a grana. Até pra comprar um alfajor no supermercado dos chineses a galera faz conversão de moeda. Buenos Aires, desta maneira, fica parecendo o maior shopping horizontal da América Latina, espécie de parque temático tupiniquim. Em Palermo Hollywood, nosso Jurerê Internacional, metade das lojas tem um adesivo colorido no vidro anunciando liquidação – Rebajas – aos turistas ávidos. Depois, os brasileiros chegam aqui pensando que são ricaços porque o real vale dois pesos e logo percebem que a vida, mesmo em Buenos Aires, pode ser dura. O que tem de novo rico em Puerto Madero reclamando do preço da janta não está no gibi. O povo vai jantar com a família inteira em um dos lugares mais finos da América Latina e acha que está na Lagoa da Conceição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que as matérias de viagem publicadas nos jornais de todo Brasil geralmente vendem a ideia de que Buenos Aires é o caminho mais rápido – ou seja, mais barato – pra conhecer a Europa. Eu, particularmente, acho que se algum brasileiro tem vontade de conhecer os países da Europa, que economizem até o final do ano. Por um lado, Buenos Aires passa a ser representada como uma Paris de segunda mão; por outro, como uma grande feira intercontinental. Isso faz com que grande parte dos turistas conheça uma cidade que, no final das contas, não existe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7577484612268391378?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7577484612268391378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7577484612268391378' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7577484612268391378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7577484612268391378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/08/buenos-aires-nao-existe.html' title='Buenos Aires não existe'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6946651116967810396</id><published>2011-07-25T13:00:00.006-03:00</published><updated>2011-07-25T13:07:15.176-03:00</updated><title type='text'>Caro César Aira:</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Por Victor da Rosa para Diário Catarinense&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-yD_mNjTe_6A/Ti2TyIBbj9I/AAAAAAAACJg/P8_W_cUVxzY/s1600/aira.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 175px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633321198266585042" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-yD_mNjTe_6A/Ti2TyIBbj9I/AAAAAAAACJg/P8_W_cUVxzY/s400/aira.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nome é Victor, escrevo crítica literária, digamos, tenho 26 anos, sou estudante de literatura em uma Universidade do sul do Brasil - faço doutorado sobre Machado de Assis, escritor brasileiro que você mais gosta, acho - e também sou leitor de sua obra. Nunca escrevi nada sobre os teus livros, talvez porque goste tanto deles, mas se não li todos é apenas porque são muitos. Durante algum tempo, quando eu pensava em ser escritor, tentei imitar seu modo de escrever, mas nunca consegui. Uma amiga me disse que achava nossa escrita parecida, mas depois descobri que ela estava mentindo. E um dramaturgo argentino um dia me disse também que sou parecido com você - fisicamente, no caso, provavelmente por causa dos óculos - e já me dei por contente com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, eu não tenho muitos livros teus em casa, devo ter apenas uns cinco ou seis, mas já peguei muitos emprestados com amigos. Um deles eu não devolvi, mas os outros todos me cobraram depois. Como os teus livros geralmente são curtos, e como muita gente não empresta livros, principalmente quando são importados, já li também algumas de suas histórias em pé, ou seja, diante da estante dos outros. Isso aconteceu com o livrinho “Haiku”, por exemplo, que aliás uma ex-namorada que adora cultura oriental comprou pensando que fosse um livro de haikais mesmo. De onde você tirou este título!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todos os livros que eu li, meu preferido é “Las noches de Flores”, mas realmente gosto de tudo. Este eu emprestei a uma amiga que também nunca mais devolveu. Faço isso com os teus livros, sugiro a leitura para algumas pessoas, pois acho que as pessoas vão me achar legal depois. Elas vão pensar: “este cara lê coisas divertidas, vale a pena ser amigo dele.” Um amigo que voltou de Buenos Aires na semana passada comprou o teu último livro por sugestão minha - acho que é o último, pois nunca dá pra saber qual é o último, já que você escreve tanto - e ainda estou esperando ele acabar. Neste caso eu sugeri por interesse próprio, mas nem sempre é assim. Enfim; estou dizendo tudo isso para que você possa me achar legal e responder o meu e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que passa é que estou indo a Buenos Aires na semana que vem, onde passarei duas semanas, e gostaria de entrevistá-lo. Isso se não for incômodo, pois sei que você não gosta muito de entrevistas; acho que eu li isso, inclusive, em alguma entrevista que você concedeu. Além dos teus livros, afinal, eu conheço também várias das tuas entrevistas. Portanto, prometo não repetir as perguntas que sempre lhe fazem. Não perguntarei o que você acha do realismo fantástico, dos escritores brasileiros, dos críticos que só te elogiam e da literatura de Ricardo Piglia. Aliás, você já conseguiu alguma resposta do Dalton Trevisan? Isso sim é uma coisa que eu gostaria de saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu já li tantas entrevistas tuas que descobri que você, se não bastasse mentir para os leitores, mente também para os jornalistas. Em uma delas, você diz que trabalha muito, escreve todos os dias, cerca de cinco páginas por dia, e que pouco corrige e revisa os teus livros; em outra, acho que muitos anos depois, você diz que não é um escritor obsessivo, pelo contrário, é muito lento, escreve meia página por dia e que pode passar semanas e até meses - meses! - sem escrever. Você mente de propósito? Esta é outra curiosidade que tenho. Seja como for, eu não ficarei ofendido se você passar a entrevista mentindo pra mim. Enfim, saludos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS. Se você não quiser ser entrevistado mesmo, aceito ser convidado para um café. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6946651116967810396?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6946651116967810396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6946651116967810396' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6946651116967810396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6946651116967810396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/07/caro-cesar-aira.html' title='Caro César Aira:'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-yD_mNjTe_6A/Ti2TyIBbj9I/AAAAAAAACJg/P8_W_cUVxzY/s72-c/aira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5787988882800167031</id><published>2011-07-18T11:27:00.001-03:00</published><updated>2011-07-18T11:30:00.551-03:00</updated><title type='text'>Diário de uma crônica ruim</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(255, 255, 255); "&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por Victor da Rosa, para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3396428.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17552&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;SEGUNDA – Logo cedo, quando acordo, leio a mensagem de um leitor anônimo dizendo que parou de ler minha última crônica na metade. Não sei bem o motivo, mas acredito nele; e fico chateado. Respondo dizendo que ele deveria ter continuado a ler, pois no final a crônica melhora, mas nem a autoironia é suficiente pra acabar com a minha preocupação. Telefono a um amigo, perto das 9h da manhã, pra perguntar se ele também abandonou a crônica na metade, e meu amigo diz que ainda nem leu. Como é possível? Não saio de casa; não vou para a aula de francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERÇA – Quase ninguém curtiu minha crônica no Facebook, sinal de que o leitor anônimo estava mesmo falando a verdade. Rosette Rosa, a minha tia sobre quem eu escrevi a crônica fracassada, me liga pra dizer que suas colegas de trabalho leram e adoraram. Elas disseram também, segundo a Rosette, que estou com um belo sorriso na foto do jornal. Sinto-me um pouco mais confiante. De resto, nada muito importante no dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUARTA – Saio para beber com um professor e alguns colegas da UFSC, em celebração ao encerramento de um curso. Na mesa do bar, percebo que todos querem sentar ao lado do professor, e então eu trato de ser o mais rápido. O encontro começa um pouco chato, há muitos homens e poucas mulheres na mesa, e além disso todos estão um pouco tensos com a presença do professor, mas depois a coisa melhora. O professor bebe umas cervejas e passa a contar algumas fofocas interessantes. É sempre assim. As fofocas de professores geralmente são melhores porque envolvem pessoas importantes e muitas vezes figuras internacionais. Tiro um caderninho da bolsa e passo a anotar várias ideias para a próxima crônica, momento em que derrubo o copo de cerveja da pessoa que estava a meu lado, exatamente o meu professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUINTA – Acordo às 10h, bem disposto, sem ressaca, embora um pouco culpado, e escrevo uma excelente crônica inspirada em uma das fofocas que o professor contou. Penso que desta vez o leitor anônimo não terá motivos para falar mal de mim e terá que engolir seu ressentimento a seco, pois a crônica, de fato, está excelente. Antes de enviar para o jornal, envio o texto a um amigo, esperando seus elogios, e ele diz que talvez eu possa ter problemas com o professor. Pergunto: mas a crônica está boa? Ele responde: sim, está legal, mas pode dar problemas. Argumento que o professor irá se divertir, talvez nem leia, mas depois penso melhor e envio um e-mail pedindo sua autorização; o professor não responde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEXTA – Tenho que entregar a crônica até meio-dia e meu professor responde o e-mail às 11h30min, mais ou menos. Ele diz que prefere que eu não toque em determinados assuntos; ele diz que, se fosse eu, deixaria o assunto quieto. Se fosse eu, ele diz, mas não é. No fim, faz um comentário ambíguo sobre a minha crônica anterior, que julguei desnecessário, e ainda aconselha que eu leia alguns cronistas internacionais. Fico arrependido por ter pedido sua permissão, pois agora, se eu publico a fofoca que ele me contou, bem, na verdade ele contou pra várias pessoas, a coisa é quase pública, mas vai parecer que estou desacatando sua autoridade. Tomo um banho pra pensar no assunto e resolvo deixar a crônica de lado. Talvez aproveite a ideia para um futuro conto. Escrevo outra às pressas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5787988882800167031?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5787988882800167031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5787988882800167031' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5787988882800167031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5787988882800167031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/07/diario-de-uma-cronica-ruim.html' title='Diário de uma crônica ruim'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-367262560882664801</id><published>2011-07-11T10:19:00.002-03:00</published><updated>2011-07-11T10:27:04.231-03:00</updated><title type='text'>Os meninos da Villa de Caras</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa, para&lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3382869.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17509&amp;amp;section=1315"&gt; Diário Catarinense &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_sr8Z7JupWg/Thr55YvGQDI/AAAAAAAACJE/Y0DdF9ONHIw/s1600/1936135-3410-atm14.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5628085448640708658" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-_sr8Z7JupWg/Thr55YvGQDI/AAAAAAAACJE/Y0DdF9ONHIw/s400/1936135-3410-atm14.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;A atual seleção brasileira está dividindo o país com seu jeito moleque de jogar – depois da era Dunga, que já era – com o uniforme transado e coladinho no corpo, a chuteira com dizeres sentimentais, a gola alta pra proteger os meninos do frio e os topetes todos pintadinhos de loiro. Dizem que só o Neymar gasta uns US$ 900 por mês pra manter o corte de cabelo. Por um lado, tem aqueles que adoram o nosso estilo fofo, ziriguidum, estilo canarinho com topetes; por outro, como é o caso da tia Rosette Rosa, que está sinceramente indignada com o Mano Menezes, tem aqueles que não aguentam mais as pedaladas, as peladas e os beijinhos para a câmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mano, faça-me o favor, ou muda este time ou corta o cabelo desta gente! – manda avisar a minha tia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosette tem a experiência no futebol de quem já assistiu pelo menos umas dez Copas do Mundo – ela já não é mais uma garotinha – e quando não gosta da seleção canarinho, como aconteceu na última Copa, ela torce contra, azara. Ou seja, não é pra qualquer um. A tia deixa claro que, em suas ações, não é movida por sentimentos nacionalistas, e sim pelas paixões mais íntimas, às vezes desconhecidas inclusive pelo próprio sobrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na África do Sul, Rosette torceu para a Argentina do Maradona e para os próprios sul-africanos, já que gosta mesmo é de negão – lembro que, na época, ela gamou no Tshabalala – mas agora também está desanimada com los hermanos, que não estão jogando nada também, e resolveu dar uma chance para o Mano, que considera “um homem honesto, interessante e muito charmoso”. No entanto, a tolerância da Rosette, que é mais teimosa do que taurina em TPM, está chegando aos limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mano, corta o cabelo desse ataque!! – ela implora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosette sabe bem o que diz. Além de já ter sido namorada de dois jogadores do futebol amador de Coqueiros – curiosamente os dois formavam uma dupla de zaga –, minha tia também foi cabelereira em um salão de beleza fino. Depois, é a única mulher que conheço que assina o paperview – fez um gato, na verdade – só pra acompanhar os jogos do Campeonato Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nossa família, cheia de entendidos de futebol, ela também é a única que conquistou o direito de ver as partidas ao lado dos homens, pois seus comentários são sempre medidos, cautelosos e inteligentes, diferente das outras tias. Rosette me telefonou na semana passada, por exemplo, pra comentar a frescuragem destes meninos da Villa de Caras, e eu perguntei que seleção ela achava que seria campeã da Copa América:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu é que vou saber! – ela me respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, o que deixa Rosette Rosa mais indignada com a seleção dos topetinhos é a ausência de um futebol macho, daquele Mano Menezes do tempo do Grêmio e mesmo do Corinthians. Rosette até considerou o Dani Alves uma exceção à regra, mas agora parece que ele entrou também para a turma do topetinho e, portanto, está na lista negra – rosa, na verdade – da minha tia. O estilo Menino do Rio risonho do goleiro Julio Cesar também não agrada muito. Nem a cara de malvado que o Lúcio faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ponto, aliás, ela prefere ficar com a seleção italiana, que tem jogadores sem nenhuma habilidade, só brutamontes mesmo, mas homens incríveis, segundo ela. Minha tia, que adora um jogo de palavras, diz que prefere jogo feio com homem bonito do que jogo bonito com homem feio, mas depois confunde análise com emoção e suspira, saudosa de jogadores como Casagrande, Careca, Raí... Quanto à seleção atual, enfim, não se pode dizer ainda que é o futebol mais bonito, apesar do jeito moleque que encanta a tantos brasileiros, mas é certo que os cabelos mais feios estão ali. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-367262560882664801?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/367262560882664801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=367262560882664801' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/367262560882664801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/367262560882664801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/07/os-meninos-da-villa-de-caras.html' title='Os meninos da Villa de Caras'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_sr8Z7JupWg/Thr55YvGQDI/AAAAAAAACJE/Y0DdF9ONHIw/s72-c/1936135-3410-atm14.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-375986682917021445</id><published>2011-07-04T11:41:00.000-03:00</published><updated>2011-07-04T11:42:54.723-03:00</updated><title type='text'>Meu Testamento Público</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3374925.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17462&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu, Victor Luiz da Rosa, brasileiro nato, poeta aposentado, cronista de segunda categoria, nem bonito e nem feio, domiciliado em uma rua sem saída, como aliás é muito próprio desta cidade, nascido em 26 de outubro e já vai tantas, solteiro, estando em perfeito juízo e em pleno gozo de minhas faculdades intelectuais e também mentais, pra dizer o mínimo, eventualmente, por enquanto e graças a Deus, com a presença de testemunhas das quais não revelarei o nome, por serem pouco idôneas e inventadas pela minha imaginação doente, resolvo lavrar o presente testamento público para dispor de meus tantos bens, em função de ameaças recebidas, após a minha morte, da seguinte maneira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRIMEIRO: Não podendo dispor de todo o meu patrimônio por ter muitos herdeiros, alguns necessários e outros desnecessários, deixo para a Rosette Rosa, por ter sido a tia que me deu os melhores presentes de Natal, mulher íntegra, brasileira, independente e apaixonada por futebol, viúva duas vezes, gerente de uma casa de forró na Lagoa da Conceição, enfim, deixo para ela, não sem certo constrangimento, uma camisa do Avaí autografada pelo ex-atacante Jacaré, artilheiro do Campeonato Catarinense de 1997, ano em que o Leão da Ilha vivia momentos de glória e foi coroado com o título estadual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGUNDO: Não podendo dispor de todo o meu patrimônio por ter muitos herdeiros, como já foi dito, deixo para os filhos que não tive, salvo engano, a minha kitnet sem telefone e sem internet, como efetivamente o faço, com a condição de que paguem o aluguel em dia, não briguem, troquem a água do gato diariamente e apaguem as luzes antes de sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TERCEIRO: Para os meus amigos escritores, intelectuais e heterossexuais, deixo o livro de Pola Oloixarac – musa da literatura argentina e da Flip deste ano – autografado com um beijo de batom roxo, para que entrem em um acordo, afinal, pois só tenho um exemplar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUARTO: Deixo para os desafetos todo e qualquer direito autoral sobre as minhas obras completas, que inclui as seguintes peças: sete poemas inacabados, dezessete crônicas no Diário Catarinense – contando com esta – mais de 200 posts no blog, o argumento de um romance que ainda não comecei, seis aforismos, um hai-cai sem rima, três traduções de uma língua que não domino e uma pixação na parede do museu, que a princípio é anônima, mas posso provar que é minha. (Ver anexos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUINTO: Deixo para Omar Piando, amigo autodidata, artista plástico reconhecido pela Associação de Artistas Plásticos do Campeche, vegetariano, fundador do grupo de performances ambientais La Puente, ex-vendedor de enciclopédias e de outras coisas que é melhor nem dizer, enfim, para Omar eu deixo a minha coleção de obras de arte, a minha sorte, os meus álbuns de figurinhas do Campeonato Brasileiro dos anos de 1993 e 1994 e um jogo de talheres que roubei de uma festa na Villa de Caras, em Gramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaro que nada mais tenho a lavrar ou a mentir, declaro assim minha última vontade, pois bens eu não tenho mais para declarar, e peço à Justiça de meu país que o faça cumprir como este se contém, em conformidade com a lei, e finalmente dou por encerrado o presente testamento na presença das duas testemunhas acima qualificadas, ou seja, desconhecidas, para as quais li a íntegra do que aqui se contém, confirmado em juízo e livre arbítrio na Travessa Ratcliff, às 23h30m do dia 30 de junho de 2011.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-375986682917021445?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/375986682917021445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=375986682917021445' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/375986682917021445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/375986682917021445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/07/meu-testamento-publico.html' title='Meu Testamento Público'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7080785114411300633</id><published>2011-06-27T08:02:00.002-03:00</published><updated>2011-06-27T08:03:33.759-03:00</updated><title type='text'>O FAM e a nossa história</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3366904.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17411&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu já acompanho o FAM desde o tempo em que os filmes eram projetados no Cecomtur, no auditório da Justiça Federal, bem na frente de umas três igrejas universais que agora têm ali. Uma das coisas legais desta época é que o Celso, organizador do evento, proferia seu discurso de abertura com uma garrafa de cachaça na mão e o microfone na outra. Logo depois o FAM passou a ser realizado no CIC e agora, de uns três anos pra cá, no campus da UFSC, ocasião em que a velha garrafa de cachaça foi substituída pelo reitor e um secretário de cultura. No campus não pode beber, afinal. E secretário de cultura dá em árvore. Bons tempos aqueles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma edição no CIC eu também guardo uma imagem inesquecível: aconteceu na estreia do filme Doce de Coco. Levei minha tia pra assistir ao filme – sempre tento convencê-la de que cultura é uma coisa importante – e ela já estava roncando no sexto minuto de projeção. Eu jamais havia presenciado um sono ao mesmo tempo tão veloz e profundo. Minha tia, a Rosette Rosa, que é muito educada e sensível aos artistas, jamais sai na metade de um filme, mas ela dorme. Neste caso, não deu tempo nem de conhecer o protagonista. Dormir é involuntário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, um Festival como o FAM, por ter uma programação tão intensa com filmes dos quais você nunca ouviu falar, privilegia dois modos pouco indicados de ver cinema: dormir e sair na metade. Deve ser por isso que agora tem café expresso de graça. Lembro de um curta em que, com as técnicas mais requintadas, uma mulher passava uns 20 minutos torturando o ex-marido. O filme era de uma diretora feminista curitibana que estava sentada na poltrona bem na minha frente. Como eu tenho fobia de sangue, fui obrigado a levantar. Lá fora, enquanto tomava um copo de água pra ficar mais calmo, eu pude acompanhar o esvaziamento completo da sala como nunca havia visto antes. Parecia fim de jogo na Ressacada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem aquelas coisas que acontecem em todas as edições, há 15 anos, sempre do mesmo jeito. As festas de encerramento, por exemplo, são um fracasso todo ano. Eu não sei quem faz a decoração, mas aquele salão de festas fica parecendo mais um ambiente pra bingo. Uma coisa legal, por outro lado, é ver os amigos pagando mico no teaser que passa antes de cada seção. É clássico. Sempre tem um corajoso que vai fazer o trocadilho de FAM com fã, mesmo que já tenha passado o prazo de validade. Isso quando o sujeito não abre os dois braços bem abertos e diz, olhando alegre para a câmera: “Gente, o FAM é nosso!” Piadas dos cineastas ao apresentar os próprios filmes também são sempre bem-vindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o melhor do FAM mesmo é a quantidade de gente bonita, bem vestida e com cabelo transado. Os dias vão passando e a galera vai ficando mais tensa porque, bem, as opções no guarda-roupa são cada vez menores. Chega no último dia e você está combinando a calça de terça-feira com a camisa de domingo. A variação de cortes de cabelo, sobretudo, é algo que impressiona. Aliás, eu gosto de cinema por isso. Se você vai no lançamento do livro de um poeta, por exemplo, só tem gente triste, desanimada e mal vestida. Com o cinema não é assim. Qualquer lado que você olhe tem alguém descolado. Pra quem está procurando namorados, namoradas, estas coisas – vai por mim – a sugestão é acompanhar só a mostra de curtas porque há pelo menos cinco black-outs por sessão. Enfim, como diria um cineasta catarinense, o FAM já faz parte da nossa história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7080785114411300633?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7080785114411300633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7080785114411300633' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7080785114411300633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7080785114411300633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/06/o-fam-e-nossa-historia.html' title='O FAM e a nossa história'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8181281357411862268</id><published>2011-06-20T09:29:00.003-03:00</published><updated>2011-06-20T09:32:40.317-03:00</updated><title type='text'>Retrato de um animal</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3357344.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17366&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-bhmMYkGdG9A/Tf89cHf3R_I/AAAAAAAACI0/XRZ7EZHltQk/s1600/Edmundo-Macaco-cerveja_ACRIMA20110616_0031_23.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 195px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620278413239994354" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-bhmMYkGdG9A/Tf89cHf3R_I/AAAAAAAACI0/XRZ7EZHltQk/s400/Edmundo-Macaco-cerveja_ACRIMA20110616_0031_23.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmundo não é exatamente um herói. Pelo contrário, como os grandes escritores, o jogador ensinou ao futebol que não devemos cultuar heróis, pois a vida é atravessada por contradições, fracassos e fraquezas. O jogador era capaz de jogar pelo Flamengo em um ano e se tornar ídolo pelo Vasco no outro – isso quando defender um clube ainda significava alguma coisa. Do herói, entretanto, figura intermediária entre os homens e os deuses, se espera apenas os atributos mais altos e nobres; de um animal, apenas temos a sua nudez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o estigma de animal, paradoxal por definição, não poderia ser mais verdadeiro: dentro e fora de campo, Edmundo se comporta entre o humano e o inumano; o homem e o bicho. Como animal, não mede as consequências de seus atos; como humano, é capaz de voltar atrás, se fragilizar, negar suas próprias convicções, eventualmente se arrepender. Edmundo talvez seja o jogador de futebol que – tanto quanto os cartões vermelhos que recebeu – mais chorou em rede nacional. E isso não é qualidade e nem demérito: é apenas a dificuldade de calar um protesto contra a ordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmundo não jogou futebol segundo o estereótipo dos jogadores brasileiros: leveza, cordialidade, alegria. Seu estilo de jogo é mais grosseiro, até mesmo pesado, embora liso, imprevisível. Alguns gols de Edmundo estão cheios disso: dribles truncados, empurrões, trancos e barrancos. Por sua vez, seu sentido de humor é mais cáustico e inoportuno: desperta ao mesmo tempo atração e repulsa. Suas declarações não são tão polêmicas quanto seu comportamento dentro de campo. Pode-se dizer qualquer coisa a um animal; ele não responde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de campo, Edmundo chamava os zagueiros pra dançar, literalmente. Em um jogo entre Vasco e Botafogo, em um Maracanã lotado, com a bola no pé, dançou a dança da garrafa diante de um zagueiro de 1m90cm. No Palmeiras, foi protagonista de grandes brigas. No Flamengo, desfilou abraçado com um macaco. Em um jogo contra um clube da Argentina, recebeu um soco que empapou seu rosto de sangue. Passou a vida brigando com Romário, um de seus maiores parceiros. Poucos jogadores corriam tanto em campo. Quando perdia, diferente do que assistimos hoje nos gramados, Edmundo se irritava, reclamava dos próprios companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edmundo jamais procurou o consenso, como a maioria dos jogadores de futebol. Ninguém demonstrou com tanta clareza – talvez apenas Maradona – que futebol e guerra andam juntos. De algum modo, o jogador nos testemunhou, com sua maneira de jogar, que a característica mais própria do futebol não é a técnica, a beleza, o escrúpulo, e sim o impulso, o instinto e a intuição. Como todo animal, parece ter um olhar que nega os próprios atos. É ao mesmo tempo sensível e passível, bom e malvado, abissal e secreto, inocente e cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, Edmundo é um dos jogadores mais excessivos da história do futebol brasileiro, mais pleno de contradições, jamais quis se preservar de nada e levou a fragilidade humana a seu limite. De outra maneira, é irreverente e triste. Quando fazia um gol, comemorava com a torcida, este outro bicho incontrolável, e não com a opinião pública. Ao mundo do futebol – um mundo que cultua figuras dóceis e coerentes (pelo menos durante as entrevistas coletivas) – coube a difícil tarefa de domesticá-lo, disciplinar suas promessas. Alguém que foi tão longe, que diz coisas tão difíceis sobre nós mesmos, afinal – seremos todos animais também? –, deve acabar punido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8181281357411862268?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8181281357411862268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8181281357411862268' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8181281357411862268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8181281357411862268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/06/retrato-de-um-animal.html' title='Retrato de um animal'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-bhmMYkGdG9A/Tf89cHf3R_I/AAAAAAAACI0/XRZ7EZHltQk/s72-c/Edmundo-Macaco-cerveja_ACRIMA20110616_0031_23.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5529358962962813014</id><published>2011-06-15T00:08:00.001-03:00</published><updated>2011-06-15T00:10:20.784-03:00</updated><title type='text'>Carta de uma leitora</title><content type='html'>Boa noite caro Victor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me chamo S.K. e sou de Urubici(uma das cidades a qual você desvalorizou no DC de hoje, 13/06/2011), acredito que você não conheça nossa cidade, cultura e pontos turísticos, porque com uma visão limitada a qual se refere a cidades que oferecem frio, só pode tentar "fugir" delas, você deveria pensar duas vezes, antes de falar algo de uma cidade na qual nunca esteve, se você soubesse como é nossa cidade, saberia que ela não é apenas frio, mas sim belezas naturais, temos diversas cachoeiras, e também temos PESSOAS ACOLHEDORAS, acredito que devido a isso, o turista que vem até nossa cidade, sempre fica com vontade de retornar até porque, dificilmente vimos um tratamento mais acolhedor em qualquer outro canto do estado, uma porque em cidades grandes normalmente as pessoas não tem tempo nem para conhecer o vizinho que mora ao lado e outra porque sempre julgam-se ocupadas demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que se moras em Santa Catarina, deves saber que aqui em nosso lindo estado, é considerado frio, se você não gosta de frio ainda não entendo o porque não foi para o nordeste, você deveria pensar, que está atrapalhando o desenvolvimento de muitas cidades com essa propaganda negativa, ainda bem, que quem conhece sempre volta, e que a melhor propaganda é aquela feita de boca em boca, não precisamos de sua propaganda positiva, mas se poder evitar de falar de uma das cidades mais belas de forma arrogante, acho que já está de bom tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que saibas que concordo que praias ficam lindas no inverno, pelo menos em algo teríamos que concordar, assim como também posso dizer que sou apaixonada por praias, porem, existem muitas pessoas que estão cansadas de apenas calor e praias, as quais podem ser vistas em todos os cantos do país, já frio(neve, geada), ou como você queira chamar não se encontra em qualquer lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a sua amiga que comentou que no inverno as pessoas se tornam mais elegantes, provavelmente, ela quis dizer que podemos usar roupas que além de ter um corte mais sofisticado do que apenas regatas, bermudas e chinelo, ficamos com um porte mais apresentável... Tenho apenas mais uma coisa a lhe pedir, não preciso de uma retratação no DC, mas peço encarecidamente que nunca mais fale algo de nossas cidades "frias", se não for para dizer que a verdade, e mais um conselho conheça a cultura, as belezas naturais, os habitantes das cidades que você fala, e além disso, conheça a cidade antes de se pronunciar e acabar sendo julgado como uma pessoa que abrage assuntos dos quais o desconhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que você reflita à respeito do que falei....&lt;br /&gt;Se quiser responder meu e-mail, ficarei grata!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atte.&lt;br /&gt;S.K.&lt;br /&gt;Urubici -SC.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5529358962962813014?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5529358962962813014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5529358962962813014' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5529358962962813014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5529358962962813014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/06/carta-de-uma-leitora.html' title='Carta de uma leitora'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1545222210970008308</id><published>2011-06-13T09:41:00.002-03:00</published><updated>2011-06-13T09:50:20.448-03:00</updated><title type='text'>Frio, hein?</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3348029.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17315&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando chega o inverno em Santa Catarina, as notícias sobre o frio vendem mais do que manteiga de cacau. Se no verão as manchetes mais esperadas são os assaltos aos argentinos, a passagem de Ronaldinho Gaúcho por alguma balada em Jurerê Internacional e as filas no trânsito do norte da Ilha; no inverno o assunto é um só: a neve na serra. Ou melhor: a promessa de neve na serra. Quase chamam o plantão pra dizer que vai nevar. Dois dias depois estão fazendo contagem regressiva para o recomeço do verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neve é algo da qual se foge, convenhamos. Não é por acaso que uma das cidades mais frias do país, localizada no Rio Grande do Sul, se chama São José dos Ausentes. Galera vaza. Por isso não consigo entender como o excesso de frio pode atrair turistas para uma cidade. “Registro de neve aquece o setor turístico do munícipio”, diz a matéria de um jornal da serra. “Os flocos de neve que caem, infelizmente, ainda são fracos e tímidos”, lamenta o texto de uma outra. As cinco cidades que disputam a liderança pelo frio catarinense são, em ordem alfabética, Bom Jardim da Serra, Lages, São Joaquim, Urubici e Urupema. Elas são o assunto do mês de junho. Depois, no resto do ano, ninguém mais fala nelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O noticiário da previsão do tempo, por sua vez, ganha espaço mais nobre. O meteorologista, que é sempre uma figura bem discreta, torna-se agora uma espécie de colunista social. Uma coisa legal de meteorologia, aliás, são os detalhes e o preciosismo. “Uma massa de ar frio, acompanhada de umidade, formada no Rio Grande do Sul, vem da região Oeste, chega a Santa Catarina hoje cedo e se dirige para o oceano Atlântico durante as pró-xi-mas ho-ras”. Quer dizer, o que importa de onde vem o frio, pra onde vai? Não é paradeiro de bandido. Tudo isso poderia ser dito assim: “Galera, se agasalhe porque a situação tá difícil, e não esqueça do guarda-chuva, é isso aí”. Depois o sujeito ainda mostra umas imagens de satélite que eu, francamente, acho bem confusas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frio também passa a ser o assunto preferido nos bares, cafés e elevadores. As pessoas ficam discutindo se gostam mais do frio, do calor, do frio com sol ou do calor com vento. Frio com vento, não. Chuva também não. Como se adiantasse alguma coisa teimar com o Absoluto. Algum filósofo já escreveu que não há nada menos criativo do que falar de temperatura. Quer dizer, o que fica abaixo de zero, nestes casos, é a imaginação das pessoas. Seria legal um campeonato de surf agora. E as praias ficam muito mais bonitas no inverno. Mas não. Nos elevadores, os diálogos variam mais ou menos em torno disso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Frio, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ô!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem também os convites que sempre se repetem no começo do inverno. Quem já não foi convidado, em 2011, pra comer &lt;em&gt;fondue&lt;/em&gt; de chocolate com os amigos? E buffet de sopa? E a conversa fiada de que cerveja não é legal no inverno? Cerveja é legal sempre. E no inverno, diga-se de passagem, tem a vantagem de não esquentar. Você pode pedir uma Glacial, uma Polar, combina. Daí uma amiga vem dizer que gosta do inverno porque as pessoas ficam mais elegantes, como se a definição de elegância fosse o excesso de roupas. Se disserem que as pessoas ficam mais gordas, por exemplo, eu acho que faz todo sentido, mas por que mais elegantes? Muito elegante usar meia polaina e gorro. Fica parecendo um esquimó. Enfim, faltam uns 250 dias pra começar o verão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1545222210970008308?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1545222210970008308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1545222210970008308' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1545222210970008308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1545222210970008308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/06/frio-hein.html' title='Frio, hein?'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1036940410185661575</id><published>2011-06-06T09:35:00.001-03:00</published><updated>2011-06-06T09:37:22.765-03:00</updated><title type='text'>O circo e o CIC</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3338131.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17266&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;As fábulas em torno do CIC – são fábulas, de fato, e não apenas ficções – chegaram a um nível em que não precisamos mais fazer piada. Isso é ruim, pois chegará o dia em que não teremos mais nada muito original pra dizer, mas é bom também. Não se trata mais do gênero de piada pronta, paradigma tão conhecido de todos, mas de um nível ainda anterior: da piada que, de tão pronta, não precisa mais ser feita. É quando os fatos já se antecipam a qualquer discurso que se possa fazer sobre eles. Enfim, esta é uma crônica sem graça nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de mudarem por quatro ou cinco vezes a data de conclusão das reformas do CIC – a obra começou há dois anos e meio, no início de 2009, ainda com o governo anterior – eis que aparece um circo no seu estacionamento. Em outras palavras, a vingança do Real vem a galope. Antes disso, aliás, teve a Casa Cor. E teve também uma carta aberta da Anita Pires, ex-diretora da Fundação Catarinense de Cultura, cheia de erros de ortografia – a carta está publicada em vários sites, todos podem ler. E tiveram também todas aquelas coisas – estas, aliás, são sempre as piores – que a gente nem chegou a ver. Mas nada é como um circo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No circo Le Magic, que conta com o apoio da Prefeitura de Florianópolis e da Fundação Catarinense de Cultura, não tem palhaços. É um circo só de mágicas. O circo conta com alguns dos maiores mágicos da atualidade. O CIC também. Os maiores espetáculos de ilusionismo de Las Vegas. Um verdadeiro teatro de ilusões. Nenhuma novidade para os catarinenses. Entre todos os números apresentados, o russo Alain Stevanovich faz desaparecer os prazos, as licitações e o Café Matisse. Quem quiser ver palhaços, em todo caso, deve levar um espelho de bolso. No CIC não há palhaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em matéria publicada aqui mesmo no Diário Catarinense, há mais de um ano, o então Diretor de Patrimônio da FCC, Halley Filipouski, que aliás também tem nome russo, enunciou a seguinte frase: “A obra agora chegou naquela fase que ninguém vê (...)”. Ato falho? Não se sabe. Halley se referia ao conserto das redes internas de esgoto ou já estava anunciando a presença do Le Magic? E por que os ingressos para o circo estavam sendo vendidos justamente na Ótica Diniz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o CIC virou caso de polícia, como se diz, a polícia não deu sinal ainda, mas o circo já pegou fogo. Aliás, o circo já foi armado, desarmado e ainda não aconteceu nada. O CIC também. Depois de um mês de estágio em Florianópolis, no entanto, a trupe do Le Magic passará por outras cidades de Santa Catarina, como Balneário Camboriú, Blumenau e Joinville, onde o senador e ex-governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira – que também tem nome russo, como todo mundo sabe – promete uma aparição toda especial. O que será que Luiz Henrique fará desaparecer desta vez? A mágica é uma de suas principais especialidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o pessoal do circo foi embora ontem. Em todo caso, dizem também que houve, durante todo o mês em que o circo permaneceu na capital, uma identificação muito grande entre os administradores públicos e os artistas internacionais. Havia ilusionistas que queriam ficar, superintendentes que queriam partir, enfim; muita troca de experiência e conhecimento. Seja como for, a partir de agora – afinal, com a memória não se brinca – o CIC será sempre um circo na minha imaginação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1036940410185661575?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1036940410185661575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1036940410185661575' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1036940410185661575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1036940410185661575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/06/o-circo-e-o-cic.html' title='O circo e o CIC'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2227734455729560436</id><published>2011-05-30T09:19:00.002-03:00</published><updated>2011-05-30T09:20:06.250-03:00</updated><title type='text'>A contribuição de todos os erros</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3330027.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17218&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A recente discussão sobre o livro didático que ensinaria a falar errado, na verdade, não é uma discussão recente. É mais batida do que vitamina de banana. A discussão, por baixo, já tem uns 80 anos, e não duas ou três semanas. Uma das conquistas mais importantes do modernismo brasileiro, na década de 1920, é o direito ao desacerto. Por isso, desta vez, não lemos muito do que foi dito, mas também não queremos deixar de emitir nossa opinião. Afinal, o que seria da língua portuguesa sem o erro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o erro, pra começar, a cultura brasileira não teria nem o lundu, nosso representante do funk carioca ainda no século 19. Nas rodas de lundu, como dizem os melhores historiadores, a chapa também esquentava. Pra quem ainda se constrange com as letras do funk – um século e meio de atraso, mais ou menos – vejamos dois versinhos de um lundu clássico: “Umbigada de papudo é papudo que dá / Eu também sô papudo eu também quero dá”. Sem o lundu, a música brasileira seria hoje, no melhor dos casos – e sem desprestigiar os nossos irmãos lusitanos – uma versão da modinha portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde ficaria a graça de Adoniran Barbosa? O que seria das canções de Adoniran com todos os plurais corretos e as concordâncias no lugar? Há uma conhecida estrofe de Adoniran que tira proveito do erro inclusive pra fazer rima: “Num relógio é quatro e vinte / No outro é quatro e meia / É que de um relógio pra outro / As hora vareia!”. Agora vamos pedir para que o Willian Bonner e a Fátima Bernardes corrijam o verso – “as horas variam” – e depois façam um dueto no chuveiro. O professor Pasquale também pode participar do coral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães Rosa, autor de livros cheios de erros, tem um trocadilho errado: “Pãos ou pães é questão de opiniães”. E também gostava de escrever dança com S porque a letra S dança mais bonito e tem mais molejo do que a cedilha. Não adianta o Word nos dizer pra corrigir; o S dança mais bonito mesmo assim. Aliás, fica melhor ainda escrever dança com dois SS, pois aí já vira zoeira – vira roda de lundu, baile funk – e as letras dançam juntinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem o erro, não teríamos Oswald de Andrade e seu poema “capoeira”, exemplo de literatura cinematográfica, também pela apropriação da oralidade: “– Qué apanhá sordado? / – O quê? / – Qué apanhá? / Pernas e cabeças na calçada”. No manifesto da Poesia Pau Brasil, escrito em 1924, Oswald nos diz que deseja justamente o seguinte: “A língua sem arcaísmos, sem erudição. (...) A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” Graças ao erro, enterramos Olavo Bilac e Coelho Neto, os dois poetas mais chatos da literatura nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não tivéssemos a liberdade de falar errado, teríamos também que aposentar as expressões mais bonitas do nosso país. Em lugar de “Óxente, Mãinha!”, com toda aquela preguiça bacana do baiano, o sujeito diria algo assim, sei lá: “Mãe, por favor, deixe-me dormir mais um pouco.” Em lugar de “É nóis na fita, mano!”, ficaria uma coisa meio parecida com isso: “Estamos juntos, meus caros irmãos”. Pra pedir uma cerveja no boteco, correríamos o risco de beber no máximo um copo de água. O carioca, por exemplo, tem todo um jeito intimidador de pedir cerveja que está ligado justamente aos neologismos que só o carioca é capaz de criar. Funciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda, todo o nosso sentido de improviso – a gambiarra, a síncope, o batuque, o Mussum, toda a tradição do repente, a literatura de cordel do nordeste, o nosso humor gaiato – não passaria de uma próclise mal colocada, uma mesóclise, uma ênclise, um trava língua. Enfim, não dizer a um aluno de segundo grau que tudo isso existe não é apenas uma questão de opinião. É questão de opiniães.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2227734455729560436?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2227734455729560436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2227734455729560436' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2227734455729560436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2227734455729560436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/05/contribuicao-de-todos-os-erros.html' title='A contribuição de todos os erros'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5661895516904856752</id><published>2011-05-23T09:35:00.003-03:00</published><updated>2011-05-23T09:36:40.752-03:00</updated><title type='text'>As profissões do meu vô</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3319957.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17168&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Meu vô era sanfoneiro de gafieira; ou seja, de zona, bordel, estas coisas. Na banda do meu vô, havia também um cego e um anão – o anão, curiosamente, era o baterista, enquanto o cego, tecladista, era o líder da banda, uma espécie de Tirésias da zona. É bem provável que aquele era o único lugar em que meu vô conseguia ser coadjuvante, como queria. No fim do show, de volta pra casa, segundo a mitologia familiar, o danado parava em todos os bares, pra tomar uma dose de cachaça em cada um, com a sanfona nas costas e o filho mais velho – que depois (palavra de honra) se tornou o meu pai – de testemunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sanfoneiro de gafieira, na verdade, não era exatamente a sua profissão. Seja como for, ainda hoje desconfio que meu vô jamais recebeu o pagamento dos shows em dinheiro. Na verdade, meu vô tinha muitas profissões. A rigor, era vigia noturno de um clube. Era a sua única profissão regulamentada, digamos. Mas ele também criou galos – e sobretudo treinou (pra brigas) – durante um bom tempo. Além de músico e vigia, era também empresário, portanto. E médico veterinário, além do mais, já que fazia pequenas operações nos bichinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro de chegar na sua casa, por exemplo, e me deparar com uma galinha toda estropiada sobre a mesa; mas depois ele costurava direitinho e ficava tudo legal com elas. Aliás, teve uma vez que eu e minhas primas resolvemos roubar a máquina fotográfica e esvaziar um filme de 36 poses fazendo retratos de todas as galinhas do vô. Se uma das minhas primas não tivesse o pé tão grande a ponto de aparecer em meia dúzia das fotos, até hoje ninguém teria descoberto nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como bom empresário, o vô também fazia negócios. Dizem que era péssimo para os negócios. E os seus negócios eram estranhos: trocava desde relógios por passarinhos até égua por correntes de ouro. Um dia ele chegou com uma égua em casa e semanas depois teve que conseguir uma carroça pra justificar a nova aquisição. Então aproveitou e virou carroceiro também. O velório do meu vô, por exemplo, foi todo pago com a venda dos passarinhos, que eram todos de primeira categoria. O argumento pra dar valor às suas coisas era sempre o mesmo, que ele julgava definitivo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pode ter igual, mas melhor não tem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu aprendi muitas coisas com o meu vô. Pra me ensinar a nadar, por exemplo, ele me jogou do trapiche de Coqueiros, quando a praia de Coqueiros já nem era lá aquelas coisas, e ficou analisando de longe o meu desempenho. Era um método pedagógico muito valorizado. E meu vô também era um bom conselheiro, o que não lhe rendeu nenhuma profissão, mas muito ensinamento para os netos. Quando eu comecei a namorar, meu vô ficou preocupado. Seus assuntos preferidos eram três: música, mulher e futebol, exatamente nesta ordem. De modo que um dia ele me chamou no canto e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pintinho – ele me chamava assim – homem que é homem tem que namorar mulher feia também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando meu vô faleceu – já faz quase dez anos – eu ainda não era escritor, mas tenho certeza de que se ele estivesse vivo, com a falta de paciência que tinha com os netos, não daria a mínima para os meus textos. Meu vô não era homem dado à conversa fiada e muito menos à poesia, coisas que, como todos sabemos, não levam a lugar nenhum. Meu vô era homem sério. Era um homem inteiramente dedicado ao trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5661895516904856752?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5661895516904856752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5661895516904856752' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5661895516904856752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5661895516904856752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/05/as-profissoes-do-meu-vo.html' title='As profissões do meu vô'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4861538191214628216</id><published>2011-05-16T11:14:00.000-03:00</published><updated>2011-05-16T11:15:26.412-03:00</updated><title type='text'>Pau que nasce torto</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3311620.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17118&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Zuleika Zimbábue, segundo as más línguas, é mulher. Criada pelo ator Paulo Vasilescu há uns dez anos, Zuleika faz de tudo um pouco, digamos: canta, dança, pinta, borda, rebola – mas não rebola muito, pois há algo de durona nela – e também, nas horas vagas, fala mal dos outros. Sua aparição geralmente é semanal – bate ponto todas as terças-feiras, sempre no Blues Velvet, bar no centro da Capital – mas agora Zuleika resolveu pagar de fina e foi fazer um concerto no teatro da UBRO. Muito fina mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um blaser preto e tênis adidas, sóbria e penteada, Zuleika cantou coisas tristes, canções de família e aproveitou para falar mal de stand-up comedy. Depois, a diva bebeu cerveja e fumou no palco. “Eu não gosto de gente, eu sou um bicho, um animal selvagem, eu sou a filha legítima do capeta”, disse a traveca, com as luzes todas apagadas, procurando instaurar o medo em um público que lotou o teatro. Salvo engano, Zuleika não falou nenhum palavrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazia tempo que Zuleika não cantava no palco, preferindo os inferninhos sazonais da cidade. Mas ela sabe cantar como ninguém e você pode ouvi-la mesmo que não esteja bêbado. Desta vez, aliás, Zuleika não estava acompanhada por guitarra, baixo e bateria, e sim pelo piano de Diogo de Haro. O repertório também mudou. Foi de Chico Buarque de Holanda a Maria Bethânia. De Bang Bang a Depeche Mode. Só faltou, aliás, cantar bossa nova e Besame Mucho. Mas Zuleika não é biscate. Tem voz de macho. É a verdadeira filha bastarda do Frank Sinatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascida em Zimbábue, pra quem não sabe, a diva chegou em Santa Catarina com a proposta de atuar na Escola do Teatro de Ballet Bolshoi, mas não se adaptou como bailarina. Depois de fazer um rolo com a Márcia Mel, Zuleika veio passar uma temporada em Florianópolis, onde teve um caso com o Gil – quem não sabe quem é o Gil não sabe o que está perdendo – e passou a ser a primeira dama do Blues Velvet. Antes disso, a nossa diva foi backing vocal da Amy Winehouse, quando aprendeu a falar inglês britânico e a dar bafão, e também secretária da Yoko Ono. Ao que consta, Zuleika não dorme cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de seu nascimento, sua genética e seu objetivo de vida são desconhecidos. Zuleika Zimbábue não se resume a um verbete. No entanto, sabemos que janta todo sábado no McDonalds e anda de bicicleta depois pra emagrecer. Sabemos que é apresentadora de auditório e gerente de cabaret. Sabemos também que não gosta de literatura brasileira nem de revistas femininas. Ou seja, é uma artista cheia de complexos. Nunca escreveu um poema. Ela é boa mesmo no oral. Em metalinguagem, metateatro, metatudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das graças de Zuleika, como queira, é que nem todo mundo gosta dela. Duas tias deste cronista ficaram horrorizadas quando Zuleika, com uma de suas performances, em noite inspirada, deu pra falar mal da Glória Perez e da Hebe Camargo. A macaca falante, como se autointitula em seus monólogos, não está aí pra fazer ninguém feliz. Quem quer ser feliz que dê um jeito. Zuleika é fina, bonita e desagradável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, procuramos a artista para falar sobre seu último concerto, que tem um título muito grande pra publicar aqui, mas ela não quis nos atender. Primeiro ela disse que estava de ressaca. Depois, nos atendeu um tal de Tonhão. Então enviamos um e-mail desaforado e ela respondeu com poucas palavras: “Meukú”. Foi quando resolvemos passar trote pra sua casa, dizendo que era um jornalista do Le Monde, mas Zuleika reconheceu nosso sotaque. Enfim, Zuleika Zimbábue é mal educada. Não teve jeito. É mesmo uma artista de verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4861538191214628216?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4861538191214628216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4861538191214628216' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4861538191214628216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4861538191214628216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/05/pau-que-nasce-torto.html' title='Pau que nasce torto'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2605348372059570419</id><published>2011-05-09T09:21:00.001-03:00</published><updated>2011-05-09T09:24:43.175-03:00</updated><title type='text'>Roteiro sem nome</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3302585.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17067&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na última semana, uma pixação inusitada apareceu na parede do Museu Victor Meirelles, em Florianópolis: “Zeca Pires, o seu roteiro tem problemas sérios”. A frase já dividia opiniões na internet quando saiu uma matéria no Clicrbs, dois dias depois, denunciando a pixação. A matéria traz uma foto da pixação e um tom entre a denúncia e o mistério. O próprio cineasta, que gosta de dar entrevistas, convocado a dar sua opinião sobre a frase, afirma que “pichar o patrimônio público é inconcebível, ainda mais o museu, que eu sei das dificuldades que têm (sic) para sobreviver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pixação provoca estranhamento, segundo o comentário geral, porque não tem erros de ortografia. Chama a nossa atenção principalmente o cuidado com a vírgula, que conjuga o vocativo de maneira correta – diríamos perfeita. Um amigo nosso, que é professor universitário, nos diz que seus alunos frequentemente escorregam nestas construções. Por sua vez, se a caligrafia não é tão bonita, também não se pode dizer que é feia. Além de bem justificada, centralizada, a escrita é legível, digna. Nota-se que o pixador usava cadernos de caligrafia na escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outra maneira, não há qualquer insulto ao cineasta, nem nomes feios, de acordo com o imaginário estabelecido da pixação. Pelo contrário, a pixação tem um tom pedante de estudante de cinema, um ar de cachecol e óculos de tartaruga, algo entediado, coisa de gente que acabou de descobrir o cinema do Godard. A palavra “roteiro” e principalmente a construção “problemas sérios”, a seu modo, lembra debate de cineclube. Parece não haver também, por parte do pixador, um interesse específico em depredar o patrimônio público, pois com a tinta branca mais simples – e os museus geralmente dispõem destes materiais – é possível apagar a frase, que além de tudo é pequena e discreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixa de ser curioso que a matéria tenha sido publicada na página de entretenimento, e não nas páginas policiais. Geralmente os pixadores – pelo menos os tradicionais – estão preocupados com assuntos mais importantes. Se o autor da frase não é exatamente um pixador, no entanto, quem seria? Ou será que, após a Bienal de São Paulo, que privilegiou o pixo, estaríamos diante de uma geração de pixadores interessados em crítica de arte? O que uma antropóloga, afinal, diria sobre tudo isso? Vandalismo? Singularidade do sujeito urbano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não custa lembrar que, há poucos meses, o próprio Museu Victor Meirelles promoveu um curso de grafitti com Zezão, um dos principais grafiteiros de São Paulo, que recentemente foi enquadrado no artigo 65 da lei 9.605, por não possuir autorização para fazer o seu trabalho. O nome do curso que Zezão ministrou em Florianópolis era “Museu para a harmonia social, a partilha do sensível”. Nesta ocasião, Zezão e seus alunos grafitaram os tapumes que estavam dando sopa – limpinhos – ao redor da antiga câmara dos vereadores, na Praça XV, provocando uma treta com o fiscal do Ipuf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que a própria equipe de produção do filme contratou um pixador profissional pra fazer a frase – com verbas da Lei de Incentivo à Cultura – já que a pixação provocou uma das maiores publicidades espontâneas para um filme cheio de publicidade. A tese, no entanto, é controversa. Qual artista gostaria de ver uma verdade tão grande sobre a sua obra estampada justamente nas paredes de um museu? Será que o pixador viu o filme no Shopping Iguatemi? Mistério. Afinal, este também é um roteiro de mistérios. Só não tem bruxinhas e vampiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2605348372059570419?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2605348372059570419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2605348372059570419' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2605348372059570419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2605348372059570419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/05/roteiro-sem-nome.html' title='Roteiro sem nome'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-3181504508553909715</id><published>2011-05-02T09:26:00.001-03:00</published><updated>2011-05-02T09:29:08.601-03:00</updated><title type='text'>Crônica sem assunto</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3294051.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=17018&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Todo cronista, cedo ou tarde, acaba escrevendo uma crônica sobre a crônica que ele não escreveu, mas deveria ter escrito. É clássico. Nestas crônicas, o malandro vai enrolando o leitor, faz juras de amor e promessas, promete alhos e bugalhos, mas no fim não diz é nada com nada. Na verdade, enrolar o leitor é a essência da crônica. Em maior ou menor grau, é sempre disso que se trata. Como o cronista não é especialista em coisa alguma, ele nunca terá algo importante pra dizer. Se o poeta é um fingidor, como escreveu Fernando Pessoa em seu célebre poema, então o cronista é – no máximo– um mentiroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista a algum canal de TV fechada, o cronista dirá que às vezes falta assunto, mas é mentira. Escrever toda semana é osso, mas assunto não falta. Toda semana a tarifa de ônibus aumenta, estreia um filme catarinense ruim, o DEM muda de sigla, o Adriano faz rolo e algum secretário de cultura escreve uma carta aberta à imprensa com erros de ortografia. Assunto, de fato, nunca falta. O que falta é criatividade, empenho e um bom salário. Aliás, assunto sobra. Neste caso, seria mais franco e até mesmo mais convincente se o cronista afirmasse que o problema é o excesso de assuntos, não a falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, todo cronista dispõe de uma série de assuntos para os quais sempre recorre quando falta assunto. Quando não tinha ideia, depois de passar a semana inteira bebendo uísque nos bares de Copacabana, Stanislaw Ponte Preta abria as páginas policiais dos piores jornais cariocas. Sempre tirava uma história legal dali. Por sua vez, Vinícius de Moraes, quando não tinha ideia, mudava de mulher. Ao todo, foram nove crises criativas durante a vida. Nelson Rodrigues, o escritor mais alcoviteiro da literatura nacional, fazia uma visita na casa dos vizinhos. Os cariocas são os melhores cronistas justamente por esta capacidade de passar dias falando sobre qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os especialistas afirmam que uma das funções da crônica é apreender as mudanças sociais de uma cidade e discutir os assuntos diários. Na nossa opinião, no entanto, o papel do cronista é fazer com que o leitor não abandone a leitura de seu texto na metade. Há algumas maneiras de conseguir isso. Ser engraçadinho é uma delas. O cronista deve se comportar, para lembrar de Oswald de Andrade, como uma espécie de palhaço da burguesia. Por outro lado, é importante dizer também umas barbaridades. Uma estratégia eficaz é levar o leitor a sentir um pouco de raiva. Tem dado muito certo. Ao invés de conquistar a atenção do leitor pela inteligência, investe no lado emocional. Por exemplo, o cronista pode defender a ideia de que o Centro Integrado de Cultura deveria se tornar um campo de futebol. É necessário defender a tese até o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cronista mais bem sucedido, de qualquer modo, ainda é o cordial. Se o cara consegue fazer uma crônica sem assunto e com o espírito de cordialidade, jamais perderá o emprego. Um dos assuntos preferidos do cronista cordial é a preservação da natureza; outro é o incentivo à leitura. Nego fica o ano inteiro esperando começar alguma Feira do Livro pra elogiar a iniciativa, mesmo que na Feira só tenha livros de péssima qualidade. Ler é importante. No final das contas, o leitor sai reconfortado e o cronista segue feliz. Quem nos leu até aqui sabe muito bem de tudo isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-3181504508553909715?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/3181504508553909715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=3181504508553909715' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3181504508553909715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3181504508553909715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/05/cronica-sem-assunto.html' title='Crônica sem assunto'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-585929625540232648</id><published>2011-04-25T21:18:00.002-03:00</published><updated>2011-04-25T21:20:57.355-03:00</updated><title type='text'>Um minutinho, por favor</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Por Victor da Rosa para &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;amp;local=18&amp;amp;source=a3286017.xml&amp;amp;template=3916.dwt&amp;amp;edition=16974&amp;amp;section=1315"&gt;Diário Catarinense&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quem caminha pelo calçadão do centro da cidade – e não adianta querer fugir – vai se deparar com alguém lhe pedindo “um minutinho, por favor”. Tem um amigo nosso que, certa vez, resolveu parar pra conversar com todo mundo que lhe pediu o tal minutinho, só pra fazer a soma dos minutinhos no final, e o resultado deu três horas e meia. Só cartões de crédito lhe ofereceram uns 10. Aí este nosso amigo – que é meio desocupado, mas muito simpático – deixava o pessoal explicar todos os detalhes do cartão, todas as vantagens do banco, pedia que explicasse na boa, sem pressa, pois ele tinha todos os minutinhos necessários, até oferecia um chiclete e finalmente dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah, lembrei, estou com o nome sujo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O minutinho, de fato, tornou-se o nosso paradigma de tempo, como se o minuto, em algum momento da história, tivesse encolhido. Por isso, aliás, eu sou a favor das filas no trânsito: é quando a pessoa pode refletir sobre a própria vida, conversar com a família, ouvir uma música bacana, contemplar a paisagem ou até mesmo ficar calado; quer dizer, a fila humaniza o homem. O ônibus, então, virou um espaço privilegiado de socialização. Nas filas, você tem mais de uma hora, e não a miséria do minutinho, sem absolutamente nada pra fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, além do minutinho, se alguém ainda pede “por favor” – sejamos sinceros – é porque a pessoa quer alguma coisa em troca. E geralmente é dinheiro. Quando alguém me diz “por favor”, eu já tiro o meu talão de cheques. Afinal, ninguém mais é educado de graça. Se tem uma coisa que eu desconfio nesta vida, aliás, é de gente educada. Gente educada e atriz de teatro. Em resumo, quando o sujeito me aparece com “um minutinho” e “por favor” na mesma frase, unidos pela vírgula, boa coisa não pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem vive do minutinho, como se a vida coubesse na plataforma do twitter, tem que dar um jeito e se virar. O pior de tudo é que este pessoal que te pede um minutinho, geralmente, tem muito texto pra dizer. Verdade que tem aqueles que só entregam um panfleto e pronto, está feito. Aí é no paradigma do segundinho. Mas pensa em uma cigana, por exemplo. Com 140 caracteres, a cigana tem que adivinhar o seu passado, dar o sintoma do seu presente e ainda prever alguma coisa do seu futuro. E se a cigana fala alguma coisa que você não gosta, ainda é acusada de impostora. Aconteceu isso com o nosso amigo, que ficou irritado quando ela disse, ao ler a sua mão, que ele precisava arrumar um emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Olha quem fala! – respondeu este nosso amigo, que é muito simpático, mas meio desocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado das ciganas, ali na altura da esquina democrática – todo mundo me acompanha? – também tem muito destes caras que são contra tudo. Geralmente é um sujeito baixinho. Assim você não se dá conta da aproximação repentina e ele te pega de surpresa. Não sei se é de propósito, mas funciona bem. Na verdade, eu não sou contra o sujeito que é contra tudo. O problema é que eles querem te convencer, em um minutinho – estes não pedem “por favor” – de tudo aquilo que você já aprendeu com a professora do colégio. A estratégia de abordagem consiste em dizer algo muito suspeito – que são contra as pessoas com mais de 1m70cm, sei lá – pra que você responda qualquer coisa e caia na arapuca do malandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o leitor não tem um minutinho pra perder, diferente do nosso amigo, é melhor passar reto e não dar trela – ou, no máximo, deixar um “não, obrigado”, o que já é bem arriscado – pois a indiferença, neste caso, já está oficializada como direito do cidadão. Nesta situação, enfim, aviso que a coisa funciona mais ou menos como processo penal: quanto mais você responde, mais se compromete&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-585929625540232648?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/585929625540232648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=585929625540232648' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/585929625540232648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/585929625540232648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/04/um-minutinho-por-favor.html' title='Um minutinho, por favor'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6948384303999057285</id><published>2011-04-18T11:55:00.000-03:00</published><updated>2011-04-18T11:57:05.806-03:00</updated><title type='text'>Ronaldinho de Assis</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-cFciIyXlPZo/TaxRJ7mmeWI/AAAAAAAACII/J7QWtn4hsRE/s1600/DSC00012.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5596937667974953314" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-cFciIyXlPZo/TaxRJ7mmeWI/AAAAAAAACII/J7QWtn4hsRE/s400/DSC00012.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6948384303999057285?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6948384303999057285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6948384303999057285' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6948384303999057285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6948384303999057285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/04/ronaldinho-de-assis.html' title='Ronaldinho de Assis'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-cFciIyXlPZo/TaxRJ7mmeWI/AAAAAAAACII/J7QWtn4hsRE/s72-c/DSC00012.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2052345808027822506</id><published>2011-04-11T08:52:00.000-03:00</published><updated>2011-04-11T08:53:31.365-03:00</updated><title type='text'>GLBT Esporte Clube</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-WG0LPSdG5no/TaLrqoZKoWI/AAAAAAAACIA/LERx2uBSvqE/s1600/DSC00011.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594292804777582946" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-WG0LPSdG5no/TaLrqoZKoWI/AAAAAAAACIA/LERx2uBSvqE/s400/DSC00011.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2052345808027822506?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2052345808027822506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2052345808027822506' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2052345808027822506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2052345808027822506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/04/glbt-esporte-clube.html' title='GLBT Esporte Clube'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-WG0LPSdG5no/TaLrqoZKoWI/AAAAAAAACIA/LERx2uBSvqE/s72-c/DSC00011.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4919131163268262488</id><published>2011-04-06T20:03:00.002-03:00</published><updated>2011-04-06T20:13:16.036-03:00</updated><title type='text'>Caros:</title><content type='html'>Vou dar uma parada com o blog, pois estou com muito trabalho e não dou mais conta de escrever aqui com o ritmo que escrevia, ritmo que considero essencial para mantê-lo. O blog continuará no ar, vou linkando as crônicas que publico todas as segundas e outros textos de crítica que eventualmente eu publicar, mas não devo escrever mais só para o blog. O que acho até uma pena - pra mim, pelo menos - pois os textos que escrevia aqui não cabem em outro lugar. Ou seja, estou parando porque não tenho tempo mesmo. Pelo menos enquanto eu não for demitido em algum dos dezessete trabalhos que estou fazendo. Enfim. Agradeço a participação de todos durante todo este tempo, a quem comentou na caixa de comentários, por e-mail e pessoalmente, pois escrever em blog, sobretudo, é escrever com os outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4919131163268262488?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4919131163268262488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4919131163268262488' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4919131163268262488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4919131163268262488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/04/caros.html' title='Caros:'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2332461139669316169</id><published>2011-04-03T11:49:00.004-03:00</published><updated>2011-04-03T13:23:06.050-03:00</updated><title type='text'>Promessa do bêbado</title><content type='html'>A única promessa que não é dívida é a promessa do bêbado; é dúvida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2332461139669316169?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2332461139669316169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2332461139669316169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2332461139669316169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2332461139669316169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/04/promessa-de-bebado.html' title='Promessa do bêbado'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1232098419652753436</id><published>2011-03-28T11:15:00.002-03:00</published><updated>2011-03-28T11:17:38.150-03:00</updated><title type='text'>promessa é dívida</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Ffa7hTYvOSc/TZCYVDhnG0I/AAAAAAAACH4/js8uVv1gxsM/s1600/DSC00006.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5589134625057741634" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-Ffa7hTYvOSc/TZCYVDhnG0I/AAAAAAAACH4/js8uVv1gxsM/s400/DSC00006.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1232098419652753436?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1232098419652753436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1232098419652753436' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1232098419652753436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1232098419652753436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/promessa-e-divida.html' title='promessa é dívida'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Ffa7hTYvOSc/TZCYVDhnG0I/AAAAAAAACH4/js8uVv1gxsM/s72-c/DSC00006.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6754590732566495327</id><published>2011-03-25T00:03:00.000-03:00</published><updated>2011-03-25T00:05:44.202-03:00</updated><title type='text'>O último ismo</title><content type='html'>O único ismo que ainda não sucumbiu foi o onanismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6754590732566495327?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6754590732566495327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6754590732566495327' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6754590732566495327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6754590732566495327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/o-ultimo-ismo.html' title='O último ismo'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1160274091460883078</id><published>2011-03-21T12:12:00.000-03:00</published><updated>2011-03-21T12:14:19.189-03:00</updated><title type='text'>versão 2.0</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jkJD4gjUsTo/TYdrGhqntOI/AAAAAAAACHo/SgJL7EQBW10/s1600/DSC00081.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 300px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5586551622636909794" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-jkJD4gjUsTo/TYdrGhqntOI/AAAAAAAACHo/SgJL7EQBW10/s400/DSC00081.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1160274091460883078?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1160274091460883078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1160274091460883078' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1160274091460883078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1160274091460883078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/versao-20.html' title='versão 2.0'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-jkJD4gjUsTo/TYdrGhqntOI/AAAAAAAACHo/SgJL7EQBW10/s72-c/DSC00081.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-3963103076967897016</id><published>2011-03-20T20:41:00.001-03:00</published><updated>2011-03-20T20:41:35.343-03:00</updated><title type='text'>Readymade</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-yflzD9JxsOE/TYTBS243zgI/AAAAAAAACHg/6mDC9W5y8dU/s1600/s1.png"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585801967562116610" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-yflzD9JxsOE/TYTBS243zgI/AAAAAAAACHg/6mDC9W5y8dU/s400/s1.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-qDdrC8cL-Xc/TYTBIPGe1cI/AAAAAAAACHY/VJ_nKtpr854/s1600/s3.png"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585801785083090370" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-qDdrC8cL-Xc/TYTBIPGe1cI/AAAAAAAACHY/VJ_nKtpr854/s400/s3.png" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-3963103076967897016?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/3963103076967897016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=3963103076967897016' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3963103076967897016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3963103076967897016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/readymade.html' title='Readymade'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-yflzD9JxsOE/TYTBS243zgI/AAAAAAAACHg/6mDC9W5y8dU/s72-c/s1.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5927047630437158343</id><published>2011-03-18T09:55:00.000-03:00</published><updated>2011-03-18T09:56:14.166-03:00</updated><title type='text'>Trocadilho líquido</title><content type='html'>&lt;em&gt;Bauman é um diluidor.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5927047630437158343?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5927047630437158343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5927047630437158343' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5927047630437158343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5927047630437158343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/trocadilho-liquido.html' title='Trocadilho líquido'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-3349194323410488587</id><published>2011-03-16T10:00:00.008-03:00</published><updated>2011-03-16T10:23:32.775-03:00</updated><title type='text'>Duas mulheres e um segredo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-juytJ17R7bk/TYC25MpXQZI/AAAAAAAACHQ/cCcSblJqda0/s1600/20175_298475449044_648854044_4727879_3493005_n.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5584664631702929810" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-juytJ17R7bk/TYC25MpXQZI/AAAAAAAACHQ/cCcSblJqda0/s400/20175_298475449044_648854044_4727879_3493005_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum dia da semana passada, passeando pela Praia Mole, duas mulheres foram fotografadas vestidas de maneira inadequada, como se vê, após terem feito compras na Sul Nativo e na Paulo Valle, dentre outras lojas que não puderam ser identificadas. Em torno das duas horas da tarde, conforme acompanhou um dos nossos correspondentes, sob os olhos incrédulos dos banhistas e dos surfistas, elas desfilaram durante uns trinta minutos e voltaram para o carro, como se nada estivesse acontecido. Pelo sotaque, diz o correspondente, é provavél que fossem duas paulistanas. Durante o percurso, elas conversavam sobre frivolidades, até onde foi possível acompanhar, como o paredão do Big Brother e o documentário sobre Vik Muniz. Uns dizem que as mulheres estavam em busca dos respectivos maridos; outros dizem, com algum exagero, que elas haviam acabado de fugir do hospício; mas a verdade é que pouco se sabe sobre as suas identidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fGSxUPyXDJc/TYC20Tj4nxI/AAAAAAAACHI/XpPn7YGPscI/s1600/20175_298484239044_648854044_4727996_8341562_n.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5584664547659652882" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-fGSxUPyXDJc/TYC20Tj4nxI/AAAAAAAACHI/XpPn7YGPscI/s400/20175_298484239044_648854044_4727996_8341562_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-one7K1ZBFfY/TYC2vBncA5I/AAAAAAAACHA/cj2dapPzzq4/s1600/20175_298484254044_648854044_4727997_6225413_n.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5584664456943371154" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-one7K1ZBFfY/TYC2vBncA5I/AAAAAAAACHA/cj2dapPzzq4/s400/20175_298484254044_648854044_4727997_6225413_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-3349194323410488587?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/3349194323410488587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=3349194323410488587' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3349194323410488587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3349194323410488587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/duas-mulheres-e-um-segredo.html' title='Duas mulheres e um segredo'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-juytJ17R7bk/TYC25MpXQZI/AAAAAAAACHQ/cCcSblJqda0/s72-c/20175_298475449044_648854044_4727879_3493005_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6681753242211079118</id><published>2011-03-14T09:50:00.011-03:00</published><updated>2011-03-14T10:41:11.475-03:00</updated><title type='text'>Um jogador e meio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-33lKvqah9Sg/TX4VDqexXaI/AAAAAAAACGo/nZH6at4F78s/s1600/roleta-casino.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 200px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583923740673138082" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-33lKvqah9Sg/TX4VDqexXaI/AAAAAAAACGo/nZH6at4F78s/s200/roleta-casino.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cdpURYndqWs/TX4VTuCcYEI/AAAAAAAACG4/pI9BRvF433U/s1600/fiodor-dostoievski-o-jogador.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 136px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583924016505970754" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-cdpURYndqWs/TX4VTuCcYEI/AAAAAAAACG4/pI9BRvF433U/s200/fiodor-dostoievski-o-jogador.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevia &lt;em&gt;Crime e Castigo&lt;/em&gt;, como se sabe, Dostoiévski se afundava em dívidas. Boris Schnaiderman, que tem o nome ainda mais difícil de escrever, nos conta - se desculpando sob a alegação de que a história já é conhecida - que Dostoiévski publicou &lt;em&gt;Um jogador&lt;/em&gt; para ganhar algum trocado e pagar as contas. O escritor deixou de lado a obsessão por seu grande romance - dizem que era um sujeito muito obsessivo - e ditou &lt;em&gt;Um jogador&lt;/em&gt; em exatos e surpreendentes 26 dias. "Seu horário de trabalho consistia no seguinte: passava as manhãs rascunhando os materiais a ditar; a taquígrafa chegava em sua casa ao meio-dia, e ele ficava ditando até as quatro. Ela levava para casa as folhas taquigrafadas e efetuava a transcrição. E no decorrer daqueles 26 dias, Dostoiévski procedeu também à correção do texto final", escreve Schnaiderman. É preciso que se diga que &lt;em&gt;Um jogador&lt;/em&gt; não é um grande livro - isso se tratando de Dostoiévski - mas e daí? O mais curioso da história, e isso Boris Schnaiderman prefere não dizer, embora seja um pouco óbvio - será que o crítico não diz justamente por isso? - é que o livro trata, como um negativo da vida, de uma velha rica que perde grande parte de sua fortuna em dois dias de jogo; depois o protagonista ganha, mas isso, talvez, passa a ser o menos importante. Em outras palavras, como em uma gangorra que equilibra a ficção de um lado e a realidade de outro, para que Dostoiévski pague as suas dívidas, é necessário que a sua personagem caía em ruínas. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6681753242211079118?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6681753242211079118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6681753242211079118' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6681753242211079118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6681753242211079118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/um-jogador-e-meio.html' title='Um jogador e meio'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-33lKvqah9Sg/TX4VDqexXaI/AAAAAAAACGo/nZH6at4F78s/s72-c/roleta-casino.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-926559071011504571</id><published>2011-03-12T16:49:00.000-03:00</published><updated>2011-03-12T16:50:06.755-03:00</updated><title type='text'>Fod, por Cláudio Trindade</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-j3FrJa0G_d4/TXvOYpnFzfI/AAAAAAAACGI/fB_Og8KGAP4/s1600/POEMA_%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 134px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583283085937855986" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-j3FrJa0G_d4/TXvOYpnFzfI/AAAAAAAACGI/fB_Og8KGAP4/s400/POEMA_%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-926559071011504571?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/926559071011504571/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=926559071011504571' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/926559071011504571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/926559071011504571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/fod-por-claudio-trindade.html' title='Fod, por Cláudio Trindade'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-j3FrJa0G_d4/TXvOYpnFzfI/AAAAAAAACGI/fB_Og8KGAP4/s72-c/POEMA_%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4549884841440802417</id><published>2011-03-09T11:52:00.007-03:00</published><updated>2011-03-09T12:54:21.201-03:00</updated><title type='text'>A banana do King Kong</title><content type='html'>Não poderia haver fantasia mais propícia para a Valesca Popozuda [sic] do que a banana do King Kong. Devo ter lido umas dez matérias sobre esta moça, todas dizem que ela saiu "nua, fantasiada de banana e com o corpo pintado", mas ninguém diz que a coxa desta mulher é bizarra. Sério, nudez e corpo pintado não deveriam ser manchete no Carnaval; o que dá uma matéria boa, de jornalismo investigativo, é a coxa desta mulher. Trocando em miúdos, o King Kong ao lado da Valesca Popozuda é um macaquinho de pelúcia adorável. Dizem até que o King Kong não quis entrar na Sapucaí quando viu a banana que esperava por ele; mentiram para o bichinho dizendo que a banana seria a Sandy. Daí o atraso da Salgueiro. O macacão teria exigido: &lt;em&gt;quero voltar pra Hollywood agora&lt;/em&gt;!, e empacou na curva. Enquanto isso, o repórter da Rede Globo entrevistava exatamente o joelho da Valesca, que depois subiu nas mãos do King Kong, após a birra, auxiliada por um guindaste. Um guindaste!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-g7gpwdx6C-M/TXeeGsUQlnI/AAAAAAAACGA/_i51HGnAoZQ/s1600/aasmuusass3.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 309px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582104100961556082" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-g7gpwdx6C-M/TXeeGsUQlnI/AAAAAAAACGA/_i51HGnAoZQ/s400/aasmuusass3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4549884841440802417?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4549884841440802417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4549884841440802417' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4549884841440802417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4549884841440802417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/banana-do-king-kong.html' title='A banana do King Kong'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-g7gpwdx6C-M/TXeeGsUQlnI/AAAAAAAACGA/_i51HGnAoZQ/s72-c/aasmuusass3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7824662531480992506</id><published>2011-03-06T14:23:00.001-03:00</published><updated>2011-03-06T14:25:12.947-03:00</updated><title type='text'>Crônica de carnaval</title><content type='html'>&lt;em&gt;Estou&lt;/em&gt; &lt;em&gt;emprestável&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7824662531480992506?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7824662531480992506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7824662531480992506' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7824662531480992506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7824662531480992506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/cronica-de-carnaval.html' title='Crônica de carnaval'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8423699460688006730</id><published>2011-03-05T10:19:00.005-03:00</published><updated>2011-03-05T10:53:06.828-03:00</updated><title type='text'>Obra de peso</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xPOKvVfQtSs/TXI-y_Cmf-I/AAAAAAAACFo/BKBXzaVxvKg/s1600/10469024.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 275px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580591933902192610" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-xPOKvVfQtSs/TXI-y_Cmf-I/AAAAAAAACFo/BKBXzaVxvKg/s400/10469024.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na última quinta-feira, na cidade de Joinville, foi inaugurada uma instalação pública do grande artista alemão Markus Lupertz. A obra, que pesa em torno de 30 toneladas - jamais houve em Santa Catarina a realização de uma escultura com tanto peso - consiste em um caminhão afundado em uma praça da cidade. Segundo o artista - que esteve na cidade para a inauguração, mas falou pouco - a obra tematiza o caos urbano. Financiada pela Fundação Cultural de Joinville, a instalação de Lupertz causou polêmica na provinciana cidade catarinense. &lt;em&gt;Isso é arte?,&lt;/em&gt; pergunta uma transeunte desavisada que estava passando por acaso na praça Dario Salles. Além de degradar uma praça da cidade, a obra também degradou os cofres públicos. Para ser realizada em sua plenitude, a obra contou com a mão-de-obra de mais de 10 profissionais, além de estadia, alimentação, passagem área e cachê do alemão, que não foi divulgado. De outra maneira, a escultura ironiza o próprio poder público na medida em que se apropria de um caminhão da própria Secretaria de Infraestrutura da cidade. O curador da obra, no entanto, não concorda com as acusações: &lt;em&gt;A obra não degrada, ela mimetiza a degradação&lt;/em&gt;, argumenta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8423699460688006730?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8423699460688006730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8423699460688006730' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8423699460688006730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8423699460688006730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/obra-de-peso.html' title='Obra de peso'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-xPOKvVfQtSs/TXI-y_Cmf-I/AAAAAAAACFo/BKBXzaVxvKg/s72-c/10469024.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7941065674333170532</id><published>2011-03-03T14:03:00.001-03:00</published><updated>2011-03-03T14:03:38.144-03:00</updated><title type='text'>Ontologia da piriguete</title><content type='html'>Ontem fui convidado pra ser cronista fixo do Diário Catarinense. Recebi telefonema às 16h; foi marcado um café às 17h; às 18h estava fechado; às 19h fui beber com os amigos; às 3h da manhã eu tive a idéia para a primeira crônica. O título será: Ontologia da piriguete. Deve sair ainda em março.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7941065674333170532?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7941065674333170532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7941065674333170532' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7941065674333170532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7941065674333170532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/ontologia-da-piriguete.html' title='Ontologia da piriguete'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6180802742813821504</id><published>2011-03-01T11:22:00.003-03:00</published><updated>2011-03-01T12:01:32.060-03:00</updated><title type='text'>interartive.org #29</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-fXUktWCktvk/TW0Bo-1jGhI/AAAAAAAACFY/BkvN88NjGco/s1600/interartive29.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 282px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579117316955904530" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-fXUktWCktvk/TW0Bo-1jGhI/AAAAAAAACFY/BkvN88NjGco/s400/interartive29.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Revista &lt;a href="http://interartive.org/"&gt;Interartive &lt;/a&gt;chega ao número 29 com textos sobre assuntos mais variados: arquivo na internet, o grupo tropicalista Dzi Croquettes, Patti Smith e arte no Egito. Nesta edição, está também o texto que escrevi sobre Jorge Macchi - que, aliás, também foi publicado recentemente no &lt;a href="http://linkillo.blogspot.com/2011/02/reaccion-reacoes-o-que-restou-de-uma.html"&gt;blog do crítico argentino Daniel Link&lt;/a&gt; - e uma entrevista com o artista Péter Forgács. Apareçam e divulguem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6180802742813821504?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6180802742813821504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6180802742813821504' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6180802742813821504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6180802742813821504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/03/interartiveorg-29.html' title='interartive.org #29'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-fXUktWCktvk/TW0Bo-1jGhI/AAAAAAAACFY/BkvN88NjGco/s72-c/interartive29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-905263967296030740</id><published>2011-02-28T00:03:00.003-03:00</published><updated>2011-02-28T00:19:30.592-03:00</updated><title type='text'>Kerouac e Zeca Pagodinho</title><content type='html'>Os artistas, como se sabe, precisam cada vez falar mais: ter opiniões, algum empenho na vida pública, defender a própria obra, estas coisas. Isso pode ser uma contingência - afinal, como queira, as coisas mudaram - mas pode ser também um sintoma de que estamos, talvez, mais histriônicos. A entrevista, neste contexto, tornou-se o meio mais recorrente através do qual o artista fala. Mais do que um meio, a entrevista tornou-se um fim em si. Silviano Santiago chegou a pensá-la como um gênero, uma forma de linguagem que passa a ter normas próprias, estilos, estratégias. Nisso, há muitas variantes, muitas coisas a discutir, e muitas coisas até complicadas, mas nada disso vem ao caso agora. Eu quero só dizer que gosto das entrevistas, de maneira geral, e há duas - uma com Jack Kerouac e outra com Zeca Pagodinho - que sempre volto a ver, como acontece com os clássicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-8wwmbzWHspo/TWsGh0cevTI/AAAAAAAACFI/9eHOnBzpAls/s1600/hqdefault.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578559741512039730" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-8wwmbzWHspo/TWsGh0cevTI/AAAAAAAACFI/9eHOnBzpAls/s400/hqdefault.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.lpm-editores.com.br/multimidia/default.asp?MidiaID=505184"&gt;A entrevista com Kerouac &lt;/a&gt;foi realizada na Itália, em um programa televisivo, provavelmente em meados da década de sessenta; a entrevista com Zeca, por sua vez, é de 1995, feita no programa de um Jô Soares bem mais interessante do que o de hoje. Os dois entrevistados, digamos com franqueza, estão bêbados; ou mais exatamente: Zeca está soltinho, apenas, e Kerouac mal consegue pronunciar as palavras. Em ambas as entrevistas, aliás, a bebida é tema e procedimento, ao mesmo tempo. Kerouak, na prática, realiza uma espécie de jornalismo gonzo: toda a conversa com a italiana Fernanda Pivano é absurda, nada ali faz muito sentido, embora a entrevistadora busque - mais de uma vez - falar sério, estabelecer alguma ordem na comunicação; tudo inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda Pivano pergunta, por exemplo, aquilo que todo jornalista pergunta a um escritor: &lt;em&gt;Pode nos dizer qual escritor teve influência na sua maneira de escrever?&lt;/em&gt; - e recebe a seguinte resposta: &lt;em&gt;Dante não! &lt;/em&gt;Pior do que isso, Kerouac interrompe a entrevistadora (inúmeras vezes) pra lhe dar umas cantadas escrotas - "As pessoas lhe odeiam porque você é linda" - e dizer aliterações sem sentido, como se aquilo fosse uma performance dadá: "bum bum bum!" A graça da entrevista, em grande parte, contra o próprio procedimento da entrevista, torna-se justamente esta: a completa falta de entendimento entre Kerouac e a entrevistadora. É como se Kerouac, que fala umas cinco línguas diferentes em cinco minutos, estivesse fazendo uma performance pra ele mesmo. &lt;em&gt;Eu não quero ser uma bicicleta!,&lt;/em&gt; diz de repente. De outra maneira, suas provocações também colocam a entrevistadora em situações difíceis: &lt;em&gt;Uma coisa engraçada é que na Itália não tem bons poetas&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Vbpkl_58csc/TWsHHDT5ldI/AAAAAAAACFQ/x9xZkxabLds/s1600/zeca.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578560381157742034" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Vbpkl_58csc/TWsHHDT5ldI/AAAAAAAACFQ/x9xZkxabLds/s400/zeca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=r0fm2tDsYfY&amp;amp;feature=related"&gt;A entrevista com Zeca &lt;/a&gt;é diferente. Apesar dos dois copos de whisky que provavelmente bebeu antes de entrar no programa, as coisas que ele diz fazem sentido. Pra dizer o mínimo, fazem até bastante sentido. Neste caso, o interesse surge provavelmente do motivo oposto: do completo entrosamento entre o entrevistado e o entrevistador. De fato, é como se Zeca estivesse na sala de casa. Depois dos cinco minutos de entrevista, pede um copo de whisky pro Alex. Antes, faz uma espécie de declaração amorosa pra sua mulher, com fundo musical do piano. &lt;em&gt;Minha mulher é uma uva&lt;/em&gt;, resume. Com um jeito meio cínico, provoca riso mesmo quando diz as coisas mais óbvias; ou talvez seja esta uma de suas principais habilidades: explicitar o óbvio, reafirmar a imagem de bom malandro e jogar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora já estivesse exatamente no topo da carreira, Zeca Pagodinho não se preocupa em dizer apenas o que lhe convém. E isso fica claro já no primeiro minuto. Zeca conta histórias hilárias sobre os empregos que teve quando ainda não fazia música: garçom, bicheiro. Além do mais, exerce ali toda a sua qualidade de improvisador. Quando é necessário, escapa de saias justas com uma rapidez surpreendente. Por outro lado, como um excelente narrador, sabe conduzir o interesse do ouvinte através de narrações mais longas, como a história de quando perdeu parte de seu dedo, cortando salame, bêbado, naturalmente. Enfim, as entrevistas, de tão perfeitas, às vezes parecem cenas ensaiadas. É claro que fui procurar outras entrevistas de Kerouac e Zeca Pagodinho, mas não encontrei nada tão bom. A qualidade das entrevistas, afinal de contas, tem este mistério: a impossibilidade da repetição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-905263967296030740?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/905263967296030740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=905263967296030740' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/905263967296030740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/905263967296030740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/kerouac-e-zeca-pagodinho.html' title='Kerouac e Zeca Pagodinho'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8wwmbzWHspo/TWsGh0cevTI/AAAAAAAACFI/9eHOnBzpAls/s72-c/hqdefault.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2926973184305028378</id><published>2011-02-24T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-02-24T00:00:58.600-03:00</updated><title type='text'>Catálogo da Casa [lançamento]</title><content type='html'>Na próxima terça-feira, dia primeiro de março, será lançado o catálogo da exposição &lt;em&gt;Casa&lt;/em&gt;, de Lucila Vilela, que organizei ao lado da artista. O catálogo, que será distribuído gratuitamente, conta com quatro textos e com uma série de anotações escrita por diversas pessoas que visitaram a exposição. A concepção visual da publicação foi realizada pelo artista Zé Lacerda - sou suspeito pra falar, naturalmente, mas realmente está bárbara - e todas as fotografias são da autoria de Cristiano Prim. O lançamento será no Café Cultura do Centro, em Florianópolis, a partir das 18h, até às 21h. Apareçam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cHfjPRIrDH8/TWXDMNbzt4I/AAAAAAAACFA/MspHP9YF0Pc/s1600/convite%25282%2529.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577078328100370306" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-cHfjPRIrDH8/TWXDMNbzt4I/AAAAAAAACFA/MspHP9YF0Pc/s400/convite%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2926973184305028378?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2926973184305028378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2926973184305028378' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2926973184305028378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2926973184305028378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/catalogo-da-casa-lancamento.html' title='Catálogo da Casa [lançamento]'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-cHfjPRIrDH8/TWXDMNbzt4I/AAAAAAAACFA/MspHP9YF0Pc/s72-c/convite%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7169259473120531843</id><published>2011-02-22T00:05:00.007-03:00</published><updated>2011-02-22T00:57:57.957-03:00</updated><title type='text'>Bárbaro &amp; nosso [entrevista com Pola Oloixarac]</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Publicado no &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4911"&gt;Cronópios&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-7eKtD82356g/TWMjO94V1KI/AAAAAAAACEQ/1FljUPrhKfI/s1600/pola.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576339503650821282" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-7eKtD82356g/TWMjO94V1KI/AAAAAAAACEQ/1FljUPrhKfI/s400/pola.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[ Pola sendo assediada por paparazzis bariloches ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase três anos depois de ter causado boas polêmicas em Buenos Aires, ao ser apontada por Ricardo Píglia como um grande acontecimento da novela argentina – mas não apenas isso, digamos assim – chega ao Brasil o livro de estréia de Pola Oloixarac, 33, através do selo Benvirá, da Editora Saraiva: As Teorias Selvagens. Entre a ficção e a teoria, o erotismo e a sátira, o mundo nerd e as políticas contemporâneas, As teorias poderiam ser descritas como uma etnografia extravagante da Academia. O livro de Pola, no entanto, embora a autora ironize e diga que faz “entretenimento de primeiro nível para os nerds do mundo”, não chega ao Brasil pra se tornar consenso. Seja como for, neste caso, recomenda-se que o leitor é que se vire. Na entrevista, Pola fala do impacto que seu livro tem causado, das traduções, do Brasil, de suas preferências musicais – “Chico Buarque, Os Mutantes, Jobim, Xuxa” – e do dia que encontrou Beatriz Sarlo na Bahia, em meio a um temporal tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias de três linhas&lt;/strong&gt; - O seu début para os leitores brasileiros, uma boa coincidência, acontece em uma FLIP em que o homenageado será Oswald de Andrade, o mais selvagem dos nossos teóricos, eu diria. Poderia falar sobre a tua relação com a cultura brasileira? Há algum escritor ou artista brasileiro importante para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pola Oloixarac&lt;/strong&gt; - Clarice Lispector, sem dúvida. Quando era pequena, estava perdida por Jorge Amado, o Capitão do Ultramar foi meu livro favorito durante muito tempo. Também tenho lido com muito interesse as teorias maravilhosas de Oswald, e devoro tudo o que escreve o Raul Antelo, um teórico da universidade de Santa Catarina. Eu adoro a música do Brasil, tenho uma lista no meu ipod que se chama Dilma. Escuto sempre quando trabalho o Chico Buarque, Os Mutantes, Jobim, Xuxa, no loop. Às vezes misturo com Mozart e Schummann e Gorecki. Me faz bem à cabeça. Eu acho que a música dos anos 80 do Brasil, especificamente Gal Costa, foi um momento pop único no mundo. Gal Costa faz uma ponta no meu romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - Pelo que eu pude perceber, a recepção de seu livro em outros países, principalmente nos países de língua hispânica, como Espanha e Peru, esteve muito bem. Em 2011, além do Brasil, LTS será lançado em países como a França, Finlândia, Holanda e Portugal, se não estou enganado. São países com culturas literárias bem diferentes e além disso o texto será traduzido, passará por modificações. Qual é a tua expectativa com estes lançamentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-3j0OSao64PI/TWMj8e6EGbI/AAAAAAAACEw/l9l9HugA00Y/s1600/teorias_salvajes_Pola_Oloixarac1.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 118px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576340285610531250" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-3j0OSao64PI/TWMj8e6EGbI/AAAAAAAACEw/l9l9HugA00Y/s200/teorias_salvajes_Pola_Oloixarac1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RCFKFSFCrmc/TWMjyqWQ8hI/AAAAAAAACEo/-NCcKcex5_w/s1600/small.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 138px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576340116882911762" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-RCFKFSFCrmc/TWMjyqWQ8hI/AAAAAAAACEo/-NCcKcex5_w/s200/small.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Y8Esotauohw/TWMjr1CqiwI/AAAAAAAACEg/zMJKihUSwd0/s1600/teorias.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 126px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576339999494408962" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Y8Esotauohw/TWMjr1CqiwI/AAAAAAAACEg/zMJKihUSwd0/s200/teorias.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-owJDaUK0gZE/TWMjkTSX0cI/AAAAAAAACEY/uCKX2BL-Yk8/s1600/4791379941_80903265e1.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 127px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5576339870174400962" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-owJDaUK0gZE/TWMjkTSX0cI/AAAAAAAACEY/uCKX2BL-Yk8/s200/4791379941_80903265e1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PO&lt;/strong&gt; - Sim, também na Itália. Eu só tento levar entretenimento de primeiro nível pra todos os nerds do mundo. Eu quero que os leitores se divirtam, isso é o mais importante. Estou muito contente com a tradução feita pelo Marcelo Barbão. E agora a tradutora francesa, Isabelle Gugnon, está terminando a tradução para a Seuil, ainda não li mas estivemos muito em contato e, pela precisão, eu acho que ficará super legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - Você já está sendo apontada pelos especialistas brasileiros como a musa da FLIP de 2011. Xico Sá, por exemplo, sempre atento a estas questões, comemorou a notícia de sua vinda. O que você acha disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PO&lt;/strong&gt; - Ah!, aí já não sei... Uma musa é como um amor platônico... e minhas fantasias com os brasileiros são bem selvagens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - Você me disse que sua próxima novela, uma novela sobre orquídeas, que é uma de suas paixões - pelo que sei, você também cultiva uma paixão por franjas e por cultura nerd – começou a ser escrita no Brasil. O que você conhece do país? Pretende conhecer outros lugares, desta vez, além de Parati? Fale um pouco sobre a próxima novela e a relação da novela com o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PO&lt;/strong&gt; - Sim, eu conheço um pouco de Salvador, na Bahia, Ilhéus. Fiquei na Itacaré no reveillon de 2009, como o Sarkozy e a Carla Bruni haha (mas não no mesmo hotel). Eu adoro São Paulo, mas ainda não estive no Rio – depois da Flip eu irei pra lá. O reveillon na Bahia foi muito engraçado. Meu livro havia acabado de sair em Buenos Aires, e minha fantasia (absurda) era esquecê-lo por completo. Eu queria começar imediatamente a redação do meu novo romance – já estava tomando muitas notas no México e em São Francisco, e começar no Brasil, no reveillon, era o momento perfeito. Uma noite, em Salvador, estávamos em um restaurante, e de repente caiu uma chuva tropical, súbita. Então vi que estava a crítica argentina Beatriz Sarlo no restaurante. Era absurdo encontrar a crítica litéraria mais importante da Argentina a meia-noite na Bahia!! E ela estava presa, como nós. No dia seguinte me colocaram a pulserinha vermelha do Senhor do Bonfim. E no entanto a pulseirinha ainda não arrebentou, ou seja, tenho vivido com ela todo este tempo, durante toda a viagem exterior com As Teorias Selvagens desde o silêncio do meu computador até os barulhos da imprensa, as críticas, os escândalos, até sua aparição em português. Se a pulserinha não se romper até julho, em Paraty, vou cortá-la e lançá-la ao mar do Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7169259473120531843?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7169259473120531843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7169259473120531843' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7169259473120531843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7169259473120531843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/barbaro-nosso.html' title='Bárbaro &amp; nosso [entrevista com Pola Oloixarac]'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-7eKtD82356g/TWMjO94V1KI/AAAAAAAACEQ/1FljUPrhKfI/s72-c/pola.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7477179021839813879</id><published>2011-02-21T00:01:00.003-03:00</published><updated>2011-02-21T00:12:31.640-03:00</updated><title type='text'>Cadê você, cadê você</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-laKDR-JU8dM/TWHNbx5XBiI/AAAAAAAACEI/O_Ie0444_I4/s1600/geral_f02cor_2010120204.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 293px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575963690795468322" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-laKDR-JU8dM/TWHNbx5XBiI/AAAAAAAACEI/O_Ie0444_I4/s400/geral_f02cor_2010120204.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Imagino que o futebol, que se institucionaliza no momento em que surgem as vanguardas históricas - as primeiras Copas oficiais, por exemplo, acontecem no começo da década de trinta - alcança algo que a arte não conseguiu alcançar, embora tenha tentado: o entusiasmo das massas. Oswald de Andrade, que não gostava muito de futebol, sonhou um dia: “a massa ainda comerá do biscoito fino que eu fabrico". Diante da profecia frustrada de Oswald, porém, está a ironia certeira de Marcel Duchamp, ao sugerir que os happenings introduziram na arte um elemento que ninguém havia colocado: o aborrecimento. "Fazer uma coisa para aborrecer as pessoas que estão vendo, nunca havia pensado nisso!", diz Duchamp. Trocando em miúdos, o conceito de arte relacional, se colocado ao lado da velha geral do Maracanã, não passa de uma ninharia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja justamente o entusiasmo da multidão - a perda do sentido, o excesso, a euforia, até mesmo a loucura - o motivo mais recorrente em peças de arte que tematizam o futebol. No entanto, são poucas as peças que conseguem chegar, digamos, na intermediária. A maioria dos artistas, quando não cai no estereótipo, fica no aborrecimento mesmo. O recente documentário &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=2OoKlfvLLvY"&gt;Geral&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, um curta-metragem da carioca Anna Azevedo - exibido no 3 Festival do Júri Popular - é uma exceção da regra. Eu diria que a proposta da cineasta consegue fazer do futebol, mais do que um tema, o procedimento mesmo de seu filme. Em outras palavras, o documentário trata da geral do Maracanã e nos mostra, ao mesmo tempo, em forma de cinema, o seu ponto de vista; sendo mais claro: a sua singularidade. A proposta é complexa sobretudo porque, neste caso, além de entender de cinema, naturalmente, é preciso também conhecer de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Geral&lt;/em&gt; faz uma espécie de antropologia do invisível: documenta uma comunidade que está no limite do desaparecimento. A cineasta sabe disso, enquanto filma, e deseja que o espectador também saiba: um letreiro na abertura do filme nos diz que as imagens são do ano de 2005, "durante os últimos cinco jogos anteriores ao fim da Geral do Maracanã". Depois, Anna lida de maneira precisa com formas diferentes de fazer documentário: 1) o testemunho de um torcedor do Fluminense - apenas ele é entrevistado no filme - assíduo frequentador da geral; 2) imagens da multidão na geral, em diferentes situações, lembrando o documentário de Joaquim Pedro de Andrade sobre o Garrincha; 3) alguns planos-sequência de torcedores no meio da multidão, sempre sem ridicularizá-los, mas também sem qualquer omissão; 4) e os próprios jogos de futebol vistos segundo os ângulos truncados da geral, muito perto do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De outro modo, o filme trata seu material sem juízos de valor, preconceito, mas também sem qualquer fetiche. Tudo no filme, pelo contrário, parece ambivalente, atravessado por situações circulares, retornos. As imagens da multidão, portanto, servem de contraponto ao testemunho solitário do torcedor, que é entrevistado no estádio absolutamente vazio. O barulho da torcida é cortado por momentos de absoluto silêncio. Os insultos pelas declarações de amor. A alegria pela tristeza. O plural e o singular. Não há som exterior, aliás: toda a música do filme é retirada do próprio estádio. O procedimento do corte é quase sempre seco, interrompendo as cenas no meio, enfatizando o caráter fragmentário da geral, resultado de uma montagem primorosa. Em &lt;em&gt;Geral&lt;/em&gt;, enfim, talvez a pergunta chave esteja no próprio canto da torcida do Flamengo, presente nas primeiras cenas do documentário: &lt;em&gt;&lt;a href="http://letras.terra.com.br/flamengo/1512420/"&gt;êêê, cadê você, cadê você.&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe title="YouTube video player" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/2OoKlfvLLvY" frameborder="0" width="480" allowfullscreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7477179021839813879?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7477179021839813879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7477179021839813879' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7477179021839813879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7477179021839813879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/cade-voce-cade-voce.html' title='Cadê você, cadê você'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-laKDR-JU8dM/TWHNbx5XBiI/AAAAAAAACEI/O_Ie0444_I4/s72-c/geral_f02cor_2010120204.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8870588139514063621</id><published>2011-02-19T11:59:00.002-02:00</published><updated>2011-02-19T12:00:33.124-02:00</updated><title type='text'>MoMa, por Cláudio Trindade</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dViKVXlL0RA/TV_M6NR2UUI/AAAAAAAACEA/lfQD7GkP5so/s1600/Figura1.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 153px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575400164076966210" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-dViKVXlL0RA/TV_M6NR2UUI/AAAAAAAACEA/lfQD7GkP5so/s400/Figura1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8870588139514063621?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8870588139514063621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8870588139514063621' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8870588139514063621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8870588139514063621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/moma-por-claudio-trindade.html' title='MoMa, por Cláudio Trindade'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dViKVXlL0RA/TV_M6NR2UUI/AAAAAAAACEA/lfQD7GkP5so/s72-c/Figura1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-758582632950147325</id><published>2011-02-17T00:30:00.004-02:00</published><updated>2011-02-17T10:36:53.137-02:00</updated><title type='text'>Os livros que eu não li</title><content type='html'>Não li, não sou obrigado a ler. Não li os livros queimados, os palimpsestos apagados. Não li os livros que meu pai escreveria caso ele soubesse escrever. Não li os romances de James Joyce; afinal, quem leu? Não li os poemas de Coelho Neto; quem leu? Não li &lt;em&gt;A Divina Comédia&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;As&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Mil e uma noites&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Os Sertões&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Os Irmãos Karamazov;&lt;/em&gt; não deu tempo. Não devia ter lido tantos livros do Ítalo Calvino. Sou um erudito às avessas. Não li os mais lidos, os mais vendidos, os apedrejados. Não li sequer um verso do Affonso Romano de Sant'Anna, quase nada do Cruz e Sousa, a coluna semanal do Ferreira Gullar. Não li &lt;em&gt;A Moreninha, Leite Derramado&lt;/em&gt;. Aliás, não li quase nenhum romance brasileiro do século XIX; tenho mais o que fazer. Não li os poemas de Mário de Andrade, não li Balzac, estou esperando chegar aos trinta. Não li os romances de Susan Sontag, de Umberto Eco; penso que os críticos devem ter o bom senso de escrever romances curtos. Não li &lt;em&gt;A Teoria Estética&lt;/em&gt; do Adorno, nada do Alfredo Bosi, nada do Afrânio Coutinho. Jamais li um livro de espuma, de vento, de nada. Não li a metade dos meus amigos; os meus inimigos não me mandam mais os seus livros pelo correio. Li metade da metade da metade. Passei muito tempo sem conseguir terminar de ler um romance do Lobo Antunes, mas ele continuava sendo um dos meus escritores preferidos. Nunca li um romance com dez mil páginas. Não li tantos romances longos, comecei a ler &lt;em&gt;Dom Quixote&lt;/em&gt;, parei várias vezes, estou lendo outra vez, mas posso dizer que não li. Não li por falta de curiosidade, fadiga. Não li absolutamente nada de Jorge Amado, nem uma linha, mas não perdia as mini-séries na televisão quando era adolescente. Não li os poetas malditos, os escritores suicidas, os romancistas que nunca foram capazes de terminar sua obra-prima. Não li grandes gênios, os maiores, os imortais, os insuportáveis. Tenho amor próprio. Não li nada do que cheira a mofo, a pó. Não li os livros de José Sarney, mas morro de curiosidade. Não li as virgens, as donzelas, as putas, as piranhas, as drogadas. De fato, estou perdendo tempo. Não li Sarmiento, não li os poemas de Borges, os romances de Gabriel García Marquez, não li. Não quis ler, então não li, não pude, não deu tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-758582632950147325?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/758582632950147325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=758582632950147325' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/758582632950147325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/758582632950147325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/os-livros-que-eu-nao-li.html' title='Os livros que eu não li'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5350863147903699723</id><published>2011-02-16T00:02:00.004-02:00</published><updated>2011-02-16T00:20:46.960-02:00</updated><title type='text'>Perucas vão voar</title><content type='html'>No ano de 1924, dois eventos dadaístas - dois balés, aliás - causaram certo escândalo nas revistas parisienses de arte &amp;amp; fofoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1,&lt;/strong&gt; Em &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KKEKgnkCm9E"&gt;Relâche&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, espetáculo produzido pelos Ballets Suédois, Francis Picabia desenvolveu o cenário com uma estrutura de 370 &lt;em&gt;spots&lt;/em&gt;, sendo que cada um deles ainda era reforçado por um refletor de metal: todos virados para a platéia - em poucas palavras, luz suficiente pra cegar qualquer desgraçado. No primeiro ato - o balé era dividido em dois - as luzes eram usadas com parcimônia e delicadeza, realçando o caráter decorativo dos globos de cristal, até que a platéia inteira se convencesse de que ninguém ali era louco; no segundo ato, porém, de modo repentino e aleatório, como era de se esperar - estamos falando de Picabia, afinal - toda a potência daquele arsenal de luz era acionado, exatamente no olho, como se convidasse cada pessoa da platéia a levantar e ir embora. Em uma bela análise, Rosalind Krauss sugere que o aparato de Picabia, pelo caráter abrupto do seu ataque, sem nenhuma &lt;em&gt;finesse&lt;/em&gt; &amp;amp; etiqueta, desobedecendo a idéia de que o espectador tem controle sobre os acontecimentos, participa do gênero de terrorismo que Artaud prega em seu livro &lt;em&gt;O Teatro da Crueldade&lt;/em&gt;, quando diz: "O teatro, a exemplo dos sonhos, deve ser sangrento e desumano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KA6ZjUt2pT0/TVszq8IDA4I/AAAAAAAACC4/XPEN_MrHIww/s1600/picabia.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 272px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574105776588522370" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-KA6ZjUt2pT0/TVszq8IDA4I/AAAAAAAACC4/XPEN_MrHIww/s400/picabia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2,&lt;/strong&gt; George Antheil, compositor de vanguarda norte-americano, a pedido de Fernand Léger, que precisava de uma música para seu filme - &lt;em&gt;Ballet Mecánique - &lt;/em&gt;inventou algo bem estranho: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=R8Vn_65yBD4"&gt;uma peça musical para campainhas, sirenes, hélices de avião, xilofones e, vá lá, vários pianos também&lt;/a&gt;. A peça, que recebeu o mesmo título do filme de Léger, logo tornou-se célebre, e Antheil, um yankee muito esperto, resolveu apresentá-la ao vivo, em um teatro de Paris. Em &lt;em&gt;Música de Invenção&lt;/em&gt;, Augusto de Campos escreve que, em meio ao espanto dos incrédulos, quando foram acionadas as hélices do avião, meia dúzia de perucas das madames - principalmente daquelas que estavam sentadas na primeira fila - voaram pelo teatro como se fossem, sabe-se lá, passarinhos. O restante das pessoas, quem não precisou correr atrás de perucas, ficou pregado nas cadeiras, sem entender o que estava acontecendo. &lt;em&gt;Ballet Mecánique&lt;/em&gt;, na minha opinião, é o anúncio precoce do rock, gênero que George Antheil quase nada conheceu, infelizmente. O compositor morreu no ano de 1959, em Nova York, após sofrer um ataque cardíaco. Não se tem notícias sobre a música que ouvia na trágica ocasião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5350863147903699723?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5350863147903699723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5350863147903699723' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5350863147903699723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5350863147903699723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/perucas-vao-voar.html' title='Perucas vão voar'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KA6ZjUt2pT0/TVszq8IDA4I/AAAAAAAACC4/XPEN_MrHIww/s72-c/picabia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8387590982428661167</id><published>2011-02-14T12:38:00.009-02:00</published><updated>2011-02-14T13:26:22.150-02:00</updated><title type='text'>O riso como método</title><content type='html'>Michel Foucault, em &lt;em&gt;As palavras e as coisas&lt;/em&gt;, certamente um de seus livros mais importantes, em que o filósofo se dedica a reavaliar as relações possíveis entre linguagem e representação no Ocidente, começa o prefácio com as seguintes palavras: "Este livro nasceu de um texto de Borges. Do riso (...)" Não estaria delineado ali, no riso, o mesmo riso &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Gb7Ymk3RGdA"&gt;que acompanha Foucault nos debates&lt;/a&gt;, todo um dispositivo crítico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rr8Dw5MadO4/TVlDYRvshmI/AAAAAAAACCw/dQotpMTvibQ/s1600/foucault.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 350px; HEIGHT: 175px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573560098207073890" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-rr8Dw5MadO4/TVlDYRvshmI/AAAAAAAACCw/dQotpMTvibQ/s400/foucault.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8387590982428661167?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8387590982428661167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8387590982428661167' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8387590982428661167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8387590982428661167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/o-riso-como-metodo.html' title='O riso como método'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-rr8Dw5MadO4/TVlDYRvshmI/AAAAAAAACCw/dQotpMTvibQ/s72-c/foucault.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8208503451896976169</id><published>2011-02-13T02:34:00.006-02:00</published><updated>2011-02-13T12:15:59.820-02:00</updated><title type='text'>A samba-canção do Bezerra</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6U8yHG3jSiM/TVdgAvgiWlI/AAAAAAAACCg/W1Z8h0KQ4Yg/s1600/Bezerra_da_Silva.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 239px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573028629763480146" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-6U8yHG3jSiM/TVdgAvgiWlI/AAAAAAAACCg/W1Z8h0KQ4Yg/s400/Bezerra_da_Silva.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-H5YWI1IWbGs/TVdfhoUgWKI/AAAAAAAACCY/hZUhaXvmvzk/s1600/Bezerra_da_Silva.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bezerra da Silva, quando ainda vivia no morro do Cantagalo, passou uns dias juntando uma grana pra comprar uma cueca samba-canção que tinha visto em uma vitrine em Copacabana. Depois disso, Bezerra foi mendigo e assim ficou durante sete anos, até tornar-se o sambista que todo mundo conhece e alugar um apê no Botafogo, mas nada disso vem ao caso agora. A questão é que, no tempo da pendura, antes da mendicância e da fama, Bezerra cultivou este pequeno sonho: aparecer na porta do barraco posando com a bela samba-canção. O sambista, que trabalhava de pintor, fazia serviços gerais em construções, estas coisas, economizou uns trocados aqui, outros ali, e acabou comprando a samba-canção. Deixou a cueca preparada pra quando chegasse em casa, em plena sexta-feira, pudesse ter o prazer de vesti-la pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que quando Bezerra chega em casa - quem conta a história é o próprio - encontra a mulher com outro na cama, debaixo dos lençois, aos beijos e amores. Neste caso, tem flagrante. O amante, que decerto não era bobo, pula da cama, tenta escapar; e então a decepção de Bezerra é ainda maior, devastadora, de fato: o sujeito vestia justamente a samba-canção que o Bezerra havia acabado de comprar. Como é que é? Como é que tá? A confusão foi geral, Bezerra quer matar a mulher, fica descontrolado, apanha uma faca na cozinha, maior gritaria, o amante não sabe se corre, os vizinhos intervém, e Bezerra logo se acalma; acende um cigarro e diz pro malandro: &lt;em&gt;pode levar a mulher que ela não vale nada, mas a cueca, malandro, pode ir logo tirando, a cueca fica!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8208503451896976169?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8208503451896976169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8208503451896976169' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8208503451896976169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8208503451896976169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/samba-cancao-do-bezerra.html' title='A samba-canção do Bezerra'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6U8yHG3jSiM/TVdgAvgiWlI/AAAAAAAACCg/W1Z8h0KQ4Yg/s72-c/Bezerra_da_Silva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8229805987753488534</id><published>2011-02-10T12:01:00.001-02:00</published><updated>2011-02-10T12:02:42.676-02:00</updated><title type='text'>Pôr-do-sol, por Rafael Campos Rocha</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xfKluVI6ZNU/TVPvuc5-fmI/AAAAAAAACCQ/BHwdNjBswuw/s1600/pordosol.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 283px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572060745299820130" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-xfKluVI6ZNU/TVPvuc5-fmI/AAAAAAAACCQ/BHwdNjBswuw/s400/pordosol.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[ clique na imagem, como queira, para aumentá-la ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8229805987753488534?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8229805987753488534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8229805987753488534' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8229805987753488534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8229805987753488534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/por-do-sol-por-rafael-campos-rocha.html' title='Pôr-do-sol, por Rafael Campos Rocha'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-xfKluVI6ZNU/TVPvuc5-fmI/AAAAAAAACCQ/BHwdNjBswuw/s72-c/pordosol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-3626952987174151015</id><published>2011-02-09T00:08:00.002-02:00</published><updated>2011-02-09T00:30:37.885-02:00</updated><title type='text'>Reacción, reações: [o que restou de uma obra de Jorge Macchi]</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;Publicado no &lt;a href="http://www.mapadasartes.com.br/noticias.php"&gt;Mapa das Artes&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na abertura de uma exposição coletiva, &lt;a href="http://proa.org/esp/exhibition-of-bridges-and-borders.php"&gt;&lt;em&gt;Of Bridges &amp;amp; Borders&lt;/em&gt; – em cartaz na Fundación Proa&lt;/a&gt;, de Buenos Aires, desde o dia 22 de janeiro – um acidente casual, curioso, inaugurou um debate que nos remete, pelas direções mais imprevisíveis, a alguma polêmica sobre a arte contemporânea, a saber: a escritora e jornalista argentina Matilde Sánchez, autora de uma novela chamada &lt;em&gt;Los daños materiales&lt;/em&gt;, esbarrou em uma obra de Jorge Macchi, uma obra frágil, feita de vidro soprado, e fez da peça, afinal, um apanhado de restos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVHp5KABJ7I/AAAAAAAACCA/WXizrwY_oEM/s1600/exhibition-of-bridges-and-borders-jorge-macchi-1-big.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 253px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571491382180259762" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVHp5KABJ7I/AAAAAAAACCA/WXizrwY_oEM/s400/exhibition-of-bridges-and-borders-jorge-macchi-1-big.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a situação, aliás, como se aparecesse pronta, sugere uma ficção: a peça de Macchi, intitulada &lt;em&gt;Reacción&lt;/em&gt;, posicionada exatamente no meio da sala, mas quase invisível, consiste justamente em uma cerca, uma barreira com escala real – de vidro, transparente, não custa repetir – típica dos piquetes, que bloqueia a passagem, portanto, como lembrou a própria Sánchez em &lt;a href="http://www.clarin.com/sociedad/Cronica-insolito-Proa-enemiga-arte_0_415758461.html"&gt;um texto publicado no Clarín&lt;/a&gt;, mas também convoca a derrubá-la. O título da obra, de fato, que deve fazer menção ao próprio imaginário bélico que a peça sugere, a princípio – mesmo que sugira através da ironia – passa a ter outra ênfase após o acidente: a reação da reação. Por outro lado, pois se trata mesmo de reações, a situação parece exigir também uma postura do próprio Macchi: o artista deve permitir que a obra (ou o vestígio da obra, na verdade) permaneça na exposição? – ou, ao contrário, deve retirá-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Of Bridges &amp;amp; Borders&lt;/em&gt; é uma exposição que quer enfrentar conceitualmente o espaço autoritário da fronteira a partir de duas noções e um trocadilho, como queira: pontes &amp;amp; bordas. Neste contexto, digamos que tanto a &lt;em&gt;Reacción&lt;/em&gt; de Jorge Macchi quanto a reação de Matilde, o acidente, tornam-se ainda mais significativos, precisos: se a peça de Macchi lança mão de um objeto autoritário justamente para ironizá-lo através da fragilidade de seu material – construindo uma imagem ambivalente, inacabada e aberta, portanto – então é como se o acidente fosse necessário, inevitável. Em outras palavras, o acidente não faz mais do que atualizar aquilo que na obra já era latente: sua destruição. Devemos lembrar, outra vez, que a peça de Macchi – outra ironia – estava posicionada exatamente no meio da sala. A pergunta de Daniel Link, em uma provocação publicada em seu blog, mostra-se então pertinente: &lt;a href="http://linkillo.blogspot.com/2011/01/reaccion.html"&gt;¿de qué estamos hablando?: ¿de arte o de propiedad?&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A reação de Macchi, desta maneira, parece responder a pergunta de Link – que não deixa de ser também a pergunta de Roland Barthes refeita em outros termos: queremos tratar de texto ou de obra? Ao reivindicar que o resto de sua &lt;em&gt;Reacción&lt;/em&gt; fosse retirada da exposição, algumas horas após o acidente, segundo informa a própria Matilde Sánchez em sua confissão, o artista parece abrir mão de levar a relação entre arte e acidente, tão presente em toda sua trajetória, para dizer o mínimo, a situações mais extremas. Não precisamos, a meu ver, chegar ao ponto de defender uma co-autoria de Matilda Sanchez com Jorge Macchi; afinal, além de considerar a solução simples e fechada, não estamos tratando de propriedade, direito de autoria. Por outro lado, Macchi deve ter a consciência, sem ironia, de que está pisando em vidros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vidro, de fato, seja por sua fragilidade física ou pela transparência, embora seja frequentemente usado para proteger as obras, separá-las da vida, como recurso de controle mesmo, possui também a qualidade de colocar em risco um sistema formal: a qualquer momento algo pode se romper. A rachadura n’&lt;em&gt;O Grande Vidro&lt;/em&gt;, de Marcel Duchamp, neste sentido, tornou-se inaugural, mas não é o único caso. No Brasil, talvez seja Nuno Ramos – que aliás, recentemente, publicou um livro intitulado &lt;em&gt;O Mau Vidraceiro&lt;/em&gt; – o artista que mais investigou as possibilidades escultóricas do vidro, quase sempre representando certo risco, mas &lt;em&gt;Através&lt;/em&gt;, grande instalação de Cildo Meireles, ainda deve ser o exemplo mais contundente. Em &lt;em&gt;Buenos Aires Tour&lt;/em&gt;, por sua vez, livro do próprio Macchi, as linhas de rachadura de um vidro, posicionado sobre um mapa de Buenos Aires, servem como itinerários alternativos da cidade, que são explorados poeticamente pelo artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVHpydvY_vI/AAAAAAAACB4/bNAm2Gs-d4s/s1600/BATour01.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 290px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571491267220143858" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVHpydvY_vI/AAAAAAAACB4/bNAm2Gs-d4s/s400/BATour01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a comparação entre o acidente na Fundación Proa e &lt;em&gt;O Grande Vidro&lt;/em&gt;, comparação sugerida por Ricardo Jarne, de todo, parece despropositada. A noção de acidente na obra de Macchi, aliado a uma forte estrutura formal, em que a visualidade deve aparecer antes da experiência, é mais um tema do que exatamente um procedimento; em resumo: se Duchamp, com o acidente em sua pintura, faz do acaso um princípio de composição, Macchi parece interessado no acidente como um princípio formal, que deve ser controlado. De resto, a intervenção institucional – tanto do Museu, instituição essencialmente modernista, quanto da seguradora, instituição hiper-contemporânea, digamos – tem seu peso no debate: após o acidente, a obra de Macchi foi orçada em dólar: cinquenta mil – e os restos de sua peça, salvo engano, continuaram na Fundació por ordem da seguradora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal de contas, a opção do artista por apagar a prova do crime, ao fechar uma imagem aberta, parece enfatizar em sua obra, &lt;em&gt;Reacción -&lt;/em&gt; e digo literalmente - o que há de mais impróprio em seu próprio nome: o sentido do reacionário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-3626952987174151015?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/3626952987174151015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=3626952987174151015' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3626952987174151015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/3626952987174151015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/reaccion-reacoes-o-que-restou-de-uma.html' title='Reacción, reações: [o que restou de uma obra de Jorge Macchi]'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVHp5KABJ7I/AAAAAAAACCA/WXizrwY_oEM/s72-c/exhibition-of-bridges-and-borders-jorge-macchi-1-big.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-13966218524232977</id><published>2011-02-08T00:11:00.005-02:00</published><updated>2011-02-08T01:51:12.850-02:00</updated><title type='text'>Isso não é Brancusi</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVCvSbSOxjI/AAAAAAAACBw/lNq3iRik-og/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 121px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571145470154032690" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVCvSbSOxjI/AAAAAAAACBw/lNq3iRik-og/s320/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Em 1926, quando as pessoas ainda sabiam definir bem o que era arte, aconteceu um fato curioso com uma escultura de Brancusi, intitulada &lt;em&gt;Pássaro no espaço&lt;/em&gt;. A obsessão de Brancusi, como pode ser percebido em suas obras, consistia em polir uma superfície bruta - mármore, bronze - até que se apagasse do objeto qualquer vestígio de artesania, em busca de um acabamento mais próximo dos produtos industriais. Assim, ao ser transportada da França para Nova York, de navio, ao lado de outras vinte e cinco esculturas, a peça de Brancusi chamou a atenção dos funcionários da alfândega norte-americana, pois obras de arte, diferente dos objetos industriais - e aquela peça, que não parecia uma obra de arte, segundo os críticos de plantão, mas uma pá de hélice ou algo do tipo - poderiam entrar no país livres de taxas. Em outras palavras, os funcionários da alfândega perceberam o que a maioria dos críticos de arte ainda não havia percebido: a semelhança entre Brancusi e Duchamp. Não tenho informação se a taxa foi paga ou não, no fim das contas - ou seja, se alguém da transportadora conseguiu convencer os funcionários de que a escultura do artista era, de fato, uma escultura de artista - mas aposto que Brancusi, que não tem nada a ver com isso, ficou lisonjeado com a história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-13966218524232977?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/13966218524232977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=13966218524232977' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/13966218524232977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/13966218524232977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/isso-nao-e-brancusi.html' title='Isso não é Brancusi'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TVCvSbSOxjI/AAAAAAAACBw/lNq3iRik-og/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6814926948830552983</id><published>2011-02-06T22:53:00.002-02:00</published><updated>2011-02-06T22:59:21.874-02:00</updated><title type='text'>Tradicional família mané</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU9C4E9HBtI/AAAAAAAACBo/v7SKJlSLEwQ/s1600/DSC00079.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570744795250755282" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU9C4E9HBtI/AAAAAAAACBo/v7SKJlSLEwQ/s400/DSC00079.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6814926948830552983?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6814926948830552983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6814926948830552983' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6814926948830552983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6814926948830552983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/tradicional-familia-mane.html' title='Tradicional família mané'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU9C4E9HBtI/AAAAAAAACBo/v7SKJlSLEwQ/s72-c/DSC00079.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6387158220350695414</id><published>2011-02-05T12:10:00.011-02:00</published><updated>2011-02-05T13:58:48.563-02:00</updated><title type='text'>Pingo é letra, por Ronald Polito</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU1cwLxqW7I/AAAAAAAACBg/qdPcoAnGEbw/s1600/walser2.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 184px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570210296991734706" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU1cwLxqW7I/AAAAAAAACBg/qdPcoAnGEbw/s200/walser2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU1cq-pcYpI/AAAAAAAACBY/bqT741c-Fvs/s1600/ajudante.gif"&gt;&lt;img style="WIDTH: 132px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570210207568257682" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU1cq-pcYpI/AAAAAAAACBY/bqT741c-Fvs/s200/ajudante.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Caro Victor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de folhear o Prosa &amp;amp; Verso, do jornal O Globo, e encontro uma nota sobre a publicação de Robert Walser no Brasil. É equívoca, apenas atestando mais uma vez a falta de cuidado, a ignorância e o despreparo dos responsáveis pelo caderno do jornal. Afinal, eles não devem ter tempo mesmo para dar uma simples "googada" e verificar que estão passando informações erradas para os leitores, contrariando uma das regras mais primárias do jornalismo, que é verificar o que divulga. Mas o jornalismo é menos que primário, se isso é possível, talvez daí esse resultado. É claro que nem eu e nem você vamos contar para eles que Walser já foi publicado há muito tempo no Brasil, inclusive mais de um título dele. Eles que se informem! Contudo, como a nota é para divulgar que o autor "finalmente será publicado no Brasil" pela Cia. das Letras, para bom entendedor, pingo realmente é letra. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Abraço mineiro do&lt;br /&gt;Ronald&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6387158220350695414?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6387158220350695414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6387158220350695414' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6387158220350695414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6387158220350695414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/pingo-e-letra-por-ronald-polito.html' title='Pingo é letra, por Ronald Polito'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TU1cwLxqW7I/AAAAAAAACBg/qdPcoAnGEbw/s72-c/walser2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1111897474418793435</id><published>2011-02-04T00:19:00.009-02:00</published><updated>2011-02-04T00:32:11.876-02:00</updated><title type='text'>Soma de dois</title><content type='html'>Não poderia haver título mais preciso, e ao mesmo tempo mais ambíguo, para se referir à performance – chamaremos assim – da atriz Monica Siedler e do artista visual Roberto Freitas: Somático. A etimologia de somático nos diz qualquer coisa, em oposição ao psíquico, relativo ao corpo: &lt;em&gt;soma&lt;/em&gt;. A partícula soma, por sua vez, multiplica os sentidos, recebendo inclusive, como queira, a própria idéia de multiplicação: adição, conjunto, volume. De início, pode-se dizer que a performance lida com ambas as idéias anunciadas de modo até direto pelo título: corpo, por um lado; multiplicação, por outro – ou seja, &lt;em&gt;soma&lt;/em&gt; e soma. Como estas duas idéias, então, ambivalentes e gêmeas, diferentes e iguais, separadas por um itálico, podem se relacionar durante o espetáculo? Quais as relações podem existir entre a presença do corpo e o procedimento da multiplicação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUsg6Jc8N7I/AAAAAAAACBI/kulVtNYqfVA/s1600/foto_div_01.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 328px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569581547515557810" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUsg6Jc8N7I/AAAAAAAACBI/kulVtNYqfVA/s400/foto_div_01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De fato, &lt;em&gt;Somático&lt;/em&gt; abre com a atriz, Monica Siedler - sem interpretar qualquer personagem, com uma roupa até certo ponto neutra - se alongando em um palco vazio: provavelmente uma demonstração do corpo em sua condição de pura presença. Aos poucos, no entanto, através de um dispositivo de multiplicação das imagens, com diversos vídeos projetados por Roberto Freitas, tanto no fundo do palco quanto em pequenos monitores que vão ocupando o chão do espaço, enfatizado por um palco em penumbra, quase sem luz, enfim, este corpo, tão presente no início, vai desaparecendo aos poucos. Nos vídeos, inspirada por Cindy Sherman, Monica Siedler aparece representando uma série de tipos feminimos, estereótipos, personagens em série. A condução dramática de &lt;em&gt;Somático&lt;/em&gt;, deste modo – ou talvez apenas um fio de mínimas associações que conduz algumas idéias, sem qualquer drama – trata justamente disso: de um corpo que, ao se multiplicar, some.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo entre presença a ausência parece que enfatiza, aos poucos, uma espécie de derrota da matéria. Em outras palavras, se há muitos corpos que se multiplicam indistintamente, se a soma acaba sendo infinita, através da serialização de diversos personagens que aparecem e reaparecem nos vídeos, como se fossem fantasmas, então não pode haver mais nenhum corpo estável, seguro. &lt;em&gt;Somático&lt;/em&gt;, sendo um contato persistente, mas sem resolução, entre duas forças opostas, várias imagens opostas - em resumo: um vídeo-artista que faz delirar a imagem de uma atriz que se cansa, por sua vez (as quedas, com a dança, não dizem outra coisa além do cansaço) - enfim, o procedimento da soma aparece da mesma maneira como disposição e cansaço, realidade e virtualidade, vídeo-arte e teatro; ou seja, uma soma infinita de dois.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUtk9yM_v_I/AAAAAAAACBQ/6mWf58FahFQ/s1600/167051_1564522560454_1457091689_31224146_1623515_n.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 387px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569656376784830450" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUtk9yM_v_I/AAAAAAAACBQ/6mWf58FahFQ/s400/167051_1564522560454_1457091689_31224146_1623515_n.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1111897474418793435?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1111897474418793435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1111897474418793435' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1111897474418793435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1111897474418793435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/soma-de-dois.html' title='Soma de dois'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUsg6Jc8N7I/AAAAAAAACBI/kulVtNYqfVA/s72-c/foto_div_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2835385241480939477</id><published>2011-02-03T00:06:00.001-02:00</published><updated>2011-02-03T00:07:11.967-02:00</updated><title type='text'>Contraposição de Dissonâncias</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUoNp6hLi5I/AAAAAAAACBA/4R4li7nBOCQ/s1600/Theo_van_Doesburg_Contra-Composition_XVI.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 218px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569278902931262354" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUoNp6hLi5I/AAAAAAAACBA/4R4li7nBOCQ/s400/Theo_van_Doesburg_Contra-Composition_XVI.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 1917, em meio às discussões sobre as vanguardas européias, Piet Mondrian e Theo van Doesburg, artista plástico que alguns anos depois tornou-se um dos professores da Bauhaus, lançaram a revista &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/De_Stijl"&gt;De Stijl&lt;/a&gt;, vinculada ao conceito de neo-plasticismo. Como se sabe, a pintura de Mondrian, manifesto do neo-plasticismo, naturalmente, se resumia a cores primárias, além do preto e branco, e linhas verticais e horizontais; e só. Em 1925, após quase dez anos de amizade e dedicação intelectual entre os dois pintores - que eram, de fato, amigos inseparavéis - Doesburg pinta Contraposição de Dissonâncias, que seguia todos os padrões do movimento, mas com uma exceção: as linhas diagonais. Mondrian, nos diz a história, ficou furioso, muito furioso. Quando viu a pintura, com aquelas diagonais infames, não coube em si. As diagonais de Doesburg, por isso, foram responsáveis pela sua expulsão da revista De Stijl e pelo rompimento de uma grande amizade. Francamente, eu já soube de amigos que romperam por motivos bem idiotas, mas por uma diagonal é a primeira vez. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2835385241480939477?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2835385241480939477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2835385241480939477' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2835385241480939477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2835385241480939477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/contraposicao-de-dissonancias.html' title='Contraposição de Dissonâncias'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUoNp6hLi5I/AAAAAAAACBA/4R4li7nBOCQ/s72-c/Theo_van_Doesburg_Contra-Composition_XVI.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8741078425868926050</id><published>2011-02-01T10:27:00.002-02:00</published><updated>2011-02-01T10:35:10.311-02:00</updated><title type='text'>Extra, extra!</title><content type='html'>Curadora sobe no muro, cai na lama, mostra a calcinha e beija a outra curadora na boca!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8741078425868926050?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8741078425868926050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8741078425868926050' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8741078425868926050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8741078425868926050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/02/extra-extra.html' title='Extra, extra!'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1184355758198803027</id><published>2011-01-31T01:03:00.006-02:00</published><updated>2011-01-31T01:33:13.000-02:00</updated><title type='text'>Maldito, Benedito</title><content type='html'>Itamar Assumpção faz uma música que, sendo ao mesmo tempo solar e noturna, poderia ser definida entre o futebol e a macumba. Filho de pai de santo, jogador de futebol mais ou menos frustrado, músico autodidata, preto até o osso, nego dito, tudo isso. E mais um pouco. Com fama de maldito, Itamar não deixou de se equilibrar sobre a corda bamba da MPB: tristeza com graça, guitarra com samba. Desde &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=bD0TnEoM4IQ"&gt;Beleléu e sua banda, Isca de Polícia, de 1980&lt;/a&gt;, até sua parceria com Naná Vasconcelos, já no fim de sua vida, em 2003 - passando pela surpreendente gravação de Ataulfo Alves - Itamar levou aos lugares mais consequentes, se quisermos lhe dar algum rótulo, o rótulo de independente. Itamar, além de se reinventar a cada trabalho - a única coisa que não mudou, aliás, foram os óculos escuros - parecia se sentir confortável na sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUYmr0zQaKI/AAAAAAAACAw/VsnkTiT45Gw/s1600/SE-CAI%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 263px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568180523640055970" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUYmr0zQaKI/AAAAAAAACAw/VsnkTiT45Gw/s400/SE-CAI%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caixa Preta, uma caixa alaranjada com todos os seus discos, lançada pelo SESC de São Paulo, recupera e ao mesmo tempo apresenta a música de Itamar para aqueles que, assim como eu, não tiveram a oportunidade de acompanhar sua trajetória. Na Caixa, além de toda a sua discografia - que não passa de dez discos (sendo sete independentes) - estão também algumas gravações inéditas, apresentadas em dois CDs, e um catálogo precioso, mas não exaustivo. O nome da Caixa, aliás, não poderia ser melhor: algo sobretudo resistente, como deve ser a memória de Itamar, um dos artistas mais importantes do país; mas ao mesmo tempo algo irônico, já que a cor da Caixa, tão solar, longe de ser preta, deve negar tudo isso. Aliás, diante da Caixa, é como se Itamar Assumpção dissesse, com os óculos escuros: Maldito, vírgula; &lt;a href="http://letras.terra.com.br/branca-di-neve/1281260/"&gt;meu nome é Benedito. &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1184355758198803027?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1184355758198803027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1184355758198803027' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1184355758198803027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1184355758198803027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/maldito-benedito.html' title='Maldito, Benedito'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUYmr0zQaKI/AAAAAAAACAw/VsnkTiT45Gw/s72-c/SE-CAI%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8715718308713662161</id><published>2011-01-28T18:20:00.003-02:00</published><updated>2011-01-28T18:52:47.602-02:00</updated><title type='text'>Caro Cacau:</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUMlLRP8SZI/AAAAAAAACAo/M8NS_-Rsc04/s1600/cacau.png"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5567334439899122066" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUMlLRP8SZI/AAAAAAAACAo/M8NS_-Rsc04/s400/cacau.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ clique na imagem para aumentá-la ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8715718308713662161?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8715718308713662161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8715718308713662161' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8715718308713662161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8715718308713662161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/caro-cacau.html' title='Caro Cacau:'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUMlLRP8SZI/AAAAAAAACAo/M8NS_-Rsc04/s72-c/cacau.png' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-166056715822420454</id><published>2011-01-27T14:10:00.008-02:00</published><updated>2011-01-27T18:20:07.748-02:00</updated><title type='text'>Marcelo a contragosto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUGdBvdbd4I/AAAAAAAAB-s/Qpirgh2kwtU/s1600/MM.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566903267651975042" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUGdBvdbd4I/AAAAAAAAB-s/Qpirgh2kwtU/s400/MM.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Mirisola tem uns 45 anos, é autor de uns dez livros de prosa, mas antes estudou Direito, depois largou mão de ser advogado, foi vender antenas parabólicas e produtos de beleza no vale do Itajaí e acabou comprando uma casa no Costão do Santinho, há uns dez anos, onde escreveu um de seus primeiros livros, &lt;em&gt;O herói devolvido.&lt;/em&gt; Nesta ocasião, Mirisola recebeu o título de inimigo público de Santa Catarina por (nada menos que) Cacau Menezes. De resto, MM fala por ele.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Notícias de três linhas&lt;/strong&gt; - Ninguém baixa em uma ilha por acaso. Como você chegou aqui? E como você conseguiu ficar tanto tempo? Aliás, quanto tempo você ficou? Diz um pouco sobre a tua vida em Florianópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Marcelo Mirisola&lt;/strong&gt; - Antes de Florianópolis, morei 3 anos em Balneário Camboriú, e 1 ano em Porto Belo. Percorri o Vale do Itajaí no começo dos 90 vendendo antenas parabólicas e produtos de beleza. Portanto, conheço bem o lugar e suas idiossincrasias: "Bailão do Mi" &amp;amp; vanerões e puteiros afins. Comi muita loura aguada que me chamava de "Pai" na hora da foda. Também tive uma escuna em Porto Belo, um fiasco. Em 1997, depois de ter encalhado deliberadamente a escuna num banco de areia do Rio Camboriú, resolvi que ia pra capital. A breguice continuou. Aluguei (e depois comprei a posse) de uma casa na praia do Santinho e lá fiquei quatro anos. Isoladão (O Herói Devolvido é dessa época...). Enfim, conheço muito bem a gente branquela e brega do Estado e da Ilha de Sta. Catarina. Uma queda leva a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - Em alguns de seus livros, como &lt;em&gt;Bangalô&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Azul do Filho Morto&lt;/em&gt;, aparecem imagens e nomes de Florianópolis. Estas aparições, dentre outras coisas, fazem parte de um forte traço autobiográfico presente em seus textos, mas também demonstram que há alguma coisa da cidade que interessa a você como matéria pra literatura. Em algum lugar, você disse que sua literatura é contra a classe média. Há algo especial na classe média mané?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MM&lt;/strong&gt; - Uma classe média em estágio larval (em construção), meio ingênua e metida a besta sem saber direito o porquê. Isso nos anos 90, quando morei aí. Hoje, devido a comunicação que temos, imagino, a classe media catarinense é igual a classe média de qualquer outro lugar: pensando bem, vocês saíram no lucro porque a tecnologia acabou nivelando todo mundo por baixo. Vivemos todos num grande Shopping Iguatemi à beira mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="WIDTH: 136px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566917321431241826" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUGpzx3g1GI/AAAAAAAAB_M/0Y7V5TW3nXM/s200/image004.jpg" /&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUGpwMPVEsI/AAAAAAAAB_E/S4nIkzsisYA/s1600/filhomorto.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 122px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566917259790979778" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUGpwMPVEsI/AAAAAAAAB_E/S4nIkzsisYA/s200/filhomorto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - Acabo de ler &lt;em&gt;Bangalô&lt;/em&gt;. Lá, você diz - ou seu narrador, como queira - muitas coisas sobre a cidade. Você define a cidade, por exemplo, como "um grande condomínio de arquitetas lésbicas e pansexuais", "uma matinê ou um lego do inferno." Você diz também - tudo bem, o seu narrador - que "os manezinhos locais não prestam nem pra tomar conta de um carro". Você conheceu muitas arquitetas lésbicas na Lagoa da Conceição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MM&lt;/strong&gt; - Sim! Muitas bruxinhas e artistas plásticos e poetas de quinta categoria também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - É verdade que você detesta o Cacau Menezes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MM&lt;/strong&gt; - Ele que me detesta. Publicou minha foto em sua coluna, disse que eu era inimigo publico de Santa Catarina, e recomendou minha expulsão da ilha junto com José Geraldo Couto, o jornalista que - pasme! - resenhou positivamente o &lt;em&gt;Azul do Filho Morto&lt;/em&gt;. Aí você vê o grau de sofisticação desse sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - Apesar de tudo, parece que você gosta um pouquinho de Florianópolis, principalmente por um caráter lírico que também é muito forte em sua literatura. Há algo meio idílico na cidade que não é de se jogar fora. Você concorda comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MM&lt;/strong&gt; - Sim. As barangas da Conselheiro Mafra. Idílicas. Elas continuam por lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notícias&lt;/strong&gt; - Você não quis conhecer os escritores da ilha? Há vários escritores por aqui. Aliás, o Frank, o artista do Bangalô, existe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MM&lt;/strong&gt; - Conheci o segundo melhor escritor do Brasil na Ilha (nem preciso dizer quem é o primeiro ...). Ele morá aí até hoje. O nome dele é Nilo de Oliveira. Gaúcho... curioso né? O Frank é produto da minha imaginação. Nem acrílico existe mais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-166056715822420454?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/166056715822420454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=166056715822420454' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/166056715822420454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/166056715822420454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/santa-catarina-contragosto.html' title='Marcelo a contragosto'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TUGdBvdbd4I/AAAAAAAAB-s/Qpirgh2kwtU/s72-c/MM.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1956790309729423611</id><published>2011-01-26T00:16:00.003-02:00</published><updated>2011-01-26T00:18:57.782-02:00</updated><title type='text'>Uma bela crítica!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT-EcDEWFnI/AAAAAAAAB-k/UD3H5DxEREw/s1600/poema.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 150px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566313281847957106" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT-EcDEWFnI/AAAAAAAAB-k/UD3H5DxEREw/s200/poema.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT7dqlZMBvI/AAAAAAAAB-U/Z3rqxwlBZT4/s1600/elogio%2Bdo%2Bpoema.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 150px; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5566129913138513650" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT7dqlZMBvI/AAAAAAAAB-U/Z3rqxwlBZT4/s200/elogio%2Bdo%2Bpoema.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[clique na imagem, caso queira, para aumentá-la]&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT7dWRbPpYI/AAAAAAAAB-M/0KGV96-tPic/s1600/poema.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT7dMlAIfYI/AAAAAAAAB-E/kzL_ii8Rp3A/s1600/elogio%2Bdo%2Bpoema.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1956790309729423611?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1956790309729423611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1956790309729423611' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1956790309729423611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1956790309729423611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/uma-bela-critica.html' title='Uma bela crítica!'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT-EcDEWFnI/AAAAAAAAB-k/UD3H5DxEREw/s72-c/poema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-340904820526849975</id><published>2011-01-24T01:41:00.006-02:00</published><updated>2011-01-24T10:39:27.890-02:00</updated><title type='text'>Poses &amp; posições (II)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT1odfTEp4I/AAAAAAAAB98/pNJZ8SBGxsw/s1600/Fogwill03.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 266px" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565719570326792066" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT1odfTEp4I/AAAAAAAAB98/pNJZ8SBGxsw/s400/Fogwill03.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;¿Qué es un autor?,&lt;/em&gt; título da conferência que Michel Foucault proferiu em sua entrada no Collège de France, é o título de uma exposição de dois fotógrafos argentinos: Sebastián Freire e Paola Cortés Rocca, que consiste justamente em uma série de retratos de escritores e críticos contemporâneos. Na exposição, &lt;a href="http://www.onetti.cce.ufsc.br/simposio/pdfs/fotografias.pdf"&gt;que passou pela UFSC no ano passado&lt;/a&gt;, dentro de um simpósio de literatura argentina, estão escritores mais velhos como Rodolfo Fogwill e Edgardo Cozarinsky, mas também escritores mais novos como Pola Oloixarac. Entre o gênero do retrato mesmo e as fotografias de moda - há um forte traço de artificialidade nelas (quase todas, provavelmente, são realizadas em estúdios, além de passarem por manipulação digital) - pode-se dizer que a exposição é conduzida por um desejo poético: fugir da construção dos tipos; em outras palavras, os escritores, uns mais e outros menos, não se parecem com escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No retrato de Fogwill, por exemplo, feito por Sebastián, além da nudez de sua figura e do fundo, não há qualquer acessório - tão comum nos retratos do século XIX, mas também entre os fotógrafos contemporâneos (escritores geralmente aparecem ao lado de livros, em suas bibliotecas, ou com tinteiros sobre a mesa) - digo, não há qualquer acessório que indique sua posição social: a atividade literária, no caso. Com uma estratégia exatamente oposta, mas que deve chegar no mesmo lugar, &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_41yDgL0gUwo/S8NfOOQqIqI/AAAAAAAADzs/pkARMBPOV38/s1600/OloixaracXCORTESROCCA.jpg"&gt;o retrato de Pola, por Paola Cortés&lt;/a&gt;, desfaz o estereótipo do escritor através de um excesso de artifício: o artifício da pose, das cores estouradas, do erotismo e do figurino barroco. A pergunta do título, portanto, na medida em que parece ser ignorada pelas fotografias, deve se voltar contra ela própria: a exposição parece nos responder justamente sobre &lt;em&gt;&lt;a href="http://edant.revistaenie.clarin.com/notas/2010/04/07/_-02175803.htm"&gt;o que não é um autor&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-340904820526849975?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/340904820526849975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=340904820526849975' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/340904820526849975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/340904820526849975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/poses-posicoes-ii.html' title='Poses &amp; posições (II)'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TT1odfTEp4I/AAAAAAAAB98/pNJZ8SBGxsw/s72-c/Fogwill03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6123658608694630931</id><published>2011-01-23T00:57:00.006-02:00</published><updated>2011-01-23T01:17:08.866-02:00</updated><title type='text'>Poses &amp; posições</title><content type='html'>As fotografias me causam uma espécie de fascínio bem próximo do vício. Não digo as fotografias de arte; e sim estas fotografias banais que se escondem em álbuns empoeirados (são guardadas como se fosse um tesouro, a sete chaves, quando na verdade ninguém dá muita importância a elas) ou mesmo aquelas fotografias mal enquadradas que se exibem, aos montes, em perfis de redes sociais. As fotografias que me agradam, com uma exceção, podem ser de qualquer tipo: velhas ou novas; casual ou com pose; preto e branco ou coloridas; de famosos ou anônimos; de amigos queridos ou completos desconhecidos; sérias ou engraçadas; podem retratar grandes acontecimentos, enfim, ou eventos corriqueiros. A condição para que eu goste delas, talvez a única condição, é que representem pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Fotografias de escritores, neste sentido, são um gênero à parte; de algum modo, elas prolongam o retrato burguês da história da pintura, mas já sob o signo da reprodução. Desde o final do século XIX, pelo menos - pois antes os escritores apareciam justamente na pintura, como é o caso do retrato de Baudelaire, realizado por Coubert - a imagem do escritor é praticamente um índice de sua própria literatura. Muitas vezes, estas fotografias ocupam uma zona indeterminada - e de algum modo interessante - entre registro documental e performance. Se Guy Debórd define a sociedade do espetáculo como uma mediação social realizada através de imagens vazias, a imagem do escritor, na maioria das vezes, torna-se provavelmente o primeiro meio - absolutamente vazio, como queira (talvez venha disso o seu fascínio) - através do qual é estabelecido uma relação do leitor com o autor. &lt;/div&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTuaP1IlKQI/AAAAAAAAB90/vpjsACrSJ-s/s1600/03Blanchot.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 271px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565211361298163970" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTuaP1IlKQI/AAAAAAAAB90/vpjsACrSJ-s/s400/03Blanchot.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roland Barthes, amante e teórico de fotografias, nos conta o seguinte: uma das atendentes de um café parisiense, um café que o escritor já frequentava há dez anos, ao vê-lo falar na televisão e descobrir que era um escritor famoso, pediu um de seus livros de presente; Barthes presenteou a moça com &lt;em&gt;O Império dos Signos&lt;/em&gt;, o mais ilustrado de todos os seus livros. Um dos escritores mais fotogrados de sua geração, sempre em pose, Barthes conduziu sua reflexão sobre a fotografia, ao lado da moda, já sabendo que estava pisando em terreno espinhoso: não há nada que pareça tanto com a morte quanto uma fotografia. O negativo francês de Barthes talvez seja exatamente Maurice Blanchot: além de ter uma vida social muito limitada, são raríssimas as fotografias em que Blanchot aparece. Seja como for, parece que jamais o fotógrafo repetiu tanto o mesmo enunciado: antes de ser escritor, será necessário se parecer com ele. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6123658608694630931?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6123658608694630931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6123658608694630931' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6123658608694630931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6123658608694630931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/poses-posicoes.html' title='Poses &amp; posições'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTuaP1IlKQI/AAAAAAAAB90/vpjsACrSJ-s/s72-c/03Blanchot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-1466678718031953761</id><published>2011-01-20T18:00:00.003-02:00</published><updated>2011-01-20T18:03:39.898-02:00</updated><title type='text'>Um dia de caça e outro</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTiUeJLo1XI/AAAAAAAAB9c/yM9jF_IrA0w/s1600/vicky-cristina-barcelona.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 294px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564360585197966706" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTiUeJLo1XI/AAAAAAAAB9c/yM9jF_IrA0w/s400/vicky-cristina-barcelona.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[ Javier Bardem desfrutando o presente que Woody Allen lhe deu ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTiUrHY7ogI/AAAAAAAAB9k/ONhpg1rJBj8/s1600/ONDE_O%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564360808055153154" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTiUrHY7ogI/AAAAAAAAB9k/ONhpg1rJBj8/s400/ONDE_O%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[ Javier Bardem tendo que trabalhar para os irmãos Cohen ]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-1466678718031953761?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/1466678718031953761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=1466678718031953761' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1466678718031953761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/1466678718031953761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/um-dia-de-caca-e-outro.html' title='Um dia de caça e outro'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTiUeJLo1XI/AAAAAAAAB9c/yM9jF_IrA0w/s72-c/vicky-cristina-barcelona.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-6482586764064272534</id><published>2011-01-19T00:05:00.009-02:00</published><updated>2011-01-19T00:47:44.506-02:00</updated><title type='text'>Teatro pós-crítico</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTYWqU_p3zI/AAAAAAAAB9U/1RdvsDVx9ok/s1600/10323450.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 185px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563659306108837682" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTYWqU_p3zI/AAAAAAAAB9U/1RdvsDVx9ok/s400/10323450.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há dois meses &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/833181-performance-literaria-homenageia-roberto-bolano-na-balada-literaria.shtml"&gt;passou pelo Brasil &lt;/a&gt;uma peça curiosa, intitulada &lt;em&gt;Los criticos también lloran&lt;/em&gt;, cuja idéia consiste em se apropriar da primeira das cinco partes do romance de Roberto Bolaño, &lt;em&gt;&lt;a href="http://victordarosa.blogspot.com/2010/08/2666-o-deserto-do-medo.html"&gt;2666&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, composta por quatro críticos - três homens e uma mulher - especialistas em um escritor fictício, Benno von Archimboldi. Digo curiosa porque a peça, dirigida pelo espanhol Marc Caellas, adapta o texto, digamos, através também de seu formato: uma mesa redonda com quatro escritores, e não atores, que dizem o texto de Bolaño como se fossem - talvez - eles próprios. De fato, a peça torna-se um híbrido, com seu gênero instável, exatamente entre performance literária e teatro: por um lado, não se pode dizer que se trata apenas de uma leitura do romance de Bolaño, já que está em jogo toda uma &lt;em&gt;mise-en-scène&lt;/em&gt; que vai da construção de um cenário à adaptação do texto, que passou da narração em terceira pessoa para uma espécie de diálogo; por outro, não se pode dizer que é teatro, pelo menos em sentido estrito - trata-se, sim, de um teatro expandido, mas também de literatura expandida - já que, a todo tempo, aparece explícito que a única atuação em jogo diz respeito ao próprio espetáculo da literatura contemporânea: o escritor é (e não é) um ator.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=0nN4tXVgLt0&amp;amp;feature=related"&gt;A peça começa com as seguintes palavras&lt;/a&gt;, ditas por José Tomas Angola, um dos escritores da mesa, diante de um microfone e do público: "A primeira vez que Leo Campos leu a Benno von Archimboldi ...." - a saber, Tomas Angola repete a primeira frase do romance de Bolaño, exatamente como está no original, mas altera o nome de Jean Claude Pelletier, o personagem de &lt;em&gt;2666&lt;/em&gt;, pelo nome de Leo Campos, outro escritor que está na mesa, ao lado de &lt;a href="http://jorgecarrion.com/blog/?p=872"&gt;Jorge Carrión&lt;/a&gt; e Margarita Posada, e continua: "... foi no Natal de 2000, em Paris", alterando agora o ano de 1980, original do romance, pelo ano de 2000. Em outras palavras, na peça de Marc Caellas, sem nenhuma histeria, ao que parece, se sobrepõem dois níveis de discurso que, em absoluto, não se separam, atribuindo ao trabalho um interesse que vai um pouco além de Bolaño. O próprio título da peça, &lt;em&gt;Los críticos también lloran&lt;/em&gt;, que não vem de &lt;em&gt;2666&lt;/em&gt;, mas de uma invenção provavelmente do diretor, parece dar a última pista sobre tudo isso, afinal: a lágrima, paradigma da encenação, do falso, já não é mais exclusiva dos atores. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-6482586764064272534?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/6482586764064272534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=6482586764064272534' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6482586764064272534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/6482586764064272534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/o-teatro-da-critica.html' title='Teatro pós-crítico'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTYWqU_p3zI/AAAAAAAAB9U/1RdvsDVx9ok/s72-c/10323450.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7494723227800791173</id><published>2011-01-17T17:20:00.000-02:00</published><updated>2011-01-17T17:21:38.806-02:00</updated><title type='text'>canção do exílio</title><content type='html'>minha terra tem figueira&lt;br /&gt;minha terra não tem palmeiras&lt;br /&gt;minha terra não tem terra&lt;br /&gt;minha terra tem dinheiro&lt;br /&gt;até o mês de janeiro&lt;br /&gt;minha terra tem táxi aéreo&lt;br /&gt;na minha terra o ronaldinho&lt;br /&gt;fecha qualquer puteiro&lt;br /&gt;minha terra tem aterro&lt;br /&gt;minha terra tem gaúcho&lt;br /&gt;que prospera&lt;br /&gt;minha terra não tem terreiro&lt;br /&gt;minha terra não tem preço&lt;br /&gt;minha terra não tem preto&lt;br /&gt;macumba termina cedo&lt;br /&gt;na minha terra eu me exilo&lt;br /&gt;estando nela&lt;br /&gt;não tem endereço na minha terra&lt;br /&gt;tem surfista na minha terra&lt;br /&gt;até o prefeito na minha terra&lt;br /&gt;é turista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7494723227800791173?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7494723227800791173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7494723227800791173' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7494723227800791173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7494723227800791173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/cancao-do-exilio.html' title='canção do exílio'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-9130001901300637755</id><published>2011-01-17T00:05:00.002-02:00</published><updated>2011-01-17T00:14:12.931-02:00</updated><title type='text'>War e a arte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTOOzipZlsI/AAAAAAAAB9M/x2GFhnXzsn8/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562946980857616066" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTOOzipZlsI/AAAAAAAAB9M/x2GFhnXzsn8/s400/untitled.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Risk, jogo de tabuleiro lançado no período pós-guerra, exatamente em 1952, e adaptado no Brasil com o nome de War, funciona a partir de um dos princípios fundamentais da arte contemporânea, digamos: a conquista de espaço. A instalação, neste sentido, talvez seja o procedimento que melhor represente isso: qualquer movimento é realizado a partir da relação com um espaço provisório. É verdade que a dinâmica de outros jogos de tabuleiro, inclusive jogos considerados mais sofisticados, como o xadrez e o gô, principalmente o gô, também depende essencialmente da conquista de espaço - a idéia de que o objetivo do xadrez é capturar o rei inimigo me parece insuficiente - porém o War&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; como jogo do século XX, de início, oferece uma diferença importante em relação à grande parte dos jogos de tabuleiro: o War deve ser jogado por três jogadores no mínimo. Em outras palavras, desta maneira, War não representa um duelo, mas - sendo redundante - uma guerra mesmo: a hostilidade, e não a honra, é a sua única regra. Isso aparece materializado, por exemplo, visualmente, na quantidade de cores das peças sobre o tabuleiro: além dos tradicionais preto e branco, há peças azuis, vermelhas, amarelas e verdes, chamadas de exércitos, que são usadas dependendo da quantidade de jogadores disponíveis e formam linhas (desenhos) diferentes no tabuleiro. A guerra opera com a série, que se refaz a cada rodada, com movimentos dinâmicos e idéias provisórias; o duelo, diferente, está regido pela lei da dicotomia. Depois, tanto no jogo de War quanto na arte, e não no xadrez - que é o jogo da técnica, da precisão e do cálculo - no War e na arte é preciso ter sorte; e é preciso saber aliar a sorte com alguma noção de estratégia. A arte contemporânea, talvez se possa dizer, é um lance de dados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-9130001901300637755?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/9130001901300637755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=9130001901300637755' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/9130001901300637755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/9130001901300637755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/war-e-arte.html' title='War e a arte'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TTOOzipZlsI/AAAAAAAAB9M/x2GFhnXzsn8/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2154259880443412633</id><published>2011-01-13T00:05:00.008-02:00</published><updated>2011-01-13T00:47:51.673-02:00</updated><title type='text'>Literatura anã</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TS4faqTJ1MI/AAAAAAAAB7c/ZueGIQtAF5A/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="WIDTH: 380px; HEIGHT: 223px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561417132740826306" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TS4faqTJ1MI/AAAAAAAAB7c/ZueGIQtAF5A/s400/untitled.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não poderia haver título mais preciso para as instalações da escritora Veronica Stigger: &lt;em&gt;Pré-histórias &lt;/em&gt;-&lt;em&gt; &lt;/em&gt;a saber, aquilo que não está na história, que ainda não formou narrativa, mas que, de algum modo, de um modo torto e inadequado, quer fazer parte dela. Publicados &lt;a href="http://culturaebarbarie.org/sopro/outros/prehistorias.html"&gt;na última edição do Sopro&lt;/a&gt;, mas exibidos há dois meses em uma mostra de Arte do SESC, em São Paulo - quando alguns foram censurados - pode-se dizer que estes pequenos textos de Stigger possuem uma natureza complexa que talvez se esconda por trás de sua aparência tosca: misto de poema curto, &lt;em&gt;ready-made&lt;/em&gt;, frase de chiclete, cantigas de maldizer, ensinamentos de para-choque de caminhão, contra-propaganda, enfim, uma "arqueologia da linguagem do presente", como diz a própria autora com uma ponta de ironia, mas também com justiça. Ao mesmo tempo, através de sua elaboração visual - que atribui aos textos um ritmo e principalmente certo humor que eles não teriam (ao menos da mesma maneira) em uma página impressa - as &lt;em&gt;Pré-histórias&lt;/em&gt; de Stigger parecem recuperar justamente uma tradição &lt;a href="http://abcdesign.com.br/categoria-1/os-cartazes-russos-e-a-comunicacao-com-as-massas/"&gt;da escrita político-literária feita em cartazes&lt;/a&gt;, tão importante para um poeta como Maiakósvki, mas explorada com certa consistência desde meados do século XIX, por poetas e pintores como Mallarmé e &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_JAj9QeSNwA8/TD3dkMtzMtI/AAAAAAAAEsE/j5yuKy6xJr8/s1600/lautrec_moulin_rouge_la_goulue_poster_1891.jpg"&gt;Toulouse Lautrec&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TS4bTTTaJLI/AAAAAAAAB7U/zIHZcyaB4h4/s1600/veronica2.bmp"&gt;&lt;/a&gt;Com &lt;em&gt;Pré-histórias&lt;/em&gt;, de fato - e o plural talvez nos diga que elas podem ser intermináveis, estão a todo o tempo a nossa volta, informes - Veronica Stigger dá sequência a um projeto que está anunciado em seus dois livros anteriores: &lt;em&gt;Gran Cabaret Demenzial&lt;/em&gt; (2007) e &lt;em&gt;Os anões&lt;/em&gt; (2010), em que a velocidade da escrita, sobretudo, às vezes muito próxima da fala, parece pedir uma forma também pré-literária, se entendemos literatura como artifício de construção. De outro modo, atenta ao vestígio, Veronica parece mais próxima do arqueólogo mesmo, e não do romancista. Não é por acaso, aliás, que já alguns contos dos livros apareçam em forma de teatro e também em forma de poema, em contraponto com a prosa, mesmo não sendo exatamente poema, com tipografia alterada, cores, cortes secos, etc - ou melhor, mesmo sendo algo indistinto, sem gênero definido - como "Luana", conto do &lt;em&gt;Gran&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Cabaret: &lt;/em&gt;"LUANA, coroa baiana / tarada por anal de 4 quente / na cama garganta / profunda oral até o fim".&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Pode-se dizer que, com estas instalações, ao procurar uma forma fora do livro, fazendo dobrar o enunciado com a própria imagem, Veronica radicaliza o procedimento de sua escrita e vai um pouco mais longe na sua provável procura por uma literatura estranha a ela mesma, digamos, uma literatura anã. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TS4k_l1JICI/AAAAAAAAB7k/gEz92Fj-JGw/s1600/prehistoriaspeq4.gif"&gt;&lt;img style="WIDTH: 385px; HEIGHT: 174px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561423264754507810" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TS4k_l1JICI/AAAAAAAAB7k/gEz92Fj-JGw/s400/prehistoriaspeq4.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2154259880443412633?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2154259880443412633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2154259880443412633' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2154259880443412633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2154259880443412633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/literatura-ana.html' title='Literatura anã'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TS4faqTJ1MI/AAAAAAAAB7c/ZueGIQtAF5A/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-2637023859675694782</id><published>2011-01-11T10:51:00.005-02:00</published><updated>2011-01-11T11:10:41.554-02:00</updated><title type='text'>Correspondência, por Ronald Polito</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Juiz de Fora, 9 de janeiro de 2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caro Victor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui conferir a exposição de fotos de Wim Wenders no Masp, que você me indicou. Bonita, ele é um fotógrafo interessante, viajante incansável tentando apresentar o mundo através daquelas imagens. E vê-las sugere, naturalmente, correlações com o universo de Wenders e os problemas da arte contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSxWW4uob6I/AAAAAAAAB7M/E2TcGEzUh-Q/s1600/masp.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 304px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560914591080804258" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSxWW4uob6I/AAAAAAAAB7M/E2TcGEzUh-Q/s400/masp.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso pensar, por exemplo, na foto que é o cartaz da exposição e tomá-la como um óleo sobre tela, precisamente de Edward Hooper. Só que aqui ela foi levemente apagada, esbranquiçada, e carcomida pelo tempo; afinal, não há glamour. Essa vontade da pintura na fotografia, bem como sua opção cromática, é análoga a alguns dos sistemas de cores com os quais Wenders tingiu seus filmes. Há um deles, que eu defendo como o melhor filme B de toda a história do cinema, que pouco é citado por seus fãs. Trata-se de &lt;em&gt;Até o fim do mundo&lt;/em&gt;, de 1991, cujo roteiro ele escreveu com a inesquecível Solvaig Dommartin, que faz também o papel principal no filme. Nessa trama inclassificável, misturando ficção científica, perseguição policial, aventura, drama e comédia, no mínimo, também reencontramos a obsessão de Wenders pelos deslocamentos, só que aqui numa escala realmente planetária, pois a primeira parte do filme, que dura três horas, é uma enorme odisseia da atriz à caça do seu amor por diversos países. Tudo para chegarem à Austrália, num mundo já destruído, e conseguirem concluir o projeto de fazer os cegos enxergarem e, muito mais ainda, filmar os sonhos. Aqui atingimos o ponto. As imagens dos sonhos no filme são como que certas pinturas impressionistas em movimento. E elas levam à saturação máxima as cores de Paris, Texas ou de algumas das fotografias da mostra no Masp.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pena eu não ter aqui um catálogo para poder olhar todas de novo e talvez comentar muitas delas. Mas me vem à cabeça uma outra questão que talvez seja importante. Não são fotos fenomenais, digamos assim, não são obra de um grande artista da fotografia. Mas, no entanto, elas funcionam. E muito. Creio que isso se deve, em grande parte, à escala, problema tão recorrente hoje na arte. Não que elas não possam funcionar em outras dimensões, mas que, naquelas dimensões, elas funcionam turbinadamente. Como as duas gigantescas fotos da roda-gigante e a foto de encerramento, com a cratera de um meteoro na Áustria. As fotos da roda-gigante realmente conseguem com propriedade que a gente se sinta completamente sozinho de um lado ou de outro dela, como as próprias paisagens de fundo: de uma foto, a natureza, de outra, a cultura, sem viva alma, secas, envelhecidas. Tal como nessas duas, seria importante não perder de vista que há alguma “narração” na disposição das fotos, particularmente pela escolha da última, profundamente cósmica, levando-nos direto ao &lt;em&gt;big bang&lt;/em&gt; do início ou ao bum do fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSxTbXtshrI/AAAAAAAAB7E/REkzJEWwRGU/s1600/wim_wenders_armenia_2008.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 250px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560911369582970546" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSxTbXtshrI/AAAAAAAAB7E/REkzJEWwRGU/s400/wim_wenders_armenia_2008.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que as fotografias também funcionam por outros motivos além da escala, como pela sagacidade das escolhas de tema e ângulo: por exemplo, de uma parede cravejada de balas, mas cujos buracos tiveram as bordas pintadas de vermelho. À distância, com o ângulo frontal, a ilusão de que são flores é completa. Ou outro exemplo: de dezenas de chineses turisticamente observando um encouraçado com mais canhões que um ouriço. Mas talvez a mais estranha e reveladora foto da exposição, e em nenhuma hipótese por sua beleza, seja a que Wenders fez de São Paulo. Eu estava acompanhado de um paulista da gema, que ficou horrorizado com ela. Aí eu pensei com meus botões: “O que ele queria? A duvidosa escultura ‘Monumento às bandeiras’?” Eu, pelo contrário, li na imagem um poder de síntese surpreendente do que é aquela cidade. Afinal, Wenders escolheu um traste ou dejeto de nossos sistemas de funcionamento urbano, no caso, instalações no alto de um edifício, que praticamente nunca podemos ver, deixando no horizonte infinito a curvatura da cidade-sem-fim, levemente se desfocando na neblina-poluição. Nenhuma pessoa, então. Em primeiro plano, ficam gritando aqueles latões e tubulações e engrenagens. Que em nada diferem da imagem de quase qualquer parte da cidade estabanada, com seus infinitos sistemas de instalações e conexões arruinados, envelhecidos. A fotografia de Wenders é profundamente indigesta, nauseante e pesada, o que é um modo de São Paulo poder aparecer de forma bem persuasiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas fotos podem parecer mais corriqueiras, ainda que chamativas, como as do Japão, mas na maioria Wenders acerta. Consegue uma imagem não capaz de exatamente sintetizar toda uma cultura, mas de colocar-nos em relação com aspectos problemáticos de seu funcionamento. E geralmente sem cair no lugar comum e nem na excentricidade, o que já é pra lá de muito. Obrigado pela indicação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço do&lt;br /&gt;Ronald &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-2637023859675694782?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/2637023859675694782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=2637023859675694782' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2637023859675694782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/2637023859675694782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/correspondencia-por-ronald-polito.html' title='Correspondência, por Ronald Polito'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSxWW4uob6I/AAAAAAAAB7M/E2TcGEzUh-Q/s72-c/masp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-5627905808506418000</id><published>2011-01-09T15:26:00.003-02:00</published><updated>2011-01-09T15:32:02.360-02:00</updated><title type='text'>Jornalismo, nem pensar</title><content type='html'>Em Santa Catarina, há centenas de assessores de imprensa, mas não tem imprensa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-5627905808506418000?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/5627905808506418000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=5627905808506418000' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5627905808506418000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/5627905808506418000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/jornalismo-nem-pensar.html' title='Jornalismo, nem pensar'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-224204362080056542</id><published>2011-01-06T00:06:00.003-02:00</published><updated>2011-01-06T00:10:36.809-02:00</updated><title type='text'>Má língua</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSTL3ziigjI/AAAAAAAAB60/zIC_Nfp2Oh8/s1600/zuleika.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558791999670354482" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSTL3ziigjI/AAAAAAAAB60/zIC_Nfp2Oh8/s400/zuleika.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Zuleika Zimbábue, na minha opinião, é a melhor cronista da ilha - a rigor, aliás, é a única, já que os colunistas de jornais diários não fazem necessariamente crônica, mas não é por isso que Zuleika é a melhor. Criada pelo ator Paulo Vasilescu há alguns anos, Zuleika faz de tudo um pouco, digamos assim: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=uySnuBxrllc&amp;amp;feature=related"&gt;canta, dança, rebola &lt;/a&gt;- mas não muito, pois há algo de durona nela (digo sem qualquer ambiguidade) - e fala mal dos outros, principalmente. Sua aparição, segundo o padrão contínuo da crônica - diferente do poeta, o cronista não pode desaparecer - geralmente é semanal: todas as terças, sempre no Blues Velvet, a partir das dez da noite. Ao que consta, Zuleika Zimbábue não dorme cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Zuleika também subverte a crônica. Uma de suas graças é que nem todo mundo gosta dela - minha prima, por exemplo, ficou horrorizada com uma de suas performances. Seja como for, não se pode dizer que suas aparições são agradáveis, ou seja, que contemporizam com o gosto médio, como faz quase todo cronista. De outro modo, apesar de também escrever - a performance começa já com os textos de divulgação - Zuleika é boa mesmo no oral: sua voz de macho, seu figurino meio punk e seu sentido de improvisação, traços que a escrita naturalmente apaga, são fundamentais. Outra particularidade de sua crônica é que seus interlocutores são necessariamente bêbados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O procedimento de Zuleika, como uma espécie de meta-tudo - agora, sim, digo com ambiguidade - consiste em associar temas e formas de narrativa distantes entre si: do colunismo ao submundo, das revistas de moda aos inferninhos, do apresentador de auditório ao ícone punk, de Foucault à Glória Perez, do bordão à palavra obscena. Pode-se dizer que a história do bordão, aliás, se confunde com a própria história da crônica, pois o bordão, diferente do obsceno, está ligado à identificação imediata entre escritor e a massa de seus leitores - Zé Simão, por exemplo, escreve com bordões. Os dois bordões mais conhecidos de Zuleika, curiosamente, são obscenos: o patrocinador "meu cú cabelereiros" e a referência ao próprio pau como um "clitóris avantajado". &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=d1hEZksKXvA"&gt;Zuleika Zimbábue, segundo as más línguas, é mulher. &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-224204362080056542?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/224204362080056542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=224204362080056542' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/224204362080056542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/224204362080056542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/ma-lingua.html' title='Má língua'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSTL3ziigjI/AAAAAAAAB60/zIC_Nfp2Oh8/s72-c/zuleika.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8229541168257116514</id><published>2011-01-04T11:15:00.004-02:00</published><updated>2011-01-04T11:37:57.705-02:00</updated><title type='text'>O Mundo Funk Carioca</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSMhkKapjXI/AAAAAAAAB6s/CYCcF-qRiYc/s1600/lp.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558323270260460914" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSMhkKapjXI/AAAAAAAAB6s/CYCcF-qRiYc/s200/lp.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Em uma parte de seu livro sobre o funk, &lt;em&gt;O Mundo Funk Carioca&lt;/em&gt;, Hermano Viana descreve as práticas das festas soul brasileiras no começo da década de setenta - de fato, os primórdios do baile funk. Hermano diz que se formavam pequenas equipes produtoras de festas, sendo que cada equipe tinha seus MCs - "mestres de cerimônia" - e suas informações particulares. "Quem conseguia um bom disco rasgava o rótulo para torná-lo um artigo exclusivo de determinada equipe", escreve Hermano. Se uma música tinha balanço e fazia sucesso no baile, até seu nome tornava-se moeda de troca, já que uma equipe apenas revelava informações sobre a música caso outra equipe também compartilhasse seus hits. Segundo Hermano, que escreveu sua tese quando ainda não havia internet, esta é [sic] uma prática comum entre discotecários de países periféricos aos centro de produção musical.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8229541168257116514?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8229541168257116514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8229541168257116514' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8229541168257116514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8229541168257116514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/o-mundo-funk-carioca.html' title='O Mundo Funk Carioca'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSMhkKapjXI/AAAAAAAAB6s/CYCcF-qRiYc/s72-c/lp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-8090224578778981658</id><published>2011-01-03T12:02:00.010-02:00</published><updated>2011-01-05T15:24:45.137-02:00</updated><title type='text'>Tarantino e o Biscoito Fino</title><content type='html'>Dentre outros motivos, Tarantino impressiona por sua capacidade de fazer vários filmes dentro de um só. &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=WhpfoRj32EQ"&gt;À Prova de Morte&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;, de 2007, último de seus filmes lançado no Brasil, em DVD, embora seja anterior e menos festejado do que &lt;em&gt;Bastardos Inglórios&lt;/em&gt;, nos coloca diante de uma pergunta que Tarantino parece sempre repetir: como é possível fazer, ao mesmo tempo, arte com entretenimento? Em grande parte, o desejo da arte de vanguarda foi este: "a massa ainda correrá o biscoito fino que fabrico", disse Oswald. A rigor, Tarantino consegue oferecer possibilidades de leitura ao espectador mais ingênuo e ao crítico mais sofisticado. Talvez Wim Wenders tenha tentado fazer exatamente isso quando passou a realizar filmes com a indústria americana, mas não conseguiu; seus filmes americanos, no limite, não conseguem ser nem arte e nem entretenimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSHi6Dsht7I/AAAAAAAAB6k/4xnUsbrOD7o/s1600/tarantino-dirige-a-prova-de-morte.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 264px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557972902204258226" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSHi6Dsht7I/AAAAAAAAB6k/4xnUsbrOD7o/s400/tarantino-dirige-a-prova-de-morte.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[ Tarantino dirige Kurt Russel ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;À Prova de Morte&lt;/em&gt; deixa tudo isso muito claro porque pode ser cortejado com outro filme, de outro diretor, mas realizado segundo o mesmo projeto: &lt;em&gt;Planeta Terror&lt;/em&gt;, de Robert Rodriguez - nos Estados Unidos, ambos foram lançados dentro de uma mesma caixa, mas no Brasil, por interesses comerciais, sofreram uma separação. A idéia é que os dois filmes recuperassem a estética B, recorrente em filmes da década de oitenta, e ambos o fazem. A diferença é que Rodriguez respeita e até mesmo fetichiza o gênero; e Tarantino, por sua vez, se apropria, usa o gênero como se fosse matéria. O procedimento da apropriação, como se sabe, é muito caro a Tarantino, e está em tudo que o cineasta faz, desde a escolha dos atores e da &lt;a href="http://www.megaupload.com/?d=HSK3YQXB"&gt;triha sonora &lt;/a&gt;até a construção da narrativa. O lixo, para Tarantino, em um processo inverso, não é exatamente algo que se possa jogar fora: é biscoito fino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-8090224578778981658?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/8090224578778981658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=8090224578778981658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8090224578778981658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/8090224578778981658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2011/01/tarantino-e-o-biscoito-fino.html' title='Tarantino e o Biscoito Fino'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TSHi6Dsht7I/AAAAAAAAB6k/4xnUsbrOD7o/s72-c/tarantino-dirige-a-prova-de-morte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-4879054063796787485</id><published>2010-12-31T13:20:00.003-02:00</published><updated>2010-12-31T14:17:38.552-02:00</updated><title type='text'>A minha lista - agora, sim - de melhores do ano</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TR4B-7IGa0I/AAAAAAAAB6c/tlW3Wy2DtNo/s1600/BEB_LI%257E1.JPG"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556881170756954946" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TR4B-7IGa0I/AAAAAAAAB6c/tlW3Wy2DtNo/s400/BEB_LI%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Идиот&lt;/strong&gt;, de Фёдор Миха́йлович (1983-2010) - Фёдор Миха́йлович, sem sombra de dúvida, foi a grande promessa da nova literatura russa. Миха́йлович saiu da escola sem concluir o ensino secundário e, além de escritor, era corredor de automóveis. De modo precoce, Миха́йлович faleceu justamente em um acidente que envolveu oito veículos, na Avenida Лаврушинский, às vésperas de lançar seu segundo livro, ainda inédito, apontado pelos especialistas como uma "releitura de &lt;em&gt;Crime e Castigo&lt;/em&gt; à altura de Dostoiévski". Идиот, por sua vez, um road-movie ao gosto de Kerouac, é seu único livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;春秋&lt;/strong&gt;, de 書經 (1988-) - A inclusão do jovem escritor chinês 春秋na última lista das 100 Personalidades Mais Influentes do Mundo elaborada anualmente pela revista Time surpreendeu muitos leitores ocidentais, mas na China a escolha parece óbvia. "書經 é o ídolo da minha geração", disse uma estudante de Xangai, a cidade onde o autor nasceu, há 22 anos. O jovem escritor chinês, em seu romance 春秋, misto de ficção e testemunho, representa a afirmação individual, através da rebeldia, num país cuja cultura tradicional parece privilegiar o coletivo e a obediência. Infelizmente, ainda não há uma tradução de 春秋.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Κωνσταντίνος&lt;/strong&gt;, de Πέτρου Καβάφης (1945-) - Πέτρου Καβάφης é um dos contistas gregos com maior destaque nas antologias Ελλάδα και να στεγαστούν, να επιστραφούν e Ελλάδα και να. Sobrinho de Kaváfis, Καβάφης cresceu com a literatura correndo em suas veias, mas optou por publicar seus contos apenas quando completou cinquenta anos, em 1995. "Um homem só é verdadeiramente maduro quando chega a esta idade", diz. Em 2010, a editora Olimpo reuniu seus contos, que recebeu justamente o seguinte título: Κωνσταντίνος.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-4879054063796787485?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/4879054063796787485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=4879054063796787485' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4879054063796787485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/4879054063796787485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2010/12/minha-lista-agora-sim-de-melhores-do.html' title='A minha lista - agora, sim - de melhores do ano'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TR4B-7IGa0I/AAAAAAAAB6c/tlW3Wy2DtNo/s72-c/BEB_LI%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-321440977133449092</id><published>2010-12-30T10:04:00.003-02:00</published><updated>2010-12-30T10:09:32.158-02:00</updated><title type='text'>A minha listra de melhores do ano</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRx2NMTSFnI/AAAAAAAAB6U/F8FhpvfN7iw/s1600/moda-vintage-listras.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556446009280829042" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRx2NMTSFnI/AAAAAAAAB6U/F8FhpvfN7iw/s400/moda-vintage-listras.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href="http://salaodamoda.blogspot.com/2010/08/listras-listra-listrinhas.html"&gt;Salão de Moda&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-321440977133449092?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/321440977133449092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=321440977133449092' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/321440977133449092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/321440977133449092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2010/12/minha-listra-de-melhores-do-ano.html' title='A minha listra de melhores do ano'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRx2NMTSFnI/AAAAAAAAB6U/F8FhpvfN7iw/s72-c/moda-vintage-listras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-7007664113169512967</id><published>2010-12-29T11:25:00.004-02:00</published><updated>2010-12-29T11:36:48.607-02:00</updated><title type='text'>interartive.org #27</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRs285xIUzI/AAAAAAAAB6M/3PNGrRYD6iI/s1600/interartive27.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5556094985218577202" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRs285xIUzI/AAAAAAAAB6M/3PNGrRYD6iI/s400/interartive27.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número #27 da Revista&lt;a href="http://interartive.org/"&gt; interartive.org&lt;/a&gt;, com a qual sempre colaboro - o texto sobre Cildo Meireles e Cláudio Trindade, já publicado no Brasil, saiu em versão espanhol - acaba de ser publicado, já que na Europa está frio e todo mundo trabalha no mês de dezembro. Além dos textos, há um belo catálogo online da&lt;a href="http://www.interartive.org/casa.html"&gt; exposição CASA&lt;/a&gt;, de Lucila Vilela, realizada em Florianópolis durante o mês de outubro, onde é possível navegar por cada cômodo através de imagens e textos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-7007664113169512967?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/7007664113169512967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=7007664113169512967' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7007664113169512967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/7007664113169512967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2010/12/interartiveorg-27.html' title='interartive.org #27'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRs285xIUzI/AAAAAAAAB6M/3PNGrRYD6iI/s72-c/interartive27.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2965581518826980380.post-787610167237699793</id><published>2010-12-28T12:31:00.001-02:00</published><updated>2010-12-28T12:42:57.654-02:00</updated><title type='text'>Como se lê</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRn0xSbOx8I/AAAAAAAAB6E/yRftJ62djsg/s1600/DSC03363.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555740742935037890" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRn0xSbOx8I/AAAAAAAAB6E/yRftJ62djsg/s400/DSC03363.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2965581518826980380-787610167237699793?l=victordarosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://victordarosa.blogspot.com/feeds/787610167237699793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2965581518826980380&amp;postID=787610167237699793' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/787610167237699793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2965581518826980380/posts/default/787610167237699793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://victordarosa.blogspot.com/2010/12/como-se-le.html' title='Como se lê'/><author><name>Victor da Rosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07460087100940038731</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-KJMvQDY9fuY/TxQH_Ss_QaI/AAAAAAAACOU/-D77GM4suBM/s220/DSC04664.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lgCnNmlRPoU/TRn0xSbOx8I/AAAAAAAAB6E/yRftJ62djsg/s72-c/DSC03363.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
